“Notas” – 21/04/2016

Com o auxílio dos “neutros”

Quando o sujeito não tem apreço por leituras políticas e se presta a “formador de opinião”, pouco se pode aproveitar, os leitores concordam? É como o sujeito que acha futebol uma estupidez e se apressa em emitir juízos por ocasião da Copa do Mundo.

Estes dias pós-votação de impeachment na Câmara têm sido vítimas, no Brasil, de palpiteiros de internet. Gente que cobre assuntos como música, cinema ou mesmo vida sexual de celebridades televisivas corre ao twitter para registrar suas impressões. A moda é lamentar Eduardo Cunha e o PMDB, por estes serem “sintomas da falta de informação” do brasileiro: “São estas as opções?” Eram até Sábado véspera do impeachment, anti-Governo, mas agora julgam ser obrigação mostrar como equivalentes o Governo e a força que o derrubou. Não dizem como gostariam que a derrubada tivesse ocorrido (“eleições gerais”?), nem apostam em algum nome viável, apenas bancam os engraçados e “conscientes” juntos aos de suas rodas sociais.Uma babaquice “cool”.

Como um tolo sempre replica outro, e estas mensagens são do tipo “falou pouco, mas falou bonito” (“pílulas de sabedoria”, comentários ligeiros se pretendendo sérios e imparciais) espalham-se na internet, e estão se cristalizando como consenso: “Tirar Dilma para dar o poder aos ‘conspiradores ‘foi tiro no pé.”

Quem não consegue ver que de fato a saída tem sido humilhante, mas havia outra possível neste espaço de tempo? Foi assim quando impediram Fernando Collor e Itamar Franco foi alvo de desconfianças. E acabou sendo bom governo.

Mas não havia tantos amadores palpitando naquele tempo. Hoje gente mal informada se julga no direito de vender suas simplificações como “análise” enquanto MAVs governistas cumprem tarefas e profissionais do jornalismo de Oposição praticam comemorações prematuras. E quem se fortalece? O Governo que ainda o é, apesar de abalado.

Como nas redes sociais os “neutros” repetem os chavões sobre “Golpe” e “conspiradores corruptos”, a Imprensa internacional toma a realidade brasileira como o Governo a pinta aos jornalistas amigos. Afinal, a internet é termômetro que serve aos observadores estrangeiros em muito do que aferem no espaço de generalidades.

Não se trata, não preciso dizer aos não-estúpidos, de louvar Eduardo Cunha e o PMDB. Mas de não servir ao Governismo de forma tão ingênua, posando de “cético”, “inteligente”. Não me lembro do PMDB e do Eduardo Cunha despertarem tanta indignação quando serviram ao Governo, sobretudo no período Lula.

Esquecem, muitos destes cientistas políticos de twitter (com suas frases contendo termos como “mimimi” onde caberia teros como “lamúria”) que antes da primeira denúncia sobre propinas e contas no exterior, Cunha já era tema de ataques de setores do Governismo por ensaiar os primeiros movimentos do que acabaria sendo o Impeachment. Se for mesmo culpado, que seja punido, mas é sempre bom lembrar a seletividade dos que lançam maldições sobre nomes da “velha política” no Brasil.

Como escrevi no blog, que os peemedebistas não acreditem que, jogando Cunha ao mar, se salvarão. Os que estiveram próximos a ele de alguma forma serão também estigmatizados ainda que sem qualquer acusação consistente.

O mesmo vale para quem sempre criticou o PT em artigos ou comentários ligeiros em redes sociais. Petistas não esquecerão gaiatos, ainda que posem agora de imparciais, de superiores a “tudo que está aí”. Petistas, como todo membro de segmentos interessados em Política, têm boa memória, e quando o “Pós – PT” estiver fortalecido após a pausa forçada (que pode durar até 2018, ou não) saberão onde mirar.

Como são previsíveis as piadas sobre dedicatórias (que deveriam, se formos exigentes mesmo, nem existir, bastava votar “Sim” ou “Não” ao relatório da Comissão de Impeachment) dos deputados no voto do impeachment: invocam a condição de “Estado Laico” parecendo ignorar que esta não proíbe manifestações de fé. Riem dos votos dedicados aos familiares, mas não acham graça na pieguice dos que votam aludindo “a um Brasil decente”, “às próximas gerações com as quais temos, todos, compromisso” e demais peças do repertório. No “GloboNews “  perco a conta de quantas bobagens ouvi, das boquinhas solenes, se esmerando em pedantismo e governismo mal enrustido. Continuam varridos de concentrações governistas, mas continuam fiéis à pose. Merecem cada sabotagem de cobertura jornalística por parte dos militantes com plaquinhas anti-Globo.

Estes “neutros” têm sido mais daninhos que batalhões de “MAVs”, e pior orientados que estes, pois guiados pela vaidade, pelo temor de parecer “direitista”, “burro”, “macaca de auditório do Cunha”. E, repito, acreditando em suposta sofisticação.

São covardes assim que pavimentam e iluminam a estrada pela qual o PT, ou o que sobrará dele, voltará.

Desta vez, para algo aparentado do “Sempre”.

“Prince, Aquele Que Todos Conheciam Por”

Soube agora da morte de Prince. Quantos ainda o acompanhavam do público que foi colhido por ele nos anos ’80? Soube agora o que me soou como notícia remota.

Sempre que pensava nele, me lembrava de Miles Davis discorrendo, na sua autobiografia, sobre sua figura e sua música, como representaram para os notívagos algo maior que toda a cena da década de ’80: “Uma religião para os gays, música para quem sai à noite se divertir”. Miles Davis o admirava e respeitava, e penso ser este, para qualquer artista, reconhecimento bastante.

Talvez os tempos de celebração do sexo e do enfrentamento de tabus (Prince sempre os desafiou em suas letras) estejam em recesso duradouro, e isto tenha contribuído para que houvesse um abismo entre adolescentes de hoje e os de meus dias de descoberta da vida real.

As músicas, suas performances (figurinos peculiares), as artistas deliciosas que lançou, os clips, os filmes, os álbuns duplos em década que percebia tais itens como grandiloquências dos anos ’70 – tudo nele soava provocativo e ousado.

Depois, os discos menos brilhantes, as exigências quanto à maneira correta de se dirigir a ele (“Aquele que costumava ser Prince”, “O Homem que se Chamava Prince”, e similares), a briga com Sinead O’Connor por conta da bela versão de sua “Nothing Compares 2U”, afastaram Prince de meu foco de interesse. Acredito que muitos sofreram o mesmo afastamento.

Mas não deixa de ser triste perceber o mundo mais careta em mais esta baixa.

21 de Abril – “Feriado de que mesmo?”

21 de Abril, dia de ler e refletir sobre Tiradentes. Este feriado ao fim de uma semana histórica me soube diferente, mais carregado e pronto para comparações.

Folhear o Augusto de Lima Júnior nunca me pareceu tão divertido, e como não traçar paralelos entre covardes daqueles dias e destes, os traços mais repulsivos da nacionalidade desafiando passagem de séculos?

Os brasileiros parecem estar acordando de sono comatoso, e o despertar completo talvez eu não esteja aqui para assistir. A História é caprichosa e não atenta aos protestos dos afoitos.

Por enquanto, muitos apenas gozam o feriado e perguntam:
“Feriado de que mesmo?”

E já foi bem pior.

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