“Notas” – 10/07/2015

Uma semana – e mais uma lição –  desperdiçada

Enquanto otimistas profissionais renovam o pedido de fogos de artifício na vendinha, os sempre acordados membros do Governo fazem força para manter a careta de apreensão e conter a gargalhada; fazem planos e executam os já feitos.

Esta semana a presidente Dilma Rousseff lançou um pacote anti  – desemprego (redução de horas com redução não muito pesada nos salários) e outro anti- violência (morte de policiais em serviço e mortes de parentes de policiais devido ao parentesco tornam-se crimes hediondos). Mexe-se o Governo, afinal.

Caso algum destes dois pacotes sofra qualquer obstáculo, o Governo terá ao seu lado a opinião pública. E depois chamam a senhora de terninho vermelho tola por conta de sua oratória malformada. Há quem compre esta fantasia como se comprou muito tempo (e compra-se ainda, diga-se) a fantasia do Lula idiota, burro de jantar no cocho.

Estes oposicionistas não aprendem nunca, são de certa forma piores que os governistas profissionais que, ao menos, sabem apreender dados das ruas, pois vivem de iludir (agora sem o mesmo sucesso de outros dias) os populares que acreditam que a senhora melhor vestidinha ao lado no ônibus lotado seja membro da elite. Os oposicionistas não, não sabem descrever um ônibus lotado. E das calçadas de algum bairro nobre de São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte colhem a “insatisfação das ruas com o Pior Governo de Nossa História”.

Mas esta semana confirmou que o morto não está morto, levantou-se do caixão e serviu-se de biscoito e cafezinho enquanto seus veladores cochilavam mais um bocado. Cochila-se muito neste velório, afinal já dura mais de meio ano.

Enquanto discute-se qual será a modalidade de vacância que este Governo sofrerá, ele emite pacotes, vai ao Exterior buscando se legitimar ainda mais; enfim, age como Governo de fato.

Lembro de entrevista do Paulo Maluf à finada revista “Afinal”, por volta de 1986, ’87, onde o empresário (entrevista cedida na sede da “Eucatex”) e político lamentava a Oposição ao Governo Sarney, sua verbosidade vazia de ideias e falta de senso de oportunidade. Batia, ao que me lembre (pois não tenho mais o exemplar, cito de memória) muito no PT, em sua ausência de propostas:

“Eles poderiam dizer: ‘Este plano (um dos remendos ao Plano Cruzado) não é ruim, mas poderemos fazer melhor’, e apresentar alternativas. Dizer ‘É ruim’, não basta”.

Embora eu não consiga reproduzir fielmente a fala de Maluf (minha memória não é tão prodigiosa assim), o espírito era este: bater em Governo ruim não basta para te elegerem, para te perceberem menos pior. Há que elaborar enquanto na Oposição versões alternativas de qualquer iniciativa governamental, para que as massas não se atemorizem do Futuro, por mais tenebroso que seja o Presente.

O PT aprendeu a lição em 2002 – nada de bater no Real, e sim de apresentá-lo modificado de forma a contemplar mais cidadãos. E conseguiu o Poder do qual acredito não o largue tão cedo, ainda que perca eleições. Afinal, o representante no Poder da Casta Acadêmica e esta não será removida tão cedo do comando dos destinos do Brasil.

“A obrigação máxima de um oposicionista é não deixar provocação sem resposta.” Este parece ser o norte de obrigações dos homens da oposição neste momento, responder entrevistas e pronunciamentos presidenciais, sobretudo se pronunciados no que Augusto Nunes chama de “Dilmês Castiço”, o dialeto elaborado em algum laboratório de estudos que visa subjugar oponentes pela irritação.

Todo o mais – elaborar projetos, esforçar-se no ofício de captar qualquer iniciativa governamental, e modificá-la por malabarismos desconcertantes de torção retórica e jurídica no propósito de torná-la do interesse da Oposição e não do Governo, e não desperdiçar oportunidade de deslegitimar este governo no Exterior – pode esperar.

E assim o Governo se move e produz uma semana do que chama de “Agenda Positiva” enquanto o impeachment, ou a renúncia – escolham a fantasia- não vem.

Não acredito que não se desperdice mais esta oportunidade de se aprender a fazer Política com os profissionais da matéria. Afinal, mais uma capa de “Veja” com mais depoimentos de empreiteiros presos vem aí, e mais um anúncio do fim desta facção no Poder…

Não conto mais os anúncios de mais sábados fatídicos. Esta casta no Poder sabe que tem ainda territórios sob si e que mesmo que venha a perder eleições e este partido acabe, oportunidades sempre surgem a quem se prepara. Outros partidos, outras frentes e outras modalidades estão disponíveis no Futuro. Eles não acreditam no Fim da História.

Não vi nesta semana a contrapartida oposicionista ao plano anti- demissões ou ao pacote anti – violência, somente ecos tardios de uma disputa fadada ao fracasso; redução de maioridade penal (quando a extinção do fator etário para crimes graves deveria ser a luta).

As massas assistem sem ter  time para torcer, no fundo desejam que ambos os lados se matem, que tucanos e petistas promovam lutas nas ruas até a morte. Que os líderes do PSDB e do PT sejam contratados pelo UFC, sem direito a arbitragem, que saiam dois caixões de vez do octógono, de preferência. Apostas seriam motor de reaquecimento da Economia, ao menos.

Não censuro quem pensa assim, quem aposte tudo no Fim Absoluto Já. Há quem dê de ombros por saber que no substancial, ambos concorrem para promover governos anti -nacionais e anti – sentimentos da população. A agenda das universidades nada tem em comum com o que pensa quem paga a conta, e nada mais justo que o escalado a pagar a conta sem poder influir no cardápio proteste jejuando, ou desejando indigestão ao todos.

Este jejuador e praguejador expulso da mesa que paga não sabe mesmo a quem culpar e por isto é risível a esperança em revolta direcionada somente ao PT, como querem tantos tucanos.

Quem não tem ouvido populares se queixando de “ter que aposentar aos noventa e cinco anos”? É por aí, a insatisfação vem coalhada de ignorância e desinformação, e portanto injusto depositar nestes ombros “O Despertar do Gigante”.

O Gigante despertará de uma bebedeira querendo dar porrada em quem estiver na sua mira.

Este o sonho de quem sonha sem conhecer.

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