“Notas”- 07/04/2016

Continuando conversa sobre blogs

“Fulano, teu blog sai ou não? Espero por ele, desde nosso último encontro, que, você sabe, motivou uma postagem no meu blog”.

https://fernandopawwlow.wordpress.com/2015/10/24/notas-24102015/

“Sim, li, Pawwlow, e se o que você escreveu de nossa conversa reforçou em mim o que o papo informal despertara apenas, semeou inquietações: Que perco se tentar, os anos não passarão mesmo sem a tentativa?”

“Me alegro com tua disposição de enfrentar teus sonhos mesmo ciente das dificuldades em realizá-los, e espero ser útil.”

 

“O que tem me matado é o tempo. Trabalho e estudo, e o que resta de tempo, ou descanso, ou cuido da família…”
“Ou assiste horas de vídeo no ‘YouTube’, não? A internet é nociva ao escritor hoje como a TV em décadas anteriores. Redes sociais também têm reduzido talentos a espectadores apenas, adiando o trabalho enquanto declamam justificativas diante do espelho.”

 

“Pawwlow, você por acaso não navega? Ou controla o tempo usando cronômetro? Só verifica email, sites de notícias e desliga?”
“Não, não uso cronômetro, embora elogie quem o use. Mesmo agendas ajudam, como escreveu José Luiz de Magalhães Lins: ‘Tenho certeza que a agenda não foi inventada no Terceiro Mundo’. Anote horários para escrever, e ideias. Isto ajuda muito na consolidação de hábitos como escrever dia depois de dia. Não se poderá alegar falta de assunto, compreende?”

“Como disciplinar a internet, como você consegue?”
“Fujo de redes sociais, e mesmo navegando, não desligo a mente. Procuro me lembrar que estou roubando horas do meu tempo de trabalho. Comigo funciona. Quando lembro meus sonhos e das horas que dissipo, calculo o quanto este tempo dissipado me separa da realização destes sonhos. Funciona também. Equações do tipo tiram qualquer prazer que possa resistir na vadiagem, na demora nas distrações do computador. No mínimo, passarás a navegar somente após escrever algo.”

“O ideal é atualizar o blog todos os dias?”

“Sim, embora eu não o faça, noto em quem o faz, fluxo constante de leitores; os comentaristas frequentes desmentem a crença de que não há leitor para atualizações diárias.”

“Por que você não posta todos os dias, então?”
“Sou exigente, e penso que devo postar só quando o texto justifica publicação, mas espero praticar mais, melhorar e assim ter textos de qualidade todos os dias, ou quase. Te recomendo treinar já, o quanto antes.”

“Uma coisa na nossa última conversa, e que revendo no texto publicado, me desanimou: a possibilidade de não ter quem divulgue, entre quem diz gostar. Como não cansar, não se revoltar?”
“É assim mesmo: escreva desligado disto. A palavra ‘amigo’, como utilizada no Brasil, é de elasticidade que desafia qualquer estudioso de semântica. Necessidades não dizem nada a quem não partilhe delas, lembre-se. Se você tem a urgência de ter o trabalho reconhecido, escreva desligado de ‘amizades’ que sempre terão alguma desculpa para não abrir o seu blog. Devotam tempo aos nomes já estabelecidos, e não percebem qualquer motivo para separar um tempinho para o trabalho de um nome não disputado por editoras, e que não renda algo, nem um contar de vantagens à rodinha de amigos.”

“Espero então contar com os teus comentários…”
“Comento e elogio bons textos, portanto faça por merecer… prometo apenas não elogiar em privado e não te elogiar em público, não comentar; me comprometo a não tomar teus pedidos de vista como incômodo. Sobretudo não pronunciar a frase imperdoável: ‘Não sou obrigado a te ler, ninguém é obrigado’. Sei o que é isto.”

