“Notas”-17/09/2016

Livros que gostaria que existissem

“Por que não domino os cadernos culturais?” “Por que não possuo ou dirijo algum grupo editorial?” “Por que não tenho acesso aos editores – de jornais, de revistas, de sites, e mesmo do setor livreiro – para lhes aconselhar?”

Perguntas que me faço quando noto a quantidade de lixo – tanto importado como de produção nacional –  exposta nas prateleiras das grandes cadeias de livrarias de shoppings e a cobertura que a imprensa dá a livros descartáveis.

Há tanta coisa a ser lançada, tanto material desperdiçado, ou não incentivado a ser posto às ruas por editores e jornalistas.

Escrevi muito sobre o crime de não haver o livro “Depoimento” de Helio Fernandes, similar ao do Carlos Lacerda. E não obtive qualquer apoio, ou repercussão, mesmo por parte de gente que afirma admirar o talvez mais antigo jornalista em atividade no Mundo.

Por que não há um “Ruy Castro em revistas”? A produção de Ruy Castro em revistas como “Status” e “Playboy” merece ser reunida em livros, talvez algo tenha saído em coletâneas sobre temas como música, mas há coisas ainda inéditas no formato livro que continuam válidas e valiosas.

Outro volume do mesmo autor que os editores nos devem é “Ruy Castro Entrevistador”, que poderia reunir entrevistas, ou trechos das mais memoráveis, e seus bastidores; as impressões pessoais do entrevistador sobre alguns entrevistados, e impressões destes sobre o entrevistador. Penso que a entrevista que fez com Nelson Rodrigues deveria sair completa, ou quase – muitos não a leram, meu caso. Um capítulo sobre o encontro da entrevista e os contatos feitos para sua realização dariam excelente capítulo.

Outro autor que acho pouco aproveitado é Renzo Mora – quem for ao seu blog verá que seu material é rico e se presta a boas coletâneas – suas resenhas de filmes, livros, seus pastiches, suas criações de ficcionista, como as aventuras do “detetive taxidermista” que o comprovam discípulo digno do Ivan Lessa.

Bom, são estes lançamentos que lembro – e lamento –  não haver, por hora.

Lembrando de outros tantos, postarei; farei disto seção deste blog.

Aguinaldo Silva no “Roda Viva”

Assunto que deixei passar foi a entrevista do Aguinaldo Silva no “Roda Viva”em 11/07/2016. A entrevista me pegou num redemoinho durante o qual este blog ficou sem renovação de conteúdo, mas no dia de sua exibição tomei minhas notas:

Aguinaldo Silva parece apostar no formato das séries como antídoto ao desgaste da teledramaturgia – como apaixonado das séries americanas, acredita que este produto conseguiria renovação de público e de autores da TV. Cita suas séries empolgado, e tenta formar em cursos nova geração de teledramaturgos, mais afinados com esta modalidade narrativa.

Sou um cético quanto ao formato série como fator de revitalização da teledramaturgia no Brasil. Há, noto no pouco que vejo (que consigo ver,fazendo muita força) de séries brasileiras, ausência de bons textos – tudo é simplista, com as fórmulas de crítica sociais mais óbvias e rasteiras tomando o lugar de diálogos e descrições visuais que permitam ao telespectador mesmo apurar o gosto e também a dita “consciência social” que autores injetam de forma esquemática em suas tramas: tramas policiais mal cozidas com tons de “denúncia”, lições de moral “politicamente correta”, e o inevitável retrato do pobre brasileiro traçado por quem o conhece de livro ou gravura dos tempo do Império, sem falar da figura do narrador, ou do uso de frases introdutórias, recurso gasto e que irrita, por deixar claro que os autores tomam o público por imbecil a quem precisam “educar”- Quem assiste isso, se não por fome de semi nudez das belas atrizes? Qual destas séries brasileiras fica na memória do telespectador? Qual autor e/ou diretor destes produtos virou marca referencial no Brasil?

Sou do tempo das novelas que se tornaram clássicas, que viajaram pelo Mundo – e nenhuma era tão primária como estas séries “mauricísticas”  (lembram do “Cinema Mauricinho” denunciado pelo Neville D’Almeida? Escrevi no blog sobre isto). Tempo das novelas de Gilberto Braga e do próprio Aguinaldo Silva. Quem viu “O Dono do Mundo” de Gilberto Braga sabe do que falo: talvez o melhor personagem televisivo de Antônio Fagundes, os surfistas de trem, as beldades da Zona Norte se prostituindo na Zona Sul, o cinismo dos diálogos…quanto regredimos no tom de crítica social!

As novelas do Aguinaldo Silva, tanto urbanas como rurais eram divertidas, e ainda divertem quando reprisadas, o que mostra que o gosto do telespectador médio não mudou tanto assim para pior. Mas o que mais gosto dele são seus …”casos especiais” e seriados, como “Plantão de Polícia” e “Otelo de Oliveira” belo trabalho de adaptação de Shakespeare, dos anos ’80. Realizações que mostraram ao Brasil um autor vigoroso, com temas que interessavam setores da população maiores que rodinhas de pedantes dos meios ditos culturais. Seriados com temática corajosa, sem filtros pseudo (culturais e ideológicos) e especiais com uma história fechada me parecem mais parecidos conosco.

O mais da entrevista foi a simpatia e carisma do entrevistado, personagem interessante; não lembro de entrevista sua que não ensine e não divirta. Suas memórias do tempo de jornalista policial parecem saborosas, preciso lê-las. É dos últimos vultos de sua época ainda em atividade, mantendo um blog com entrevistas (há vídeos no “YouTube”) e artigos, reflexões, etc.

Acho seus entrevistadores pouco curiosos, isto sim. Ou cientes de que entrevista abrangente com ele exigiria diversas sessões; uma para tratar de seus livros de ficção, outra de suas reportagens, outra de suas criações para TV, outra para adaptações de suas obras para cinema (o clássico “República dos Assassinos”, por ex)…

Um porém desta edição do “Roda Viva”: o ator Bruno Garcia foi cortado ao encaixar duas perguntas em uma intervenção, mas o jornalista da “Veja” o fazia sem que Augusto Nunes se lembrasse de interrompê-lo; quem precisa se submeter a este tratamento? Augusto Nunes é grande jornalista e comandou edições históricas deste programa. Que ele as assista no “YouTube”e note a diferença.

Todos ganharão, tenho certeza.

Ainda com este porém, foi noite memorável.

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