“Notas”- 09/04/2016

Notas soltas de uma semana febril

Estas últimas semanas parecem estar “querendo tirar o atraso” de anos em notícias. Mesmo Helio Fernandes, combatente de 1948 (único sobrevivente daquela Assembléia Constituinte, entre os jornalistas) não tem publicado todos os dias da semana em seu blog. Os fatos se atropelam, empilham-se uns sobre os outros, e tudo o que se escreve sobre o desfecho deste ciclo é especulação, reconhecida.

Muito se escreveu sobre 1964 ter sido o “ano em que todas as máscaras caíram”. Pode ser.  Mas este ano ganhou um irmão, este 2016, no Brasil.

Eu não arrisco senão notas curtas, as quais pescarei do meu caderno para postar no blog. Minha bola de cristal revelou-se, neste ano, obsoleta. E as bolas de cristal de muito formador de opinião (que vinham apresentando defeito, já há algum tempo) podem ser atiradas ao lixo.

X

E o Carlos Sampaio mostrou ontem na leitura do relatório da Comissão de Impeachment como se faz. Quando o deputado do PT do Rio Grande do Sul tentou mais uma de suas performances, o deputado do PSDB de São Paulo foi firme, indicando disposição de atravessar a noite se preciso fosse para recuperar cada segundo prejudicado nos pronunciamentos dos oradores. O depurado gaúcho mostrou-se, ainda que combativo, mais respeitoso.

A Oposição fosse sempre assim, e muito do que se assistiu nestes últimos anos não teria acontecido. Este mea culpa foi feito por um orador, que se referiu ao comportamento da dita Oposição quando do “Mensalão”.

O que tem se tolerado nesta Comissão de Impeachment de berros, e outras demonstrações de desrespeito, sobretudo aos que dirigem os trabalhos, é combustível para ameaças maiores.

Carlos Sampaio ontem fez um bem ao País.

X

Os mais ruidosos governistas são das bancada fluminense e gaúcha, e me pergunto se os bravos povos (os quais admiro e estimo) destes dois estados não merecem algumas das provações pelas quais têm passado, pois se elegem gente do tipo…

Ocorre que há também, por ambos estados, parlamentares de Oposição, e dos bons.

Mas desconfio que sejam eleitos por eleitores organizados, no mínimo, em igrejas, associações, institutos, etc.

No Brasil, somente estes setores organizados insistem aos eleitores para o voto em líderes com reais chances de se eleger, e no voto de legenda. Há anos  voto na legenda do partido, e estou satisfeito.

Petistas e demais eleitores do governismo são atentos a isto, e este fato talvez explique certos políticos se elegerem, ainda que não representem senão esquerdistas de boteco, sindicalistas, gente de ONG, etc.

Mas que o eleitorado carioca precisa melhorar, não há dúvida. Conheço gente culta, que se diz crítica do besteirol de Esquerda, que declara voto em Jean Wyllys, sem ver nada de incoerente nisto.

X

Não invejo quem tem a incumbência de defender este Governo, sobretudo neste momento, nesta Comissão de Impeachment. Há, claro, petistas típicos, que nasceram sem qualquer sombra de autocrítica e ignoram o que seja compostura, mas noto ali gente que recita os mantras (“Impeachment sem crime de responsabilidade é Golpe”, “A corrupção não foi inventada pelo PT”, entre outros itens mais frequentados do repertório) com cara de quem gostaria mesmo é de dizer:

“Madame, tenho me esforçado, mas tá brabo. Pega o boné e diz que não aguenta de saudade dos netos e de Porto Alegre.”

X

Os oradores de Oposição, para completar uma nota acima, têm, nesta Comissão (e assisti até o final, quase cinco da manhã deste Sábado, dia 9) usado da dramaticidade exigida pelo momento. Oradores mineiros vêm desmentindo o folclore do mineiro acovardado e prudente. Foram belas intervenções.

Os gaúchos também honraram o chimarrão e o Minuano.

Belas peças de oratória, deu gosto de assistir, o sono não se atreveu a me rondar.

X

Os governistas mais típicos não têm tido outro recurso senão tentar desqualificar oradores da Oposição, ainda que o resultado seja desastroso, para eles. Um deputado do PT do Pará, em seu Português pouco lustrado, lamentou o “baixo nível desta Legislatura”, decerto alheio ao seu próprio desempenho, medíocre e primário.

As alusões aos governos anteriores não conseguem mais que reforçar o escândalo deste, e suspeito que os governistas o sabem, mas precisam cumprir a obrigação de defender o que não se pode mais defender. Deixá-los ofender oradores é crueldade para com eles, pensando bem.

Demonstra-os inseguros e desesperados para salvar algo que ainda emite um brilho que não é brilho, e reflexo tardio de brilho. A estrela do PT já é morta, e apenas o clero acadêmico sabe que o momento exige este teatro. Vivem os intelectuais do Partido numa outra realidade, o “Pós-PT”, e deixam aos peões parlamentares a tarefa de velar o defunto como que tentando salvar-lhe a vida.

Tocante.

X

“Como a massa é mal agradecida ao PT…”

O Governo do PT não entende como as massas voltaram-lhe as costas, de maneira a eles repentina. Estão ainda aturdidos, culpando a “imprensa reacionária” que ninguém imagina ser leitura de tantos milhões de brasileiros.

Como não trataram de orientar  as massas em Política (para que ela se tornasse enfim “povo”) e ocuparam-se apenas de vender-lhes a ilusão do consumo, o pagamento vem, nesta crise econômica, como brutal antipatia ao Governo.

Agiram como mães ignorantes que entopem os filhos de refrigerantes e salgadinhos industrializados e não imaginam ser necessária dieta rica em proteínas e vitaminas. Quando o organismo se debilita, ou os filhos se revoltam por não poderem, por falta de dinheiro, a continuar a consumir porcarias, não entendem.

Este Governo tratou de vender ilusões como: faculdade grátis sem exigência mínima de conhecimento, celulares ao alcance da simples vontade de adquiri-los, passagens aéreas. Ah, os aeroportos lotados …quanto rendeu de demagogia, e quantos hoje não contam centavos para o ônibus no pesadelo do desemprego?

Não adianta hoje aos governistas tentar explicar as massas os caprichos da macroeconomia, A farra do consumo acabou, e a confiança também.

E sabemos que ainda que se rejeite muito do que se apresenta como Oposição, para este Governo, não há mais retorno.

X

Estes dias prometem…não se sabe o quê, mas nada voltará ao conhecido

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s