“Notas”-27/06/2015

Lula no “Pós -PT”

Os pronunciamentos recentes do ex-Presidente Lula sobre o PT funcionam nos otimistas patológicos como mais um argumento a favor de compra de um carregamento de fogos de artifício.

“Viram? Até mesmo o Lula reconhece que está na lona. O PT já é, graças a Deus, passado.”

Escrevi no blog sobre o cenário no qual estes estrategistas, o Sr.Lula à frente, já vivem: O Pós-PT, o estágio avançado no qual o bloco político ao qual pertencem surge rejuvenescido das (e por) suas crises, pois integrado numa rede de “movimentos sociais” e partidos nascidos do próprio PT, como o PSOL.

O PT é visto já como um corpo sem vida, enfraquecido pelos vícios da “política institucional”e necessitado urgentemente de ser alvo de “uma revisão”. Como muitos jornalistas brasileiros ignoram a conotação esquerdista dos vocábulos “revisão”e “autocrítica” comemoram sem o suspeitar a nova mudança de pele da cobra, nada mais.

Tenho visto mais madames de nível cultural promovendo chiliques de porta de baile funk do que petistas que julgam ter feito qualquer mal ao País. Mesmo quando não dá para relativizar alguma escândalo, tratam de debitá-lo no “sistema que obriga a fazer concessões”. Como poucos jornalistas tratam de assinalar que o papel do PMDB (quando chamado ao palco, o que não é sempre que acontece) nestes enredos envolvendo propinas e chantagens diversas é o de coadjuvante. Mas como os jornalistas de oposição são tucanos fervorosos, a obrigação de esclarecer o público quanto à falácia deste argumento acaba sendo deixada para momento mais oportuno (qual?).

A agenda de lideranças do campo político nascido da casta acadêmica serve muito bem ao propósito de continuar exercendo influência em um quadro no qual as questões meramente administrativas são relegadas ao corpo burocrático, ou tecnocrático, deixando aos militantes políticos o Governo de fato, que significa em dias de colapso social nada menos que o Poder, a prerrogativa de escolher quem alcança as migalhas e quem deve ser culpabilizado pelo quadro que não oferece qualquer perspectiva.

Economistas com os balanços da grande firma que é um país e o pulso de aço dos agentes políticos sobre os cidadãos.

Isto pode muito bem ser exercido por um painel de forças que contempla o cadáver do PT e lideranças – como a de Lula, personagem de relevo internacional – que não imagino expulsas do palco de vez.

“E se investigações o colocarem no centro do furacão?”

Não acredito nisto, para ser franco.

Uma reforma no sítio, ou qualquer outro agrado que porventura surja serão relativizados sem maiores embaraços, e quem acredita que profissionais da política deixam rastro tendo milhares de subalternos para deixar as suas?

Sempre poderão alegar, os personagens de alta patente, que confiaram “nas pessoas erradas”e que “traidores” e “arrivistas” são os verdadeiros culpados de “malfeitos”.

Fosse a oposição mais orgânica, e nem precisaria sonhar com impeachment da Presidente Dilma Rousseff e prisão de Lula- sua ação na sociedade seria uma tortura de quatro anos, a insatisfação sendo cultivada nas mentes com vistas às colheitas dos dias futuros.

Como nem desistir da candidatura quando ela se tornou impraticável pela pressão exercida sobre beneficiários dos programas assistenciais foi gesto que mereceu contemplação, resta sonhar com um terceiro turno de resultado duvidoso a despeito de pesquisas de ocasião.

Ah, os reloginhos com contagem regressiva na coluna do Ricardo Setti; ah, os necrológios do petismo assinados pro Augusto Nunes … e são dos melhores jornalistas que o Brasil conta (e que justificam a ainda relevância de “Veja”) – dois grandes textos, duas figuras do maior respeito. Os petistas sorriem, pois imaginam o que esperar dos seguidores menores destes mestres nos prodígios de simplismo que beneficiam este campo de força.

O que tornou possível esta situação na qual muitos se debatem no desejo de despertar continua – forte e produtivo. Todo o arsenal de ataque que o sistema atual de poder montou na Academia e na comunicação não cederá como mera consequência com a hipotética queda deste Governo. Continuarão os militantes na máquina agindo no esforço de restaurar o domínio desta facção, pois a dita Oposição está mais ocupada em combater ocupantes nominais de cargos do que mergulhar em processo de autocrítica e exame de estratégias.

Mesmo os supostos críticos deste governo servem à agenda das diversas seções da Academia, e desta forma o atual sistema continua triunfante. Duvidam?Assistam a “GloboNews”, atentem à pauta e ao teor dos comentários deste canal, e vejam se a casta acadêmica corre algum perigo de sofrer confrontação que realmente a constranja.

Quando critiquei aqui humoristas críticos do Governo, como Renzo Mora, por mirarem em Silas Malafaia como se este fosse o maior dos inimigos da liberdade no Brasil, cerrando fileiras com inimigos comuns ao pastor e aos críticos, foi movido por esta inquietação: não se pode combater o atual quadro de forças sem estabelecer prioridades de ataque e analisar campos de batalha a fim de verificar se realmente sabemos onde estamos atirando.

Aos generais do petismo, o Partido já cumpriu sua missão e eles sabem que poderão sobreviver ao seu desaparecimento; sabem que esta lona já não cobre o circo e que nostalgia não garante o Poder. Lula não precisa de cargo, e acredito que ele deve se rir dos que acreditam-no preocupado com 2018, quando ele está acima desta preocupação eleitoral, já ele próprio uma instituição. Ainda que acusado de leniente nos diversos escândalos que estão agora sendo explodidos, terá sempre público para suas palestras e, devemos estar cientes de que ele não precisa nem mesmo do dinheiro destas palestras. O Poder basta, e quem chegou aonde ele chegou jamais voltará ao anonimato e à irrelevância.

Agora tente explicar este mecanismo de proeminência social ao público de classe média que imagina Lula humilhado, vivendo da caridade de adoradores da casta cultural, ou retornando à casinha de onde saiu logo no início de sua ascensão social. O classe média típico só acredita em dinheiro, tem o dinheiro mesmo como um deus, e nada que escape ao enfoque financeiro lhe é compreensível.

Esta gente veio para ficar – o tempo que nos acostumamos a pensar como sempre, ou o tempo que dedicou a chegar onde chegou.

Não há pressa, há planos.

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