“Notas”- 26/03/2016

Estado de Defesa cogitado pelo Governo e Grande Imprensa tranquila

Não sei que “Partido da Imprensa Golpista” de qual país seria tão inoperante quanto a seção brasileira do Partido da Grande Imprensa (“PIG”, segundo ex-funcionários destas grandes empresas que se descobriram esquerdistas febris assim que Governo de Esquerda assumiu o Poder – grandes artistas que dissimulavam tanto esquerdismo em seus anos de ‘lacaios do jornalismo capitalista”) – no último dia 24, Quinta-Feira, o jornalista Claudio Humberto revelou em seu blog (ou site) os planos da Presidente Dilma Rousseff de decretar “Estado de Defesa” para se prevenir de distúrbios.

Hoje, na “Tribuna da Internet”, José Carlos Werneck publicou que militares advertiam líderes da Oposição sobre discussões governamentais acerca da adoção de medidas que limitariam muito o campo de ação de oposicionistas, e mesmo de populares. O artigo também menciona entendimentos do governo brasileiro com o governo venezuelano neste sentido.

Tudo em semana onde Evo Morales anunciou disposição de “defender a democracia” no Brasil, Dilma deu entrevista à imprensa internacional declarando ser vítima de um golpe e um diplomata enviou aviso de Golpe a diversas embaixadas – ação do diplomata tomada por alguns jornalistas, como Merval Pereira, que referiu-se ao diplomata como “aloprado”no “GloboNews”, como mais um item do anedotário nacional.

Alguma repercussão sobre a intenção de decretar “Estado de Defesa” houve, sobretudo de órgãos que repercutiram denúncia do Sen.Ronaldo Caiado.

Qual a capa de “Veja”? Matéria sobre esta ameaça a democracia que garante sua sobrevida?  Não, matéria de comprovação problemática sobre suposto plano de fuga de Lula para a Itália. Noto que meu texto sobre a mudança de comando da revista confirma-se.

A grande imprensa não deu o destaque a esta denúncia (a do “Estado de Defesa”) que ela exige. Algum murmúrio, talvez alguma interjeição, mas nada que mostrasse ao Governo disposição de lutar, de levar ao conhecimento internacional o que se planeja aqui. A exceção, em termos de destaque e repercussão, ficou a cargo da “Tribuna da Internet” (a qual já critiquei – críticas que mantenho pelo que apontam sobre determinada fase do blog), mas que vem se tornando leitura obrigatória aos interessados em política.

Talvez setores do chamado (pelos governistas devotos) “PIG”não levem a sério, acreditando ser um blefe presidencial, uma alucinação de fim de Março apenas. Como o plano foi, ao que parece, posto de lado, tratam dele como ruído acidental, esquecidos e/ou ignorantes da possibilidade do plano ser reaquecido após certo tempo. Parecem mesmo acreditar, estes piadistas, que certos ânimos desapareçam no intervalo de tempo que separa a madrugada da manhã.

Mas quando não foi assim?

O Governo vem, em atos e em anuência às ações de movimentos ditos sociais associados, demonstrando desprezo por este arranjo de forças que não lhe garante controle total sobre a sociedade. Blogs governistas vêm publicando achincalhes a diversas instâncias dos Poderes Legislativo e Judiciário sem sofrer qualquer redução da publicidade governamental, ao contrário – e a grande imprensa comporta-se como se vivêssemos democracia sem possibilidade sequer remota de abalos. Alegava-se, durante muito tempo, que este setor da imprensa não merecia qualquer atenção, pois sem leitores, e portanto, sem influência política. Quando acordou-se, já era tarde, como reconheceu sorrindo o Paulo Henrique Amorim. Agora não sei se mesmo uma CPI da imprensa governista seria de alguma ajuda.

O que me parece mais grave nesta possibilidade de “Estado de Defesa” seria a manifestação sem dúvida favorável que ele receberia de membros da casta acadêmica e de artistas, entre outros poderosos formadores de opinião. Quem teria o direito de assustar-se com apoio à possível invasão de nosso território por vizinhos, sob comando de “Governos Populares”?

Tudo vem sido dito e demonstrado de antemão – a democracia, com “Rede Globo”, “Folha de S.Paulo” e “Veja”, funcionando e “sabotando” o “Governo que tirou milhões da miséria” não merece ser assim designada. Tal refrão vem sido entoado há anos, sem que os referidos órgãos percebam nisso ameaça. Tudo é saudado com leveza, com inconsequência.

E me lembro do clássico texto “da feijoada”, do jornalista Joel Silveira: às vésperas do Golpe de 1964, intelectuais apoiadores de João Goulart reuniram-se numa feijoada, e nela riram-se, divertidos, dos temores “infundados” sobre rumores da deposição de Jango. Os militares de Oposição àquele Governo eram tomados como uns loucos divorciados da realidade, inofensivos, gente que um gesto apenas paralisaria, pois o “Dispositivo Militar” seria infalível em caso de necessidade. E risos, e garfadas, e goles, e mais risos. O dia seguinte…

Assim comporta-se parte considerável da Imprensa, sobretudo a mais visada pelos que sonham com o Poder total. Grandes empresas, com muito a perder, insistem em tomar os ocupantes do atual sistema de Poder como uns matutos, uns foragidos do hospício que serão varridos com facilidade caso tentem alguma ditadura. Colunistas dão de ombros com o que julgam ser “choro de que está perdendo o Poder”, ainda que haja muito chão pela frente, e este ainda seja favorável ao Governo.

Esta ignorância sobre a natureza da ameaça, este desinteresse pelo estudo da mentalidade que gerou este Governo parece ser algo, a estes analistas, que pode esperar por mais alguns anos. Pois é leitura chata, de ideias que foram conduzidas ao “lixo da história”, e ”ninguém mais quer saber de Comunismo, que é algo jurássico, que acabou”. Quem não conhece este repertório?  Bom, há todo dia recital dele no “GloboNews”.

E tome capas tentando adivinhar eventos (como a referida capa mais recente da “Veja”), ou tratando de dietas, ou disfunção erétil.

Estes dois últimos temas devem mesmo ser revisitados, de preferência várias vezes ao ano. Serão os temas permitidos se o pior acontecer, se o sonho dos “jecas” (como muitos chamam os ocupantes atuais do Poder) da democracia sem crítica “destrutiva” se realizar. Teremos então sites louvando tempos de “democracia autêntica”que, acreditem, durará tempo o bastante para mil gerações se arrependerem de tê-la subestimado.

Por vezes, chego a desejar que o pior aconteça, para que a liberdade no Brasil seja mais valorizada e defendida com maior afinco. Afinal quem já teve a casa invadida por ratazanas após tempestade tende a olhar para nuvens escuras com maior atenção.

Então lembro que pertenço à maioria que não pode deixar o País e …concluo que esta ausência patológica do senso histórico deve ser fruto da condição econômica de muitos dos ditos oposicionistas. Pois se tudo der errado, e o pesadelo dos “pessimistas profissionais” se realizar, eles estarão à distância segura.

Quando lembrados disto, tendem a remover o sorriso do semblante, mas no íntimo sabem ser esta a verdadeira raiz da confiança que exibem.

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