“Notas”-14/05/2016

“Um começo que faz acreditar…”

Não solto foguetes de véspera; não poucos me criticam pelo “pessimismo”. Política não é Copa do Mundo, na qual realismo demasiado torna o sujeito incapaz de vibrar quando a vitória surge no jogo final; Política é realismo, avaliação dos fatores e condições objetivas, mesmo quando fatores subjetivos influenciam.

Não acreditava na coragem de quem tem a faixa presidencial mal ajustada sobre o terno, pois provisória e incerta (só relaxarei após o lance final desta partida); Michel Temer fora mesmo aconselhado a não despachar no Palácio do Planalto nos primeiros dias caso a ocupação deste por militantes persistisse.

Também me incomodava a pouca energia, a nenhuma resposta dada às acusações da então Presidente Dilma Rousseff, a placidez com que suportava acusações de “trair” e “usurpar”.

A redução de ministérios é ainda tímida, e observa o que chamam “Governabilidade” (o varejo da baixa Política), mas já incomoda, e isto é sempre bom: Temer não tem muito tempo pela frente. Ou toma medida de impacto logo neste período em que os já declarados inimigos ainda estão aturdidos, ou a sabotagem não o permitirá mais coisa alguma.

Quem não aplaudiu a (re) incorporação do Ministério da Cultura ao MEC (Ministério da Educação)? Lembro do Millôr Fernandes, no “Jornal do Brasil” combatendo a criação de um Ministério da Cultura, no Governo José Sarney, suas previsões se confirmando ano depois de  ano.

Vejo agora mais uma obra dos “Signatários de Manifestos”: o protesto contra suposta política anticultural do novo Governo: ora, ainda que Temer mantivesse o Ministério da Cultura quem duvida que este funcionaria como escritório de inimigos alojado na máquina? Vejam boa parte dos nomes: os mesmos que declararam não aceitar este Governo, que anunciaram boicote; estrelas da MPB assinam mais por pressão de grupos que por interesses na Lei Rouanet, penso.

É uma gritaria de esquerda de botequim que me lembra a passagem contada em alguma entrevista por  Bete Mendes. Por ocasião da eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, a atriz e deputada do PT informou  Lula que “todo mundo no ‘Bar Piu Piu’ acha que deveríamos participar” (da eleição no Colégio Eleitoral). Lula teria respondido: “Então se filia à executiva do ‘Bar Piu Piu’ e se ‘desfilia’ do PT”.

É isto aí: gritaria de um Congresso de Executivas de bares de Esquerda. Duvido algum destes signatários abrir mão de algum possível benefício que possa vir a desfrutar deste “Governo espúrio.” A massa que estes formadores de opinião conseguem arregimentar foi vista na despedida da Dilma na Quinta…

Há  uma crise artificial: não há mulheres no Ministério. Ora, num momento destes, Temer escolheu entre nomes apresentados por aliados, não procurou (acredito) compor ministérios que não desagradassem grupos de pressão – os quais, repito, gritariam do mesmo jeito: ”Só tem mulher branca neste Ministério.” “Só tem mulher paulista”. “Só tem mulher ‘coxinha’”,  e vai por aí. O que fizesse neste sentido pouco o livraria de ataques, esta é a verdade.

“Só tem homens brancos” (esta tolice está sendo importada, salvo engano, do jornal inglês “The Guardian). Ora, esta qualificação em países sem miscigenação racial pode ter suas razões, mas aqui? Claro que os fiscais autoproclamados dos negros saberão verificar…esquecidos que o negro Joaquim Barbosa foi comparado a macaco, sem queixa alguma destes senhores. Qualquer ministro negro que não fosse do PT ou PC do B seria desqualificado da “cota racial” deste ministério.

E que entende este corpo editorial inglês de nossa realidade? A simpatia pelo PT em setores da imprensa internacional sempre foi fator minimizado (quando não negligenciado de maneira criminosa) por jornalistas brasileiros. Temer colherá pelos próximos dias o resultado da política de não reagir de forma enérgica aos ataques de uma imprensa estrangeira pró-PT. Qualificou-se como “Golpe” o processo de Impeachment durante todo o tempo sem o mais mínimo protesto das forças políticas que o promoveram. E o resultado é este aí.

O que irrita é como imprensa em tese de Oposição (em tese, a mim sempre pareceu afinada como “Pós-PT” – o vasto espectro político-cultural que substituirá o partido moribundo através de partidos de Esquerda dita light, movimentos ditos sociais, etc), da “GloboNews” (vaiada e mesmo agredida onde quer que estejam petistas em reunião) subscreve estas críticas sobre “Ministério de homens brancos”. Gente que é rotulada de “tucana”embarca nesta, ao que parece movida por colonialismo mental, inconsciente do serviço que prestam a quem deseja pendurar suas cabeças em postes.

Que Temer continue indiferente a esta campanha de desqualificação de seu Governo é o que o Brasil precisa – ou o País será convencido de que seria melhor deixar que o Governo do PT chegasse apodrecido e desintegrado a 2018. Que gritem, assinem manifestos e mobilizem seus amigos na imprensa estrangeira – há que se avançar alheio ao que esta gente sabe fazer.

Claro que não é Ministério dos sonhos: eu aproveitaria José Serra na Saúde, onde desempenhou excelente trabalho, ou na Casa Civil – quando não sem Ministério, na linha de frente das batalhas do Senado. Colocá-lo para querelar com países associados ao PT é desperdício para homem de sua capacidade – o Brasil deveria aproveitar a oportunidade (o ataque que esta turma de nações amigas do PT promove contra o novo Governo) para se desembaraçar destes países que nada ajudam, ao contrário.

Há muita gente que não sei se talhada para os ministérios, e não se sabe se este arranjo não apresentara a conta, no médio prazo. O Governo assume em momento que exige gestos de dramaticidade, e negar o jogo da “Governabilidade” é gesto dramático que inauguraria nova fase na política brasileira. Que Temer fosse à TV explicar que Ministérios não podem ser moeda de troca – qual brasileiro, enojado com a Política após escândalos não o apoiaria?

Há a luta que promete ser dura com os recém-desalojados do Poder, e que a classe política saiba lutar sabendo ser esta uma luta na qual sua própria existência está em jogo.

Michel Temer exigiu que cada Ministro faça inventário do que encontrou em sua pasta, e este gesto pode decidir muita coisa – a continuidade deste processo, o fim da era PT.

Enfim, um começo que faz acreditar em nova fase histórica no Brasil.

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