“Notas”- 07/11/2015

Dias Toffoli – sobre um hábito do PSDB

O Ministro do Supremo Tribunal Federal e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Toffoli, segundo o site 247, declarou em evento nesta Sexta-Feira, dia 6, que o PSDB só se queixou do sistema eleitoral de 2014 após perder a eleição. Segundo o Ministro, houve audiências públicas seis meses antes, às quais o PSDB não compareceu- assim como os demais partidos.

O PSDB era, penso, o interessado maior nesta eleição, e deveria ter se informado e discutido, ainda que os demais partidos não se interessassem por reuniões sobre algo que era do interesse da classe política. Muitos dos outros partidos não teriam chance mesmo, e este deslize é, no caso destes, compreensível. No PSDB não; a coisa é grave, houve desinteresse patológico.

Mas em quê o PSDB não age assim?

Deixaram a decisão sobre o nome a disputar no ano da eleição, e escolhido este, pouco se mexeram no sentido de acionar na Justiça autores de ataques pessoais ao candidato; deixaram isto em momento avançado da campanha.

“Ah, com este governo ruim, encurralado por denúncias, não precisaremos brigar com bandidos da internet. Afinal, é isto o que eles querem: que desviemos o foco, só que não cairemos nesta”.

Lembro de conversas pro email com um verbete da enciclopédia do jornalismo brasileiro, nas quais meu interlocutor me julgava um pessimista por não avistar vitória, que segundo este jornalista, viria no Primeiro Turno. Após um tempo, admitia Segundo Turno, e depois dos sinais mais indiscutíveis do que seria o destino da candidatura, aceitou discutir comigo a possibilidade, ainda que para ele remota, da reeleição da Presidente Dilma Rousseff.

Acreditava este meu interlocutor na força dos fatos sobre a massa, ainda que esta seja deseducada, com imprensa que pouco faz para educá-la:

”Com este Governo, qualquer um da Oposição está eleito.”

O PSDB conta com apoiadores na Imprensa que seguem todos este figurino: constatam alguns defeitos do partido, lamentam a indecisão proverbial, mas apostam que os defeitos do PT tornarão qualquer obstáculo transponível- por uma força da inércia, inexistente em Política.

Quem não se esforça, com bastante antecedência, tem por destino assistir medíocres operosos comemorarem o resultado do esforço.

E assim continuam: depositam esperança em pioras ainda mais dramáticas na economia, e em desdobramentos ainda mais escandalosos das denúncias de corrupção. A fantasia de Lula em uniforme de presidiário parece entorpecer cérebros que deveriam já estar preparados para a possibilidade de só haver eleições mesmo em 2018.

Voltando à imprensa que a apoia, a Oposição tem nela todos os modelos negativos: a simplificação, a inércia (“Combater governistas que ninguém lê? Olha, tenho mais o que fazer”, demonstrando desconhecimento da dinâmica da internet,  na qual blogueiros governistas são replicados por inúmeros outros blogs – desde os que têm algum público até os que contam com um único leitor: o próprio blogueiro), o pouco apreço pelo trabalho duro desligado de resultados imediatos., etc

Enquanto isto, o “Pós – PT” se fortalece na queda política de Eduardo Cunha e do PMDB que não está sendo rápido o suficiente para se livrar da contaminação deste seu integrante mais vistoso. Os “movimentos sociais” e siglas associadas ao Governo não sofrendo a mínima contestação – “Deixa estar, o povo reconhecerá nestes setores meras linhas auxiliares do PT”.

Há uma lassidão no PSDB que contrasta com a atividade frenética de seus antagonistas, e esta é, uma vez mais, o sintoma de uma doença que conduzirá sempre aos malogros, pois não haverá mais um Plano Real para transformar este partido de arrumadinhos em força competitiva. Não há autocrítica, o único antídoto a esta doença: a indisposição para a luta.

E que venham mais capas de “Veja” no feitio de memes.