“Deixo muito para amanhã, mas minha vida não está nada fácil, se você conhecesse o espírito de porco do meu chefe…”
“Espere por vida fácil, e não inicie nada grande… seja sincero contigo, pergunte-se sempre: ‘estaria me furtando minutos preciosos ‘? Deixa eu te contar historinha dos meus dias de assiduidade na zona: em um dos prostíbulos da R.São Paulo (lembro que foi no ‘Cabeça de Boi’, mas posso estar sendo enganado pela memória, isto foi na década de ’90), uma jovem prostituta estudava, debruçada na cama sobre caderno e livro didático, indiferente aos ‘oi, meu sonho’, ‘oi delícia’, ‘hoje eu queimo este PIS/PASEP’. Apenas respondia ao ‘é quanto?’, mas com os olhos no material de estudo. Não duvido que esta moça tenha chegado aonde queria, gente assim é invencível – fixa objetivos e não se desvia, nem mesmo num puteiro nas vizinhanças da Rodoviária. Quando me lembro desta moça (e não a vi assim, nesta situação, uma vez apenas, mas várias) me envergonho quando apresento para mim qualquer desculpa esfarrapada. Devo-lhe muito, e lamento não ter como pagar, nem como agradecimento.”

“Minha cara ardeu aqui, Pawwlow.”
“Pois não desperdice mais tempo, nada espere dos que se dizem amigos e nem se deixe abater quando perceber que boicotam seu trabalho, sem que tenhas dado a eles qualquer motivo para esta baixeza. E o mais importante: aja sem tardar, mas sem pressa. Começa logo teu blog, conversas muito bem, mas estas palavras não se imprimem no vento. Cuide dos gastos na papelaria: cadernos e canetas que não se renovam ,a cada mês, denunciam a condição de escritor de fim-de-semana, pois não seja um.”

“Anotei aqui”, apontando a cabeça.
“Anote em caderno se quiser, na próxima conversa, ser um colega de ‘bloguismo’ e não mais um medroso que pergunta sobre blogs, adiando o salto.”

E a Pça Sete nos tornou invisíveis um ao outro.

Sandro Vaia, José de Abreu e colegas que se calam

A morte do combatente Sandro Vaia deu oportunidade a uma façanha do José de Abreu: ataques a um jornalista falecido, com a família recém-vítima da perda, e consequente sumiço (o ator encerrou, uma vez mais, sua conta no twitter, palco da abjeção) logo após a resposta de familiares e amigos à postagem repugnante.

Lobão “retuitou” a carta da filha de Vaia e outros amigos “retuitaram” mensagens da viúva.

Sei dos jornalistas que se manifestaram com veemência, na condição de amigos do morto, por respeitarem a pessoa e o profissional alvo de uma covardia- uma cusparada na família.

E procurei em muitos jornalistas do primeiro time, e não vi menção, nem à morte do colega (de profissão e sobretudo de status na profissão) nem qualquer nota de repúdio ao ator governista (por falar em governismo: governistas parecem ter sentido que o limite na baixeza fora atingido, e não se manifestaram favoráveis ao ator – agressor, não até agora).

No site de “Veja.com” esperava ter encontrado, em qualquer dos articulistas, algum texto tratando do colega morto e/ou do ator em momento ’pichei, saí correndo’. Não vi linha, e tenho procurado todos os dias.

Talvez por motivações de ordem pessoal, talvez por ignorância do que este silêncio sinaliza aos agressores do governismo, calam-se os que deveriam protestar por um jornalista que sempre valorizava e repercutia, em suas redes sociais, o que saía em”Veja”.

Bom, que jornalistas famosos da dita Oposição ignoram peso simbólico de atos e omissões não constitui surpresa aos observadores como eu.

O lado de lá, os governistas, estes sabem de símbolos, e decerto leem este silêncio como anuência a mais ataques do tipo. Perderão então qualquer temor de atacar famílias, mesmo recém -enlutadas.

Quem então dirá algo em defesa dos que agora indicam que a Lei, no Centro -Direita brasileiro, é o “Cada Um,Cada Um”?

 

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