“Notas” – 18/07/2015

A Caça ao PMDB

Escrevi neste blog (em 14 de Agosto de 2011) sobre a condição do PMDB como “Culpado Providencial”, o aliado que justificaria qualquer ato irregular do PT à população brasileira:

“Vejam, os petistas querem acertar, desejam iniciar nova fase histórica, mas têm que cumprir obrigações com os aliados, sobretudo o PMDB, o qual tudo quer devorar”.

Jornalistas favoráveis ao Governo e blogs governistas trataram, em todos estes anos de governo do PT, de reforçar esta versão, e o PMDB aceitou ser retratado como o “Achacador- Mor” sem emitir um “ai”, sem esboçar protesto. Agora, ensaia alguma independência, discute a severidade do ajuste fiscal e seu peso sobre milhões de trabalhadores que têm que segurar em seus ombros tantos ministérios e tantos “companheiros” pendurados da Administração.

O PMDB é acusado de mirar 2018, mas isto seria crime- um partido desejar se lançar à Presidência, com o tamanho e a presença do PMDB?

Para muitos petistas e associados, isto é traição, ingratidão, “trairagem”.

As derrotas que o Governo atribui à ação do presidente da Câmara, Dep. Eduardo Cunha, têm sido reportadas nos sites governistas como atos de traição, como gestos de hostilidade, como se ao PMDB coubesse meramente o papel de fiador do Governo no Legislativo.

A redução (em versão abrandada) da maioridade penal foi tratada pelos braços do PT na internet como “política de extermínio”, ainda que desejo da maioria dos brasileiros.

E assim o PMDB torna-se alvo- ainda que por enquanto nas figuras do Dep. Eduardo Cunha e do Sen. Renan Calheiros. Denunciados na “Operação Lava -Jato” são já tratados como culpados pela imprensa governista, que celebra o que julga ser a libertação de Dilma Rousseff de quadrilha de chantagistas.

O presidente da Câmara anuncia seu rompimento com o Governo, e o seu partido, o PMDB, não o segue, decerto acreditando colocar-se desta maneira em posição segura, esquecido de que os primeiros peemedebistas a ensaiar algum rompimento – ou alguma independência o que para petistas é o mesmo – serão alvo de associações aos que agora caem em desgraça.

O PMDB colhe os frutos de uma parceria por interesse que teve duração prolongada além do razoável – dias antes da delação, Eduardo Cunha era o Poder da República e suas ameaças de instalar CPIs e dar andamento a ações de impeachment seriam o fim do Governo – e vê agora sua capacidade de negociar pelo alto evaporar.

Difícil prever o que virá após o recesso, mas é possível imaginar por exemplos de história recente do Brasil o que resta ao PMDB se este quiser permanecer como ponto de força.

Lembro da crise do Governo Collor- o PMDB tendo que se decidir pela sugestão de Ulysses Guimarães- tutelar Fernando Collor até o fim do mandato- ou pela advertência de Orestes Quércia – livre o Presidente Collor do impeachment quais laços o prenderiam a qualquer acordo com o PMDB?

Hoje o PMDB não tem possibilidade sequer de se colocar diversas saídas hipotéticas- ou reage às tentativas de sua desmoralização completa, esvaziando o Governo de qualquer Poder por força de sucessivas CPIs e derrotas ou desaparece como força política, resignando-se como mera força auxiliar do PT.

Livre deste obstáculo gigantesco, o PMDB, o projeto hegemônico do PT ganhará impulso poderoso, uma segunda vida.

Não há muito tempo para decidir seu destino, e o PMDB vem demonstrando não possuir senso de oportunidade, ou timing, como preferem os redatores de autoajuda empresarial.

X
A Autocrítica Involuntária na capa satírica de “Veja”

A edição corrente de “Veja” traz capa homenageando capas de tabloides sensacionalistas ingleses, declarando serem os fatos o motor de noticiário sensacionalista, não escolha editorial. Os fatos de uma semana conturbada apresentados como atrações do circo de bizarrices de um país destinado a sucumbir junto com suas instituições, em processo de  desmoralização.

Como “Veja” tem sido acusada pela imprensa favorável ao Governo de sensacionalista, devolve a acusação como sátira. Um gol – o primeiro deste diretor de redação, em minha opinião. Uma capa com lugar garantido na história das capas de “Veja”, e mesmo na história das publicações semanais.

Mas quem critica “Veja” (a revista como se apresenta desde a saída de Mario Sergio Conti, nos anos ’90) pela superficialidade, pela editorialização do noticiário, e por reportagens cada vez mais sumárias e relaxadas na forma, a capa se afigura como autocrítica involuntária.

Não se trata da ideologia da publicação – do tom ideológico, para ser mais preciso – mas da maneira como ela é trabalhada (ou não trabalhada, não lapidada) : textos curtos, fotos grandes, matérias de duas páginas sendo o padrão, etc, etc, etc.

Lembro da “Veja” dos tempos da crise aberta pelas denúncias de Pedro Collor sobre PC Farias (as matérias consumiam muitas páginas, com box contendo depoimentos, gráficos, e todo o resto do que se convencionou chamar de “reportagem embasada“). Hoje depoimentos se bastam, e abusa-se da adjetivação. Sem falar dos exercícios de adivinhação (Conti, em seu livro sobre o período em “Veja”, admite ter errado ao arriscar o desfecho daquela crise em uma capa). O contraste entre o que “Veja” foi e é dói aos apreciadores de jornalismo, e não são poucos (mesmo entre oposicionistas, gente nada simpática o PT) os que comparam “Veja” com tabloides ingleses. Logo…

Certas tentativas de satirizar revelam muito da autoimagem dos satiristas; os da linha de produção de “Veja” pelo que apresentaram nesta peça devem se acreditar trabalhando em publicação sóbria, comedida.

E isto renderia muitas sátiras houvesse satiristas competentes entre os antagonistas da Ed. Abril.

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