Aquisições em sebo e obrigatoriedade de diploma para Jornalista

Não sei se os leitores têm o hábito de frequentar sebos – eu tenho, herança paterno que prezo. O Edifício Maletta em Belo Horizonte é  (assim como o Mercado Central) passagem obrigatória em minhas idas ao centro da cidade. Livros que não empresto ao melhor amigo comprei em seus sebos – não raro fuçando nas prateleiras, buscando a fileira escondida de livros, sob protestos do livreiro (que sempre me cumprimentava pela escavação, após a compra).

E há sempre em porta de sebos, barraquinhas de promoções, onde encontramos, de ordinário, livros didáticos de outras décadas, apostilas de cursinhos, edições de banca de best-sellers, almanaques, livros de autoajuda de autores obscuros, revistas de tricô, etc, etc. Como sou um frequentador antigo de sebo e tive em meu pai um professor nestas artes, sempre vasculho as tais barraquinhas, ainda que sabendo que a busca é quase sempre perda de tempo. Em todos estes anos, raro comprar algo destes amontoados.

Mas numa tarde destas no meio de farto material como o enumerado no parágrafo acima, encontro “A Regra do Jogo” (volume que reúne depoimentos e artigos do jornalista que operou as reformas d”O Estado de S.Paulo” e “Folha de S.Paulo”) do Cláudio Abramo, que já lera em biblioteca e que havia perdido esperança de comprar, pois (ao que parece) fora de catálogo e nunca visto em anos de procura em sebo.

Logo ao lado, “A Língua Envergonhada” de Lago Burnett, apanhado de textos de uma das figuras-chave do “Jornal do Brasil” nos anos 1960, sob Alberto Dines. O volume contém um minimanual de redação e estilo do grande jornal carioca. Os textos da orelha do livro são assinados por Carlos Lacerda, Joel Silveira, Ferreira Gullar, José Cândido de Carvalho, Jorge Amado, Paulo Rónai, Lygia Fagundes Telles, Otto Lara Resende e Ivan Lessa. E a contracapa traz recomendação de Rubem Braga. Que tal?

Adivinhem quanto paguei por cada volume (o preço de qualquer item da barraquinha). Hum? Não adivinham? Pois digo: Três reais. Sim, R$ 3,00.
Ambos parecendo pouco manuseados, com odor de mofo que álcool em algodão e secagem ao sol não lograram atenuar. O do Lago Burnett fez mesmo barulho de livro novo.

Me parece óbvio que o antigo dono é algum estudante de Jornalismo, sim?
Que não percebendo nestes livros qualquer valor, jogou-os numa troca num sebo.

Ambos importantíssimos, necessários.

Mas hoje um estudante de Jornalismo deve ter e ostentar em suas prateleiras volumes de memórias de presos políticos, compilações de atas de congressos estudantis de países ibero-americanos, e lançamentos de autores governistas atacando “coxinhas”.

Volumes do tipo “O Colonizador Escrachado – Uma Perspectiva”, ou “Bem Vindo ao Fundo da Cela- Meus Dias no DOI-CODI”, ou ainda “Somos Todos Massacrados pelo Patriarcalismo – Ensaios” parecem ser as leituras de fato indispensáveis aos futuros detentores do direito de ganhar a vida escrevendo.

“Cláudio Abramo e Lago Burnett…quem são estes? Trabalham para o ‘PIG’? Olha, vou te passar uns livros que meu professor de Sociologia da Comunicação adotou, tá?”

Apreciadores dos livros que adquiri, sem diploma, servem, quando muito, como colaboradores mal pagos, tidos como “amadores”; intrusos no meio dos diplomados que não raro cometem toda sorte de linchamento do idioma num singelo lead.

Como não desejo ser colega de trabalho de gente do tipo, agradeço a quem deu a dois grandes livros status de papel sujo, lixo que se alcançar três reais é lucro.

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