“Notas” – 02/07/2016

Caça aos pedestres na Pampulha

A região da Pampulha onde moro – Castelo, na vizinhança com o bairro Ouro Preto – tem no pedestre o pária por excelência; carros estacionados nas calçadas (Lara Velho e seu movimento “Calçada Livre” teria muito o que registrar aqui) e carros deixando suas garagens em velocidade total sobre o passeio, indiferentes aos pedestres. Ora, os pedestres…

Faixas de pedestres são aqui ornamento, obras de arte (afetados das “Artes” dirão ”Instalações”) – tinta branca sobre fundo preto apenas: carros as ignoram solenes, ofendidos mesmo com os idiotas que insistem em tomá-las como espaço garantido por lei. Placas vetando cruzamentos idem.

Semana passada fui quase atropelado, o carro parou bem em cima de mim, e só pude berrar palavrões ao carro que partiu sem sinal de seu motorista.

Guardas por perto? Em dias de jogo no Mineirão alguns PMs montam guarda, mas ouvem queixas com a expressão de quem nada pode fazer – afinal, apenas cumprem ordens.

E esta região da cidade é casa de jogadores de futebol, cantores…

O pedestre caçado como rato por caipiras em seus automóveis importados. O passeio na Pampulha tornou-se fonte de stress, ciclistas ameaçam pedestres, carros ignoram sinalizações, e que seria lazer torna-se teste de resistência de nervos, e procura-se outra modalidade de relaxamento.

É uma maldição o que pesa sobre o pedestre, este personagem incômodo, verdadeiro transtorno para motoristas.

A beleza como inimiga (inimizade manifestada no mau cheiro da lagoa) do caminhante – síntese da Pampulha.

Janaína Paschoal contra o “Futuro do Brasil”
A professora Janaína Paschoal foi recebida com uma “Intervenção” (ah, paulistanos e suas particularidades- naquela cidade mesmo pichações e depredações diversas são “Intervenções”) em sua sala de aula – cartaz onde se lia “GOLPISTA”; os autores da “Intervenção” tentaram instalar sua obra de arte antes da chegada da professora, corajosos que são.

Barbudinhos de bermuda, decerto membros de algum “Coletivo”, alguma agremiação de babacas da casta acadêmica, eterno criatório de militância do PT.

E há dois ou três dias, recepcionaram a Professora no aeroporto sob gritos – talvez urros, talvez guinchos; argumentos preferenciais de uma Esquerda que desertou da leitura, e do choque necessário de opiniões.

Janaína Paschoal colhe o que vem plantando nas suas participações na Comissão do Impeachment – sua fala assertiva, sua coragem e seu carisma não poderiam passar sem a carga de ódio dos primários e desesperados.

Primários porque vítimas (mesmo os que estudaram em colégios tidos por bons e alunos de universidades de renome) de sistema educacional que forma projetos de inteligência coletiva apenas e desesperados por se saberem isolados da maioria que sofre o domínio de uma classe política medíocre; a credibilidade e peso intelectual que universitários desfrutavam pertencem ao terreno da nostalgia apenas.

E são o “Futuro do Brasil”- estes covardes que insultam às costas da Professora (que ainda não havia chegado à sala de aula) e que a intimidam em aeroportos escondidos na coletividade ululante são futuros advogados, professores, jornalistas…

Crianças e adolescentes serão avaliados por material humano desta extração – e pensar nisto reforça minha determinação de não ter filhos.

Como escrevi no blog, vi muitos deformados mentais destes em meus dias de Universidade e muitos ali eram já professores. Os professores dos meus professores deviam ser de material humano não muito diferente pelo que posso inferir das besteiras que colecionei nestes anos todos – a Escola como sementeira de idiotas é observada já n’”O Ateneu “ do Raul Pompeia; o Brasil não é o pesadelo que é do nada, concordam os distintos leitores?

O “Futuro do Brasil” tem seu inimigo no momento – e isto é ponto a mais na biografia da Brava Janaína Paschoal.

“Não Existe ‘Se’ em História, Mas…”

E meu pedido de colaboração para minha série “Não Existe ‘Se’ em História, Mas…” ao Mestre Helio Fernandes foi atendido esta semana: propus ao veterano combatente do Jornalismo exercício de imaginação –  “Como seriam os hipotéticos governos Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek caso qualquer dos dois fosse eleito em 1965?”

Helio Fernandes confirmou a sabedoria de meu pai – que sempre me respondia “Não existe ‘se’ em História” quando propunha a ele exercícios de hipótese histórica: “Pawwlow, seu pai estava certo não existe ‘se “ em História”, passando a narrar em seguida os fatos dos quais foi testemunha naqueles dias que prometiam tudo, e que desembocaram em mais de vinte anos de Ditadura.

O que seria do plano da hipótese HF admite não poder responder- este o sentido de seu reconhecimento da sabedoria da resposta de meu pai. O que soube, o que viu, o que participou- páginas e páginas de seus artigos respondem.

Responderiam melhor caso jornalistas e editores não dessem ao veterano jornalista – talvez o mais antigo em atividade no Mundo – descanso até que ele aceitasse dar entrevista definitiva, em diversas sessões, que seria imortalizada em livro, como o congênere “Depoimento” de Carlos Lacerda.

Mas sou eu, ao que parece, o único que sonha com este livro – escrevi no blog diversas vezes, como diversas vezes cobrei de jornalistas esse assunto, sem resultado.

Este descaso com nossa História, com nossos personagens, diz muito de nosso Destino.

Eu de minha parte continuarei aqui com estes exercícios de imaginação “Não existe ‘Se’ em História, mas…”

O livro-depoimento do Helio Fernandes é hipótese que casa com a sessão, por sinal.

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