“Notas”- 11/07/2015

Olavo de Carvalho e o Facebook – Muito Além do Limite

Olavo de Carvalho sofreu, em poucos dias, duas suspensões do Facebook- uma por manifestar suas opiniões sobre o movimento gay e outra por postar foto de seus dois netos, nus, tomando banho de bacia. Sim, o Facebook acolheu denúncias contra o jornalista e professor por conta de uma foto de duas crianças tomando banho.

A página aberta ao público do Olavo conta 153.093 curtidas, gente que segue e que traz à rede social mais anunciantes. Funciona como uma espécie de blog diário, dando a quem não tem conta no Facebook acesso às postagens do filósofo.

Não seria justo que a rede social adotasse critérios mais rígidos nas denúncias que recebe?

Ocorre que Olavo de Carvalho critica pontos de vista e grupos amigos – como Fundações e ONGs poderosas – do Facebook e isto o coloca, por consequência, vulnerável à qualquer denúncia, por mais grotesca e absurda que for. Quando se deseja colocar um intruso porta afora todo pretexto é pretexto.

Mas por quê se sujeitar a isto quem conta com mais de cem mil seguidores, dezenas de milhares de leitores e, portanto, publico cativo que o acompanharia em um blog?

Olavo possui um site, no qual havia um blog, ao que parece a abandonado. E rede de alunos que poderiam interagir sem auxílio de Facebook.

Logo … só pode ser o espírito de combate, o ânimo “Não vão me expulsar desta porra”.

Vale a pena?

Quantos formadores de opinião não possuem perfis que não corporativos na rede social? Sem nada perder com isto, ao contrário, podendo escolher com quem interagem, sem ter que se desgastar em recusas de pedidos de amizade e aborrecimentos do tipo?

Não tenho perfil no Facebook, tive por breve intervalo e relatarei aos leitores deste blog as razões que me fizeram desertar de terreno que só me trouxe, com raras exceções, contratempos.

Entrei por insistência de amigos; um de Universidade, e outro de minha admiração Renzo Mora (o único “amigo de Facebook” com o qual continuei me correspondendo quando saí, por sinal) e nele permaneci menos de sete meses, se fiz bem as contas.

Perdi horas de minha vida procurando colegas do tempo de colégio ou antigos vizinhos, recebendo do site de relacionamentos sugestões de amizade destes perfis, o que me deixava desconfiado da alegada privacidade das pesquisas. Quem não fica paranoico com isto? Quem quer o rótulo de “Stalker” tatuado na testa? Quem precisa disto?

Havia o desgaste dos pedidos de amizade por parte de gente que não via há décadas; de conhecidos que eu sabia ligados ao PT e que fora me bisbilhotar não teriam por que desejar minha “amizade”. Ou homens e mulheres desejando minha “amizade” para ter acesso aos perfis de “amigos” meus que não os haviam aceitado como “amigos de Facebook”. Ou pedidos de amizade partidos de perfis fake, feitos com preocupante regularidade.

Sugestões de amizade de perfis famosos pelo governismo por sua vez me deixaram alarmado: “Seguirão meu perfil?”

Decepções como uma “amizade” rompida com estrondo por parte do “amigo”, por este não ter percebido um comentário irônico meu- ele tomou como elogio ao PT uma piada, a despeito de conhecer minhas opiniões sobre o Partido por ler meu blog e trocar mensagens comigo – e o personagem, pasmem, é escritor, o que me deixou assustado: ”Se um sujeito que lida com linguagem escrita não consegue captar ironias e subtons, imagina o resto que povoa isto aqui”.

E todo o peso da rotina de quem se envolve em discussões com gente que demonstra a falência de uma escola que forma alunos incapazes de interpretar um bilhete. Esta gente quer polemizar, candidata-se a formadora de opinião nitidamente desejando além de suas capacidades. Ninguém ali parece possuir autocrítica e paciência para analisar qualquer coisa, são almas coletivas que tomam partido atentos aos juízos de seus grupos de referência, isto à Esquerda e à Direita (o caso do escritor incapaz de entender piadas).

Houve compensações como os diálogos com os poucos amigos que fiz, pois pessoas que desertaram do email, e conversas com gente que me seria inacessível por outros meios, diálogos que continuaram por email após eu ter encerrado minha conta, mas foram poucos estes momentos, se comparados à dor de cabeça que tive enquanto permaneci no Facebook. O que de bom houve foi exceção, nada mais.

Não vi razões para permanecer em um mundo de ilusões (com “amigos” famosos, tinha sugestões de amizade inacreditáveis, a rede vende a fantasia de amizades com o “Grande Mundo” ao alcance de um toque) onde o desperdício de tempo e a violação da privacidade, mais a incompreensão nos diálogos, são a regra.

Esta a  minha experiência, e conheço outros tantos que tiveram experiência semelhante e que, ou encerraram a conta, ou continuaram apenas por deveres profissionais.

Não aconselho qualquer pessoa, sobretudo se esta for bem sucedida, e possuir uma carreira vitoriosa. Não me pagam como consultor, e temo enunciar obviedades.

Muitos alunos e admiradores do Olavo de Carvalho já devem ter dito a ele o que eu diria se consultado:

“Retome seu blog, leve junto seus milhares de seguidores e lidere uma debandada considerável da rede social. Use seu poder de penetração e denuncie a perseguição que sofre aí mesmo nos Estados Unidos. Não aja como um anônimo vítima de injustiças, pois não é um, ao contrário, é influente e com poder de fogo para promover represálias temíveis.”

Mas não fui consultado, e não tenho como auxiliar quem quer que seja. Quem sou eu?

A campanha que o autor de “O Jardim das Aflições” sofre por parte de gente incapaz de vencê-lo com argumentos tem seu combustível na ausência de represálias.

Se oponentes elaboram sugestões sobre ele e sua família com expressões faciais que confirmam a fofoca como atividade predominantemente de afeminados, é porque não tiveram baterias de processos lembrando o custo de utilizar alusões à vida pessoal como substitutos de argumentos sólidos.

Talvez o gesto de abandonar o Facebook com estrondo, levando alguns milhares de usuários da rede, tivesse também esta utilidade – dar um lembrete, ou mesmo informar, com quem estão lidando. Afinal, a rede social vem agindo com ele muito além do limite razoável, contando com protestos que não a comovem um mínimo.

Uma perda de milhares de membros de uma só vez talvez sensibilizasse os dirigentes da companhia.

Mas não aconselho qualquer pessoa – quem sou eu?

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s