“Notas” – 13/06/2015

E o Congresso do PT foi isso

Meu texto sobre o discutido Caderno de Teses para o Congresso do PT  (“O Sagrado Direito de Delirar”-18/0-4/2015) já adiantava o ridículo que a realidade preparava para os analistas políticos de fóruns de discussão na internet.

Nem questões pontuais, como uma volta da CPMF, obtiveram resolução unânime.

Dirão: “Lula esbravejou contra Imprensa”. Sim, ele o fez, mas me parece legítimo o direito do ex- Presidente e líder partidário de se expressar e adjetivar em fala aos seus liderados. Ainda que haja possibilidade dele ter desejado atemorizar, ainda assim é arma política como qualquer outra.

“Quer dizer que tudo é punhado de poeira?”

Reitero o que escrevi no texto sobre o caderno de teses: o Congresso é iniciativa para consumo próprio e como tal deve ser observada: o que dele sair é uma produção a mais do panorama político que deve conter as mais diversas manifestações ideológicas caso se deseje viver em uma sociedade pulsante. O temor dos extremistas por parte dos oponentes é uma arma paralisante eficaz pela paralisia da vítima, no Brasil esta paralisia é em tudo favorecida.

O que merece cuidados não recebe mais que menções ligeiras: o processo de mudança de pele já em andamento – a casta acadêmica já tem seu novo partido de coração, o PSOL e demais “coletivos”. Ninguém perderá seus nichos de Poder com o fim do PT.

Enquanto analistas improvisados previam o Grande Golpe Bolivariano do PT para este Congresso, os profissionais do atual sistema de Poder tratam de realizar suas manobras para todos os públicos. Cantam seus hinos e vomitam suas arengas ao público cativo, ainda que este público cativo mantenha suas subdivisões e murmure com nostalgia sobre PT de sua adolescência. Nostalgia também é capital político.

E jornalistas ajudam o PT soltando fogos para fim de apenas mais uma etapa.

Jô e Dilma – a dificuldade de ser original na internet

Assisti a entrevista de Dilma Rousseff ao Jô Soares para confirmar o esperado: total servilismo do ex-humorista à poderosa de turno.

Jô não é petista como apressados acreditam, é um deslumbrado com o Poder, seja qual for.

Lembro do Neymar em seu programa logo após ter sido capa da “TIME”. Jô se desmanchou com a celebridade mundial, e se mostrou irritado com o Bira quando este questionou o jogador sobre o episódio de seu atrito com o técnico do Santos. Jô era todo escândalo: “A pretexto de quê este assunto agora?”, ou coisa que o valha. Não era um grande jogador quem estava ali sendo arguido sobre episódio desagradável, era a capa da “TIME” sendo incomodada por um membro de seu staff.

Logo… nada me surpreende desta fonte.

A entrevista teve boa parte de sua duração preenchida com longos discursos do ex-humorista rebatendo críticas “absurdas” feitas à Presidente (estranho, ele não a chamou de “Presidenta”) e “esclarecimentos” aos ignorantes que ousam cobrar da Presidente recém-reeleita promessas de campanha. Mesmo assuntos ligados ao petróleo – ao Pré-Sal, para ser mais preciso, foram explicados, um funcionário de comunicação do Governo de prontidão. Nada contra erradicar simplismos e avaliações apaixonadas sobre Governo de um partido que não se gosta, mas mesmo esta função jornalística deve ser executada cm sobriedade, e Jô esforçou-se para transmitir indignação com a “ignorância” dos críticos da Sra.Presidente.

O resto do espetáculo já foi todo descrito pelos mais variados colunistas neste sábado, e acredito que a entrevista já esteja disponível no site do programa.

A internet exige destreza mental para quem nela deseja ser inédito. Eu próprio, ainda assistindo a entrevista imaginei escrever o título para esta nota: “Jô na Dilma”. Anteciparam-se a mim os zombadores mais rápidos nas caixas de comentários.

A unanimidade na reprovação deste espetáculo de beija-mão não foi obtida, governistas escolheram Jô como o herói do momento; “alguém do PIG que não se curva” e demais peças do repertório.

Não duvido que ele ainda renuncie à Globo, carregando já um público fiel, replicando seus ditos em redes sociais, seu rosto estampando camisetas de barbudinhos de D.A.

Jô poderá dizer um dia que continuou na mídia reacionária e elitista para “combater por dentro”. E sempre haverá os seres de alma coletiva a louvá-lo por isto. O Brasil é assim, terra dos gestos de teatro de segunda linha.

Mas, querem saber? Me comovi com as caretas de admiração do Sr.Jô, ainda mais que elas parecem ter cansado mesmo a Presidente, senhora não muito hábil em dissimular enfado, ao que me pareceu manifestação de constrangimento com o exercício de adoração.

Imaginei como deve ter sido o encontro deste veterano do humor com o Presidente Emílio Garrastazu Médici, registrado na foto que ilustrou recente comentário do Danilo Gentilli.Teria o ainda humorista censurado os pessimistas daqueles dias? Teria igualmente feito caretas de adoração? Hoje reserva palavras amargas sobre aquele período da História do Brasil.

Que Jô Soares viva muitos anos ainda para criticar este governo do PT daqui a décadas, são meus sinceros votos.

A internet não deixou espaços para ineditismos neste sábado, e me declaro vencido. Mas tentarei dar minha contribuição:

Parafrasearei a lendária crítica de cinema Pauline Kael (ela se referia ao “Ironweed” do Hector Babenco):

“É possível imaginar entrevista mais abjeta que esta com a presidente Dilma Rousseff, mas dá muito trabalho.”

Antes muito tarde que…

A “Veja” deu capa aos “menores infratores” que realizaram estupro coletivo no Piauí : “Vão ficar impunes?”

Sim,”Veja”, ao que tudo indica, sim.

A revista tivesse dedicado capa do tipo quando arrastaram uma criança pelo cinto de segurança, ou quando incendiaram uma dentista que não se abastecera financeiramente para o assalto, talvez todo o resto da imprensa tivesse exercido pressão sobre os legisladores, pressão superior em volume à exercida por filhinhos de papai brincando de ativistas.

Talvez o fetiche jurídico etário já fosse memória de dias estúpidos e estes monstros estariam agora mesmo pagando pelo que fizeram.

Mas capas tratando de dietas e tratamentos para impotência sexual tiveram vez.

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