“Notas”- 31/12/2015

“Conversa de Fim de Ano”

“Pawwlow, você sumiu – não tem publicado no blog, e faltou ao nosso último festival de paródia política. Que houve, o Brasil te venceu?”

“A vida tem que ser ganha, ‘não vivo do blog, vivo para o…’ você sabe, fim de ano…como foi a última edição de nosso festival?”

“Como você sugeriu, adotamos o ritmo ‘Samba Joia’ para tratar do ‘Impeachment que não veio’. Foi até divertido, e ficamos imaginando o que você nos daria.”
“2016 será repleto de motivações, não perdem por esperar”.

“A minha paródia, que serviu-se de canção do Benito Di Paula sequer foi classificada…nenhuma paródia respondeu o que houve, o que desanimou a História, por que o impeachment murchou…”
“Talvez eu respondesse na minha paródia tivesse o tempo para a compor, e tentarei te responder aqui.”

“Me mata esta curiosidade, você se utilizaria de qual melodia?”
“Acho que alguma do Antônio Carlos e Jocafi … bom, tentarei te responder em prosa mesmo: Você neste ano inteiro surpreendeu algum inimigo do Governo estudando a fundo o mecanismo de Poder sobre o qual esta situação repousa? Você leu algum mea culpa de algum formador de opinião, algum pedido de desculpa aos leitores?”

“Ao contrário, tenho lido no Facebook nossos colegas rindo de memes, elaborando memes, e gargalhando com a oratória presidencial.”
“Enquanto fazem graça (graça que faz rir sobretudo aos governistas), a gente do Governo planeja, projeta-se ao ‘Pós-PT’, a mente habitando o pós-2018; admite mesmo, nos sítios do governismo, ou vitória da Oposição, ou lançamento de candidatura de Ciro Gomes, o que vem a dar no mesmo.”

“Como daria no mesmo a derrota ou a vitória de um aliado, inimigo com fundos rancores do PSDB?”
“Sabem que não apoiarão Ciro Gomes para valer, pois se ele ganhar dará mais dor de cabeça que Aécio Neves. Na verdade tirarão o tempo para reestruturação interna e elaboração de novas estratégias de conquista das mentes da massa, e cuidarão, sobretudo, dos espaços que não poderão ser confiscados por resultado eleitoral- no funcionalismo público, domínio das Universidades, ‘movimentos sociais’,etc.”

“Então este espernear sobre 2018 (sobretudo o lançamento da candidatura Lula), é mercadoria para consumo de militância somente?”
“Não, a opinião pública que eles começaram a formar nestes anos de sites financiados por bancos estatais – imprensa governista que desfrutou da omissão de quem deveria estar atento e preferiu não prestar atenção aos ‘pobres diabos sem leitores’ – precisa ser alimentada por estes fiapos de ‘jornalismo’. Eles sabem trabalhar, temos que admitir.”

 

“Se sabem, por qual razão agem com tamanha ferocidade? Viu no que eles transformaram o Congresso – as discussões agora resultam em luta corporal – o nível das discussões políticas? Tapam a boca de quem discorda, de quem ensaia o mínimo reparo, enquanto se queixam de intolerância e berram pela ‘defesa da Democracia’?”

“Até isto é bem calculado e melhor executado. Os berros dos beneficiários desta ceia não são de quem está descontrolado, e sim de quem busca prostrar o interlocutor. Trata-se de demonstração acústica de superioridade, não explosão nervosa. Veja: a ‘GloboNews’ prepara especial sobre ‘intolerância política’ no qual descontentes com o Governo são – ao julgar pelas chamadas do tal programa – retratados como intolerantes raivosos que não sabem expressar suas opiniões senão por berros e por rompimentos de amizade. Ao contrário dos governistas, tão tolerantes e amigos da manifestação de ideias contrárias às suas. O ‘Globonews’ é governista sem disfarce em certos casos, embora se esmere em críticas pontuais. Você conhece algum entre os descontentes com o Governo que boicote o canal?”

“Você traça paralelo entre a agressão ao Senador José Serra por parte da Ministra Kátia Abreu e do carnaval que fizeram no episódio da ‘agressão’ ao Chico Buarque?”

“Claro, em ambos foi esfregado nas faces da oposição o retrato exato de nossa ‘Democracia’: uma brincadeira desajeitada – e demonstrativa da ignorância da real natureza da política por parte de Serra, pois não se confraterniza com o Inimigo (membro de Governo que financia imprensa que o tem como alvo principal) – conduz a um gesto de extrema rudeza (uma admoestação, ou mesmo expulsão da rodinha de conversa seria razoável) o qual foi saudado, tanto na imprensa governista como na ‘oposicionista’,  como reação a um comentário ‘machista’ e ’sexista’, logo algo justificável. No caso do Chico, os tais ‘agressores’ fizeram apenas o que petistas sempre fazem quando encontram alguém que eles rotulam como ‘coxinhas’. E parece, pela reação, que eles cuspiram no compositor e escritor. Em suma: eles podem tudo, o resto não pode emitir um gemido, olhar, nem de soslaio, com olhos que não sejam de agradecimento ou súplica.”

“Você parece não perdoar Serra pela conduta amistosa dele…”
“Não admito mesmo, nem justifico os que interpelaram Chico Buarque. Mereceram o copo de vinho no rosto um, o linchamento da imprensa os outros. Ambos episódios exibiram arrogância – o Senador que vai a uma roda de adversários brincar como que se dirigindo a camaradas seus e jovens que no lugar de ignorar o apoiador (que não iria mesmo se deixar persuadir por fatos, justo ele, apaixonado por Cuba e seus correspondentes brasileiros), negando-lhe mesmo um mínimo olhar, usam de ‘argumentos’ como seu apartamento em Paris, entre outras tolices semelhantes. Em ambos os casos faltou seriedade, senso de dramaticidade política. No caso do Serra, isto é até mais grave.Ele deveria saber, pois experiente e culto.”

“Quer dizer, não podemos abrir a boca então…”
“Para falar besteira e bancar o palhaço de rodinha social, não mesmo. Escrevi algumas vezes no blog: eles podem se dar ao luxo de errar, adversários, não. Eles dominam Universidade, redações de jornais e telejornais, ’movimentos sociais’. Seus opositores, não.”

“Você não respondeu: por que as ruas murcharam?”
“Porque eram meras concentrações de corpos, não havia concentração de mentes por trás, compreende? Os governistas deveriam achar muita graça daquelas manifestações, deveriam mesmo se referir a elas  como ‘exercícios de emagrecimento nas avenidas’. E resolveram sair às ruas e provar que estavam certos.”

“Tudo que você diz demonstra que 2015 foi ano jogado na lata de lixo então…”
“Não para quem não acreditou na fantasia da saída instantânea do pesadelo, vulgo impeachment. Para quem quis observar com seriedade as condições do tabuleiro político, foi um ano excelente, não sobrou máscara sobre qualquer face. E isto é sempre salutar, útil.”

“Qual vai ser o tema das nossas paródias no próximo festival?”
“ ‘E eles chegaram a 2017 no governo ainda’, o tema musical pode ser samba-rock .”

E meu amigo seguiu pela avenida que se esvaziava, trovões avisando que chuva não tardaria.

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Aos companheiros do blog, meus votos de 2016 produtivo!

Abraço do Pawwlow

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