“Notas” – 28/05/2016

Estupro Coletivo

Não pretendia escrever sobre este assunto – deprimente demais, reforça o já opressivo sentimento de revolta causado pela impotência diante do horror da vida brasileira atual. Além deste sentimento de autopreservação, há que se ter cuidados, pois se está sujeito às interpretações de texto mais descabidas.

Mas como leitores amigos me escrevem pedindo que escreva, me perguntando (“o que acho? O que se pode achar disto?”), aí vão algumas linhas:

Há no Brasil um crescendo de brutalidade, impulsionado pela impunidade; quem se lembra do primeiro crime que leu que tirou o sono – por revolta, por imaginar uma pessoa querida no lugar da vítima? Eu me lembro dos anos ’90: um grupo de delinquentes “menores” torturaram um casal de irmãos crianças, seus vizinhos de periferia de São Paulo.Um dos algozes se orgulhava da façanha, sobretudo de um pormenor – havia forçado as vítimas a comer suas (do criminosos) fezes. Que tal?

Eram menores de idade, e não sei que pena pagaram pelo crime.

Outro crime que me tirou o sono foi o do menino arrastado pelo cinto de segurança,”para queimar o Judas”, na explicação singela de um de seus assassinos. Uma ONG se mexeu para livrá-los de penas demasiado severas.

Depois houve a dentista queimada viva por não haver se abastecido para o assalto, e houve mais …

Quantos episódios mais houve?

Ah… perdemos a conta.

O desfile de horrores arranca a sensibilidade, entorpece, amortece.

E chega-se enfim ao estupro coletivo.

Lembro de episódio semelhante, coisa de poucos anos: turista embarca em van, é surrada e estuprada pelos donos do veículo, que a enviam a um, se não me engano, traficante, que recusa a “mercadoria”, pois muito ferida, deformada pelos golpes e sessões de sexo.

Quantos projetos de lei prevendo penas duras forma votados no Congresso? Como integrantes do mundo das artes e espetáculos reagiram a qualquer ensaio de mudança de lei? Quem não se lembra do espetáculo que encenaram quando se discutiu a redução da maioridade penal?

Lembro de ter discutido com um bem-nascido que se mostrava preocupado com a possibilidade dos criminosos menores de idade “virarem mulher na cadeia”.

Pois é…

As feministas saberão aproveitar o episódio para criminalizarem mesmo olhares para mulheres na rua, pois “portadores de misoginia” que “objetifica” a mulher e conduzem, por lógica, “ao estupro coletivo”. Já o fazem, não perdem tempo.

Mas, quem auxiliado por idiotas que defendem relativização deste episódio de horror  (“ ah, ela usava drogas, era ex-namorada de um deles”) na exposição da imbecilidade de quem advoga abusos contra mulheres com bases em “critérios morais”, não exerce militância?

Os que tentam justificar, ou atenuar, o que estes monstros cometeram, funcionam como braço auxiliar involuntário do feminismo. Alusões aos “hábitos” da vítima, ao “universo depravado dos bailes funk” surgem neste momento. E são tudo o que certa militância deseja. Como não faltam estúpidos que acreditam que certos comportamentos “explicam” estupros…

Não há o que atenuar, ou justificar.

O que se tem é que situar o episódio em seu plano lógico: o da impunidade. Não se deve aceitar polêmicas alheias ao escopo da discussão – ou se votam leis que intimidem criminosos ou teremos que conviver por muito tempo com estes eventos – isto transcende questões ideológicas menores.

Há tabus a ser enfrentados: que acontecerá caso encontrem, entre os trinta acusados um representante da sacrossanta categoria do “Menor”? Não passou da hora de discutir penas alternativas para crimes de potencial ofensivo reduzido, mesmo para gerar vagas no sistema prisional para criminosos de comprovada periculosidade? Nesta discussão serão ouvidos outros setores da sociedade, que não sociólogos, antropólogos, sexólogos?

A casta acadêmica entende este território- de segurança pública – como seu.
Infelizmente, não acredito que este seja o ponto que levará a discussões sérias.
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Michel Temer e Aécio Neves- dois exemplos

Não estava liquidada a fatura?

Tão fácil, os petistas já estão no chão.

Em duas semanas, o governo Michel Temer está mais frágil (não adianta tentar dizer que os “Sérgio Machado Tapes”não abalam o impeachment, podem não negar as pedaladas e demais estragos, mas abalam sua credibilidade, sim) que poderia supor o petista mais apaixonado.

O episódio do “protesto” no qual a casa do presidente interino foi cercada é de gravidade que noto mal explorada pela imprensa: a família de um mandatário é intimidada, muros são pichados (alguém foi preso por depredação?) e um murro na mesa parece bastar.

Aécio Neves, senador, é hostilizado na praia, diante de sua família, e isto se toma por “liberdade de expressão”. Fosse agredido, talvez noticiassem como “manifestação inflamada”.

Lembro que antes do impeachment, eram os petistas os assediados (nunca concordei com este cerco pessoal – inútil e covarde). Hoje inverteu-se: antagonistas do PT sofrem todo tipo de assédio, e não respondem com energia, decerto aconselhados a “não dar importância”.

Mas a imprensa amiga do PSDB garante que o petismo é “Passado”, comemoram ,publicam textos grandiloquentes, etc.

E o impeachment sequer foi votado ainda…

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“Não existe ‘Se’ em História, mas…”

Iniciarei neste blog sessão de “futurulogia” do Passado.

“Como seria o Governo Eduardo Gomes, tivesse o ‘Brigadeiro’ vencido em 1950?”

“Como seria a composição do Governo Paulo Maluf com as correntes que se desgarravam do PDS, caso Tancredo Neves fosse derrotado no Colégio Eleitoral?”

Enviarei, sempre que puder, alguma pergunta do tipo ao Helio Fernandes, que cobriu muito da Política, dos anos 40 até hoje.

Estes exercícios de imaginação são mais úteis que os malabarismos de bola de cristal, exercitados por cientistas políticos.

Espero que apreciem esta nova sessão do blog

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