“Notas” -19/03/2016

Fragmentos dos “Sete Dias Que Abalaram …”

E a capa de “Veja” trouxe Lula dando uma banana para uma série de fatores: denúncias, indícios, testemunhos. Ótimo – a revista sob novo Diretor de Redação parece, pelas capas, ter sido reapresentada ao sentido de espetáculo que todo jornalismo de denúncia deve ter.

Mas sugeriria ao novo Diretor foto do casal ex-presidencial com balõezinhos à altura de suas bocas com o destino preferencial ao que julgam desagradável: ”Enfia no C*.

Esta capa seria mais realista e didática, penso. Que os palavrões proferidos tenham seu registro, ainda que indicados, insinuados. Não acho justo abortar a imortalização destas marcas públicas deixadas por nossos líderes. Quem, ignorando as gravações, identificará, após alguns anos, o desprezo do casal ex-presidencial pelo juízo alheio?

Tenho absoluta confiança na maturidade intelectual dos leitores, decerto subestimada, pelos editores da “Veja”. O que tenho notado de deficiente na publicação sobreviveu à nova Direção: elaborar o noticiário tomando como medida amostras das porções mais primárias do universo de leitores. O que se nivela assim? O denominador comum que recomenda o óbvio como escolha referencial? Sem enfrentamento de tabus, esta guerra estará perdida, e quem sabe, ainda que o mínimo, de guerra política sabe que não exagero.

“Esse ‘carnaval‘ é apenas pela capa?”

Desta minúcia observa-se o Universo, respondo.

X

Contendores de redes sociais exibem, uma vez mais, a disposição para lutar para além do hoje histórico – favoráveis ou contrários ao Governo debatem e exibem suas concepções de Brasil – não mais meias palavras, não mais temores de soar ridículos; o País se reconhece febril e comprometido com o Futuro, esta faixa de tempo histórico com a qual nos importamos sabendo (ou desconfiando) que não nos terá aqui em carne e osso.

Como já escrevi no blog, sou um otimista enquanto contemplo o panorama de decadência irremediável: Nunca, mas nunca, vimos populares discutindo votos do Supremo Tribunal Federal; Ministros da Corte discutidos como antes se discutiam jogadores de futebol apenas. Ontem cruzei com dois trabalhadores da construção civil e eles declamavam os nomes dos Ministros com a intimidade antes restrita aos estudantes de direito.

Quem duvida do Futuro do Brasil assistindo a isto é um cego histórico.

X

José Serra no “Diálogos com Mario Sergio Conti” avaliou em quinze anos o prazo mínimo para o Brasil se recuperar do período petista. Concordo em parte. Considero que nossas mazelas tiveram início no período tucano: a entronização de “movimentos sociais” e apostas nas mágicas das “cotas” foram tão nocivos quanto a corrupção da “Era PT”. E alicerçaram as vias nas quais ocorrerá o “Pós –PT”.

Fico triste quando assisto homens de talento dar mostras de não perceber que o nivelamento por baixo foi a bomba atômica sobre o futuro histórico imediato no Brasil; a roubalheira é repulsiva, mas seu efeito é sanável a curto prazo. Já a fé em políticas sociais que agravam problemas mascarando seus efeitos me parece daninha no longo prazo. O malefício da Esquerda brasileira será ainda exercido quando o PT recolher seus cacos, PC do B e movimentos ditos sociais regendo o pesadelo.

Falando em Conti: que se dê início à campanha”#VoltaProRio,Conti”: as barbas brancas, o ar cansado e a reincidência na fé petista são sintomas de paulistanismo compulsório grave. Que saudade do Conti na fase carioca; a “piauí” (seus longos ensaios na revista), a jovialidade, a descrença saudável nas soluções grandiloquentes …

X
Os áudios da “Lava-Jato” são os correspondentes sonoros dos “Papéis do Pentágono”, nem se discute a relevância desta bomba jornalística: os poderosos flagrados como nunca antes: as baixezas, as bravatas, o que provocaram de remoção de máscaras… livros da “Coleção Brasiliana” são o limite ainda não superado na nossa historiografia; estes áudios são poderosos complemento.

Tudo que se produzir na historiografia destes nossos dias (tarefa para as gerações futuras) deverá se banhar nesta lama, neste retrato doloroso de nítido das nossas castas dominantes, não somente o Presidente e seus delírios (Lula provou-se genial na inventividade, na sua constante renovação da linguagem política),  mas todas as reações de seus interlocutores, estas sem o brilho cômico, grotescas apenas.

Que se faça Justiça ao tesouro, pois!

X
Um leitor e amigo me enviou email questionando o que chamo de “disposição para a luta política” expressa na disposição de retribuir “porradas” dos militantes do Governismo.

Enquanto eles, os governistas, intimidaram seus oponentes, pela ignorância concreta, palpável e pela possibilidade de agressão física, a guerra tinha seus vencedores indiscutíveis.  Quando o sentimento de dignidade suplantou o medo físico e moral, nasceu o temor nas coletividades “de vermelho”.

E este despertar para o sentimento de batalha física, a percepção de que não é mais possível o acovardamento cotidiano, não mais admissível abaixar a cabeça e dar de ombros pretextando sabedoria, é o pesadelo dos opressores.

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s