“Notas” – 05/09/2015

Espancamento no McDonalds do Brooklyn/NY- Um Episódio Síntese

Minhas pesquisas sobre comportamento juvenil (pesquisas concentradas na combinação de violência e sexo nos vídeos no “YouTube” de bailes e festas nos Estados Unidos) me levaram ao vídeo de um espancamento de uma adolescente em uma unidade da rede “Mc Donalds” do Brooklyn, Nova Iorque.

A jovem que aparece sendo espancada por um grupo de garotas, é a adolescente (o fato ocorreu este ano, em Março) Ariana Taylor então com quinze anos de idade. Embora surrada por muitas, resiste na luta, com bravura, e consegue retirar a camisa de uma oponente, a também adolescente Aniah Ferguson, então com dezesseis anos de idade. Ferguson aparece então espancando, de sutiã, Taylor, que caída no chão, recebe de sua oponente pontapés na cabeça e o golpe com o pé conhecido como “Pisada de Elefante”.

Quem vê o vídeo, e a assistência da lanchonete conclui, que Taylor sucumbiria ali. Ferguson aparece após isto, disposta a mais, a bem mais.

Acrescento que Ferguson é mais alta e mais forte que sua oponente que enfrentara sozinha o bando de agressoras.
Pelo que se sabe, Ferguson pegou os pertences de Taylor e os depositou em uma lata de lixo próxima dali. O vídeo causou forte impacto e as adolescentes foram a julgamento e Ferguson foi condenada por “gang assault” e “robbery”,  o que renderia vinte e cinco anos de prisão.

E as outras adolescentes identificadas foram presas umas após as outras, e algumas talvez peguem sentença semelhante. Não parecem ter se arrependido; uma mesmo foi pega tentando fugir para a Jamaica.

Ferguson foi, porém, e o vídeo “fala por si” como observou o promotor, a mais violenta. Outras chutaram a cabeça da vítima no chão, mas os chutes mais decididos, além da mencionada “Pisada de Elefante” vieram de Ferguson, já com algumas passagens pela polícia, tendo esfaqueado no braço um irmão e surrado sua avó.

Alegou-se que a vítima havia “feito algo” para pessoa das relações da agressora, membro de uma gangue local, e o vídeo não mostra o início da discussão. Taylor, a vítima, relutou em falar, e mesmo lamentou que o episódio havia a colocado em uma condição de celebridade.

Há o particular tocante de uma mãe que postou o vídeo em sua conta no Facebook ignorando ser sua filha uma das agressoras. Esta adolescente aparece em vídeo no “YouTube” (o qual mostra sua mãe relatando seu choque ao saber a filha estrela do vídeo que postara inadvertidamente) com sua advogada, que não considera sua cliente uma agressora, pois quando a polícia chegou houve as vencedoras e o lado perdedor “ganhou o selo de vítima”. A “perdedora“ ser uma contra várias e receber golpes na cabeça já caída no chão não parece demover a defensora de sua convicção de que “não houve heróis ou vilões”.

A defesa de Ferguson mencionou a popularidade de Taylor após o episódio – a vítima por ter se tornado popular seria então menos vítima. Com defensores do tipo, não admira o resultado das condenações. Onde foram parar o senso de medida e capacidade argumentativa nos Estados Unidos? Parecem estar pior que os brasileiros – e claro que o “politicamente correto” tem sua contribuição no que tem de estupidificante,  tanto nos jovens, como no meio acadêmico. A vítima lá é a culpada, a “aproveitadora”.

Mas há uma diferença: lá a sociedade não se comove e ainda discerne vítimas e culpados. Aqui a sociedade já identifica, mas de mãos amarradas pelo sistema de Poder, sobretudo pela casta acadêmica.

Surgiram blogueiros defendendo a ideia de que “Ferguson não é um animal”, mas uma vítima do meio, do lar desestruturado à condição precária da vizinhança no Brooklyn, as condições precárias de moradia e “escolas deterioradas”, mesma vizinhança e mesma escola da vítima, também negra, mais escura que algumas das agressoras, sobretudo Ferguson.

Não entendo a revolta de garotas que, embora não ricas, não vivem no que se pode qualificar com rigor como miséria, e que são, em sua maioria belas (Ferguson é uma bela mestiça) e com muitos anos para realizar sonhos, para tentar uma vida menos sórdida.

Mas o “politicamente correto” e os cafetões da miséria, bem instalados na Universidade e na mídia, martelam na cabeça desta juventude chavões de vitimismo e o ressentimento explode em violência doméstica e escolar.

Blogueiros e vlogueiros negros não-alinhados denunciam a engenharia social que produz estas monstruosidades em uma geração mimada e sem senso estético (veja o estado da cultura americana hoje em dia), sem qualquer amor ao conhecimento e qualquer aspiração à grandeza. Mas infinita capacidade de odiar e destruir.

Os vídeos de festas e bailes aos quais me referi ilustram bem: adolescentes dançam em simulações de sexo que fazem nossos bailes funk parecer quermesses. Jovens de quinze, dezesseis anos aparentes.

Morenas e negras lindas como Beyoncé tem como pares nesta encenação de cópula os sujeitos com mais jeito de delinquente e rejeitam sem contemplações os com aspecto mais contido e quase por consequência, mais tímidos – e não me acusem de racista, as festa só têm negros, ou mestiços.

Há, como também aqui no Brasil, a associação “delinquência/masculinidade” que premia os mais aptos neste juízo de valores, ou seja os com mais pinta de “terror dos professores”, os “Átilas de bairro”.

Não duvido que a pancadaria do Mcdonalds tenha por motivo alguma disputa por um destes projeto de malandro, pois as brigas do gênero no Brasil tem o mesmo motor. Aliás, as reportagens do caso “Ferguson/Taylor“ registram que as briga nas escolas e lanchonetes são, em maioria, protagonizadas por garotas. Como aqui.

O que me parece emblemático no caso foi a inversão de valores – a vítima ali foi a delinquente, não a moça (não sei se bisca também, mas no episódio a porção massacrada) que tomou socos de um bando até cair e caída recebeu chutes na cabeça. Não, ela é a “queridinha da mídia”, a realmente necessitada de atenção é a esfaqueadora de um irmão, a espancadora de uma avó; uma predadora que não se apieda da oponente caída e capricha no golpe mirando a face.

Não parece difícil concluir que a sociedade americana está  mais danificada no plano mental pela obra da casta acadêmica que o Brasil. O culto à violência- com seu sistema de recompensas sexuais aos mais agressivos – e a vitimização de criminosos estão se cristalizando lá. O que salva ainda são leis e opinião pública que exige punições – e a diversidade que permite que correntes não hegemônicas tenham capacidade de articulação, o que inexiste no Brasil, onde o acesso das correntes discordantes aos canais de mídia mais poderosos é problemático e leis estão contra os cidadãos. Lá, advogados e opinadores oriundos da Academia defendem delinquentes, aqui delinquentes contam, além de advogados e porta-vozes na mídia, com as leis e a inação política das massas, entregues enfim às suas mãos.

Mas este episódio da lanchonete do Brooklyn mostra que talvez a pressão seja poderosa e eles um dia cedam também.

A sociedade americana mostra estar com o corpo tomado por uma doença que causa dezenas de milhares de mortos por ano no Brasil, embora eles,os norte-americanos contem com seus anticorpos. Mas mesmo estes falham um dia, e aí o mundo será apresentado à selvageria absoluta.

Será a conta final do “politicamente correto”.

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