“Notas”- 25/07/2015

A capa da “Veja” deste sábado

Como muitos que dormem tarde, fui avisado ontem pelo site de “Veja”que o ex- Presidente Lula estava com seus dias fora das grades contados. Sim, o site de “Veja” com a capa da edição de hoje garantia que revelações contidas na delação do empreiteiro Leo Pinheiro não deixariam dúvida:

Era a delação ser aceita e Lula conduzido à prisão.

Hoje leio que o advogado do empreiteiro negou o acordo de delação.

Não sei como será a semana e não arrisco palpite sobre os desdobramentos. Os sites governistas que visitei soltam foguetes, e me lembro do que escrevi em 06/09/2014:

“A ‘Veja’ dos últimos anos tem se confirmado como um Himalaia que após emitir roncos tenebrosos dá à luz um camundongo.”

Tentam repetir a capa histórica “PEDRO COLLOR CONTA TUDO”, mas há uma diferença entre a revista daqueles tempos e a de hoje: sabia-se ali que furo é algo que não pode ser cantado de véspera. O que Mario Sergio Conti escreveu em seu livro (“Notícias do Planalto”) sobre as lições de Cláudio Abramo sobre fatos 98% confirmados de véspera parecia orientar a feitura da revista (a vez em que errou, ao tentar adivinhar o desfecho da crise do Governo Collor o confirma): o cantor pode desistir do show a caminho do palco, algo pode ocorrer que adie jogo noticiado, etc.

Ainda que ao longo da semana Léo Pinheiro confirme o que a revista publicou, isto não anula a temeridade do “furo” cantado de véspera e a comemoração da imprensa governista.

Eu acredito que provas contra Lula não surgirão ao feitio convencional – poderão acusá-lo de ter cometido a falta de receber presentes (no cargo?) e questionar o tino empresarial de seu filho, mas acredito que alguém que chega onde Lula chegou partindo de baixo aprende a evitar poças e envolver-se com as próprias mãos em ilícitos.

Desde ao início da Era PT esperam os partidários do PSDB algum evento que substitua planejamento e espera – mais investimento em quadros qualificados: “Uma capa de ‘Veja’ vai destruir estes caras, vocês não perdem por esperar”.

Desde a denúncia do Mensalão quantos anúncios do tipo não foram ouvidos?

Quantos (como eu) não tentaram advertir articulistas da publicação sobre a máquina de moer nomes montada com estímulo governamental? Recebendo desprezo de quem se mostra cansado de lidar com amadores que levam a sério “gente que ninguém lê”?

Hoje o pesadelo parece próximo do fim, mas quanto já não pareceu antes? “Ah, mas agora a popularidade da Presidente atinge rejeição histórica.”

Sim, mas a mesma armadilha pode ser montada com outra apresentação, outro partido, outra sigla e a mesma promessa de resolver problemas sem sacrifício.

Estudar os problemas  que  surgirão, sem dúvida, com um possível novo governo, e elaborar estratégias de combate aos incentivadores do saudosismo (que virão, também sem dúvida) parece não ocorrer aos oposicionistas na imprensa. E isto é imprescindível se não quisermos a volta deste elenco sob nova sigla, sob novos pretextos.

Há alicerces sólidos sobre o edifício condenado por suas “degradações “ visíveis apenas. O que tornou possível termos um Governo que se afigura inacreditável continua: a casta acadêmica – a qual nenhuma oposição no Brasil terá coragem de confrontar, ou fortalecer instâncias que a possam confrontar.

Meus amigos otimistas que me perdoem, mas não compraria foguetes tão cedo.

Uma sugestão aos aplicadores de multa

Motoristas de ônibus alegam temer os fiscais da BHTRANS para não parar fora do ponto, taxistas são multados por motivos que desafiam a lógica do cidadão comum, um amigo de meu pai recebeu multa por ter estacionado seu carro na frente do prédio em sentido inverso, e imaginem o resto.

Comenta-se sobre indústria de multa, mas desconfio que, se ela de fato existe, concentra-se em peixes muito pequenos, desprezando peixes que saciariam mendigos em banquetes.

Pensem nos carros que estacionam sobre as calçadas obrigando pedestres a seguir pela rua.

Ou nos criminosos que avançam sobre a faixa de pedestre. Ontem mesmo fui quase atropelado duas vezes. Eles avançam mesmo, confirmando Darcy Ribeiro que percebeu nos motoristas brasileiros a fúria homicida contra o pedestre por este significar a pobreza. Faz sentido.

Fazem que vão parar, dão seta para o lado e seguem rindo, ou insultando, ou buzinando. Nenhum guarda por perto, nenhuma câmera visível, e pelo desembaraço que exibem, nenhuma punição recebida. Sobretudo a pecuniária, a que mais toca estes corações.

Não é estranho que multem carros por desobedecer minúcias e não os multem com mais severidade quando colocam em risco a vida de pedestres? Qual o critério adotado, afinal? As autoridades preferirão a colheita miúda, desprezando a pesca gorda, sobretudo se útil para educar selvagens motorizados? Onde a imprensa mineira que não levanta estas questões?

Fui quase atropelado, como disse, na região da Pampulha, em avenida, a Fleming, que leva à Igrejinha do Niemeyer, cartão postal. Em outro quase atropelamento, fui insultado, e estava rigorosamente sobre a faixa de pedestres, que seguramente é para o jacu ao volante obra de arte – faixas brancas sobre o fundo preto.

Motoristas assim não se educam por medo da polícia, ou temor de responder processo por homicídio, mas por mordidas ansiosas dos poderes públicos munidos de câmeras e radares. E leis que estipulem valores próximos ao do automóvel do facínora.

Em Belo Horizonte, tenho certeza que o montante arrecadado com multas aplicadas em motoristas ferozes cobriria com folga o arrecadado com multas por todos os outros motivos.

Avanços sobre a faixa, acompanhados do agradecimento cínico ao pedestre que escolheu não se arriscar, seriam menos debochados, aposto.
Que enviem aos órgãos de imprensa locais minha sugestão quem concordar.

Eu nada mais envio após emails me queixando, sem resposta.

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