“Notas” – 10/09/2015

“Num Sete de Setembro como este…”

Quando tudo isto for um punhado de más lembranças, testemunhas do tempo poderão contar aos seus descendentes (e aos descendentes de seus descendentes):

“Num Sete de Setembro como este, em que autoridades eleitas acenam à massa, em 2015, a autoridade de então desfilou oculta por uma estrutura de metal e não falou aos brasileiros senão por internet.”

O cortejo de movimentos associados ao Governo ameaçando populares sob as vistas de militares também será lembrada como um Sete de Setembro que disse muito, por si.

Não se chegou nele como se desembarca em um pesadelo após um sonho veloz em que se esquia na neve ou se visita a cidade de asa-delta. Esta realidade foi gestada pela omissão de muitos, pela incompetência dos que julgavam conhecer História.

O atrevimento de um grupo que marca índices de reprovação e que é, sem qualquer dúvida, o mais grotesco elenco da tragicomédia política brasileira, é filho da afoiteza e despreparo de quem se apresenta como Oposição, figuras públicas que julgavam que seria fácil ganhar a eleição, ainda que números negassem ilusões, e depois exigiram que a consequência por erros desnecessários corresse, não pesasse um nada.

Onde o pedido de desculpas de quem, contra toda a lógica mais elementar (a que recomendava analisar com severidade as chances de um candidato que perdia em estado em que governou e que tinha seu candidato ao governo estadual uma derrota anunciada – e realizada- no Primeiro Turno), bombardeou a candidatura que ameaçou por instantes a candidatura oficial? Onde o reconhecimento de que se subestimou gente disposta (e que sempre se declarou disposta, por sinal) a tudo para não ter que soltar os dentes das tetas?

Olavo de Carvalho (desde que o acompanho, final dos anos’90) vinha advertindo os militares sobre o destino que resultaria de suas hesitações: tropa de seguranças do “Foro de São Paulo”, e foi esta a imagem que desde já é parte da História: o desfilar cabisbaixo de militares ao lado de seus inimigos jurados, sem direito a emitir um pio de desagrado.

Este desfile merece um quadro que o imortalize, como o quadro de Pedro Américo imortalizou o evento às margens do Ipiranga, como pinturas (ou painéis em azulejos encontradiços em residência se estabelecimentos comerciais de udenistas) imortalizaram a caminhada dos “Dezoito do Forte”. Não foi um desfile usual de Sete de Setembro – marcou o fim de um ciclo, ou início de outro – ainda mais desesperador.

Há quem condene o pronunciamento de Fabio.Jr no “Brazilian Day”em Nova Iorque na véspera, 6 de Setembro, pois o cantor teria sido um “analfabeto político repetindo chavões”. Pode ser, mas a massa brasileira passando seu bocado de trabalho duro longe do Brasil o confirmou aplaudindo e entoando a saudação dirigida à presidente Dilma Rousseff na abertura do Copa do Mundo, saudação que decerto ela ouvirá na abertura das Olimpíadas (caso seja ainda a anfitriã do evento) no Rio de Janeiro. Os democratas que amanheceram no 7 de Setembro atacando o cantor (obrigação do ofício de blogueiro governista – deve ter sido uma disputa para postar primeiro e em volume de fúria) reivindicaram autoridade de permitir quem pode ou não criticar “a Presidenta”- o crítico deverá obrigatoriamente ter sido de Esquerda nos anos de governo militar; e ser chamado então de traidor ou esclerosado, como fazem agora com Hélio Bicudo. Divertido ver esta gente renunciando ao resto de hipocrisia e se apresentar enfim sem maquiagem e peruca de democratas. E querem, oposicionistas afoitos, acabar com isto …

Está sendo uma semana que honra seu início: oposicionistas mostram pressa de impedir a Presidente, enquanto celebram o rebaixamento do Brasil por uma agência de avaliação de riscos de investimento. O governo e seus defensores negam neste quadro (a tal avaliação do Brasil por agências) elemento conclusivo, e mesmo o mais inteligente dos oposicionistas, José Serra (segundo Eliane Cantanhêde, ontem no “GloboNews”) lembra que o Brasil passou a ser mencionado por tais agências há relativamente pouco tempo, e portanto, este evento é menos grave do que supõem leigos. Mas a facção dominante da Oposição se agarra a mais esta ilusão (“Agora este Governo cai!!!”) encomendando mais um lote de foguetes.

E para confirmar sua incompetência, a Oposição (e incluo entre oposicionista os nomes do PMDB que exigem como condição de apoio às medidas do Governo a redução de gastos governamentais) se apresenta solícita para cumprir função que cabe ao Governo: exigir fim de programas sociais, quando deveria (se não estivesse hipnotizada pela expectativa de queda iminente do Governo) discutir mais programas com o dinheiro que é desperdiçado em ministérios e toda sorte de empregos para militantes do PT, fora gastos com propaganda (podem incluir os gastos com patrocínio em blogs governistas).

Pensasse e agisse como se a renúncia, cassação ou renúncia não fossem hipóteses, a Oposição se qualificaria aos olhos da massa com mais capaz e interessada nos problemas da maioria que o Governo, pois se obrigaria a apresentar alternativas, a demonstrar os furos deste esquema de Poder, mas onde o rigor entre analistas da dita Oposição?

Desperdiçam-se no Brasil oportunidades e estas nem sempre voltam para segunda visita: o Governo poderá se beneficiar de algum imprevisto externo e mesmo do temor da população em trocar o certo ruim pelo provável péssimo, e superar este momento de impopularidade; se não neste Governo, com o que sucederá a este no quadro do “Pós-PT”, a aliança entre partidos de esquerda e movimentos sociais que só ganharão com esta piora na economia. Quem defende fim de programas sociais no lugar de um aprimoramento destes programas (o que é possível e necessário se não quisermos assistir à quebra definitiva do Brasil) ignora trabalhar par ao “Pós-PT”.

E pensar que estes equívocos acontecem em semana tão presenteada por símbolos do Sete de Setembro já digno de figurar como verbete histórico: a Presidente escondida da massa por uma muralha de ferro, escoltada por militares desestimulados e movimentos sócios, evitando TV aberta, tendo ouvido dos brasileiros no exterior saudação que certamente evoca o momento degradante da abertura da Copa…as forças da História castigam quem despreza cesta repleta de oferendas.

Outros desfiles virão, ainda que, ao que promete,  após um hipotético longo intervalo em que tais comemorações sejam qualificadas pelas esquerdas oficiais como “nacionalistas e reacionárias” (pois afinal na “Pátria Grande” não haverá razão para se comemorar independência de um país apenas) mas o de 2015 será um marco a se considerar. A não se apagar, ou fingir que não aconteceu como aconteceu. E serão informadas as gerações seguintes:

“Num sete de Setembro como este…”

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