“Notas” – 31/10/2015

“Soltando foguete na véspera”

E mais uma capa de “Veja” reforça a euforia dos que julgam etapas históricas folhas do calendário, “Só virar, rasgar, e vida nova!”

Hipotética possibilidade de prisão do ex- Presidente Lula é celerada como o fim da era petista, e retorno mágico aos dias pré-2002, ”quando tudo era melhor”.

O que foi plantado em leis e nos hábitos de milhões seria, por esta lógica de torcida de gincana, eliminado por mera consequência. Os que nada leem além de “Veja” acreditam que muitas contrariedades não terão mais lugar fora dos pesadelos, ainda que muito do que reclamam tenha sido idealizado e encomendado nos dias pelos quais suspiram.

Mas não faço, como sabem os que acompanham este blog, artilharia sobre a classe média afobada e assustada. Pois se este segmento não tem quem a oriente na comunicação de massa, ainda que jornalistas de Oposição sejam bem remunerados e desfrutem do poder do prestígio, repetirá as mesmas tolices – enquanto os ocupantes do Poder tramam modos de mantê-lo ainda que sob outras siglas, e utilizando outros paradigmas.

Qual porção do Poder se abala com fantasias de Lula presidiário? Os petistas se riem dos que acreditam em saídas rápidas e de feição moralizante a este drama político. Como a cúpula do movimento lê, sabe que a etapa histórica atual exigiu décadas para se concretizar e exigirá outro tanto de tempo para ser superada. Não marxistas, ou não informados sobre marxismo, julgam que “tudo se resolverá na Justiça, como consequência da vitalidade das nossas instituições”, com fé absurda neste mantra elaborado segundo regras de oratória de política de cidade do interior. Petistas(e PSOListas, PCdoBistas e demais agregados) apenas fingem se molestar com estas fantasias de amadores, encomendando aos militantes mais primitivos os ataques àquilo que causa na cúpula ora diversão, ora tédio.

Vejam a capa da semana anterior de “Veja”: transformaram um fator histórico e editorial importante  (o lançamento das transcrições dos diários ditados por Fernando Henrique Cardoso na Presidência) em peça de propaganda antipetista. Vulgarizaram um marco na política e no movimento editorial brasileiro com mensagem piegas.

Ah! As capas de “Veja” sob Mario Sergio Conti – as edições todas daquela fase eram itens para constar em biblioteca. Hoje…divertem militantes do governismo no imprensa e seus simpatizantes em geral. Não acertam uma e parecem não compreender, e nem mesmo atinar, com a perda de relevância da publicação. Alguns textos ali parecem redações de ginásio, e alguns colunistas parecem contratados segundo plano de desmoralização – não só da revista, como de toda imprensa de Oposição.

“Mas a imprensa governista também é grotesca”. Sim, mas age com método. Quem tenha lido qualquer trabalho de marketing político (não confundam com marketing eleitoral), sobretudo os estudos de Harold Lasswell, sabe que para certo tipo de público e para o determinado efeito (sobretudo se este efeito for estimado para intervalo de tempo exíguo) a linguagem deve ser a menos preocupada com elegância e estilo. Palavras de ordem, apelos emocionais, vilanização de antagonistas e de seus propósitos (que devem ser apresentados como antipopulares), termos – chave como “Fascista”e “Golpe”, ponto de interrogação nos títulos (para intensificar o efeito dramático do “Grande Momento”) são ferramentas aplicadas com rigor científico.

Todas as acusações de “racismo” e de “elitismo” de uma classe média cada vez mais endividada e empobrecida servem também a este esforço de cristalizar opinião pública através do jornalismo de marketing político.

Isto os redatores de “Veja” parecem desconhecer e o relaxamento dos padrões de exigência parece ser o contrapeso aos repertórios sensacionalistas do governismo.

Ainda que o grotesquismo da imprensa favorável ao sistema de Poder fosse mera incompetência, seria grave a queda de qualidade na Oposição. Afinal, eles podem mesmo se presentear com o luxo do desleixo, a Oposição não.

Mas como ensinar a quem se julga acima dos conhecimentos adquiridos com estudo? E com um público que, deseducado, acaba por deseducar estes jornalistas?

E tome capas com Lula com uniforme de preso, Dilma Rousseff em montagens de renúncia, etc

Como dizia Gilberto Amado (sempre citado por Ulysses Guimarães): ”Pobre dos que podem mais do que sabem”.

E pobres do que se informam e deformam com estes presunçosos.

“Dia dos Mortos” 
Não sei se irei ao Bonfim, visitar meu cemitério preferido, neste Finados.

Condução problemática (e cara, o preço da do Rio de Janeiro, e há quem defenda…) e insegurança nas vizinhanças do cemitério com mendigos ameaçadores e nenhum policial à vista.

Talvez prefira refletir e honrar meu finado pai com o que ele me deixou: lendo seus livros e pensando nas amizades que ele deve ter recuperado em sua nova morada. Estes exercícios de especulação sobre o pós-Morte aliviam um bocado a sensação do vazio, a falta do telefonema nas horas habituais, as risadas dos dois lados sobre os conhecidos de Viçosa, onde ele vivia.

Não mais notícias sobre este ou aquela, e nossas previsões sobre Política, sobretudo a Internacional, sua fixação.

Meu amigo Paulo Mayr sempre posta conteúdo relacionado à Grande Cobradora no seu blog nas vésperas do Finados, e sempre me cobra a reedição de meu texto sobre o Finados, o do cemitério do Bonfim. Sempre me recuso, com as justificativas que nunca o convenceram.

Hoje resolvi homenageá-lo com o link deste meu texto, dedicando-lhe, e eis que recebo do amigo aviso sobre sua homenagem ao meu texto em seu blog. Fiquei gelado pela coincidência ao abrir o email. Sintonia é isto!

E portanto, considero muito mais justo, e generoso para com meus leitores, fornecer o link para sua homenagem e todo o seu post que trata do tema que amedronta (como adiantasse…) a tantos, com epitáfios, anedotas, menções de grandes vultos, além da homenagem ao meu escrito.

http://www.trombonedomayr.com.br/2015/10/31/finados-sensiveis-texto-e-entrevista-sobre-morte-frases-e-epitafios-hilarios/

Obrigado, amigo Mayr!

Um Finado inspirador a todos!

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