“Notas” – 15/10/2016

“E a PEC 241?”

Ouvi algumas vezes a pergunta: “E a PEC 241, que tal?”

Não sou economista, e entendo muito pouco os textos escritos no idioma utilizado para tratar de assuntos de Economia, e acredito que muitos dos que se manifestam contra ou a favor desta Proposta de Emenda Constitucional sofrem da mesma deficiência cognitiva, e tomam por suas as opiniões dos analistas políticos e econômicos de sua confiança.

Estarei errado? Estaria subestimando a inteligência e cultura de meus compatriotas? Julgarei todos os leitores de jornais e telespectadores de telejornais (sobretudo os de TV por assinatura) uns tolos, influenciáveis e sem condições de avaliar por instrumentos próprios o que foi proposto – e aprovado – ao Congresso Nacional? Eu, por exemplo, tentei entender o texto da PEC 241 e confesso não ter compreendido as aplicações das restrições de gastos, as tecnicalidades me escapam. Sou um ignorante na matéria, repito. Mas pode ser que eu esteja rodeado de entendedores de política orçamentária.

Minha ignorância me leva a desconfiar dos “especialistas” que explicam, nas TVs, iniciativas governamentais. Sempre fico com a impressão que o cavalheiro está tentando me vender como inevitável a guilhotina que descerá sobre meu pescoço, entendem? Como não confio no conhecimento econômico de muitos jornalistas encarregados de arguir os técnicos, e não sou um crente na isenção de jornalistas, me reservo o direito à desconfiança de qualquer medida que cheire à recessão, à “austeridade”.

 

Os textos recentes de Elio Gaspari tratando do assunto confirmam meus temores: há gordura a queimar entre os poderosos, e gastos governamentais difíceis de ser contornados, e havendo um teto de gastos não é muito difícil prever o contemplado a tê-lo sobre a cabeça, é?

 

A maneira como Gaspari descreve aposentadorias gordas entre políticos e dívidas que o Governo não tem como reaver em tempo hábil me parece mais convincente que qualquer Professor – Doutor em Finanças Públicas convocado pelo “GloboNews” ou entrevistado por “Veja”. São fatos contra o que é, até agora, especulação sobre aplicações de uma Lei recém votada. Como escreveu Gaspari, há uma Lei de Responsabilidade Fiscal; parece ser eficaz, no País? Evitou e evita absurdos, desperdícios monstruosos de dinheiro? Há muitos presos ou cassados por terem violado Lei que inspirou tantas esperanças em crentes nas Leis e instituições? Há entre brasileiros motivos para confiar nestes planos mágicos?

Este Governo vem de uma vitória eleitoral nas eleições municipais, ainda que vitória de um partido que não o seu – não importa; o partido do Governo ao qual substitui e que é seu inimigo declarado sofreu derrotas eloquentes. Pois este trunfo ameaça escorrer pelo ralo caso estes mesmos eleitores percebam que serão escalados, uma vez mais, para o papel de pagador da conta. Perguntarão muitos: “E os Ministérios não serão cortados como prometido no início deste Governo? Estes especialistas que bolaram estas medidas não poderiam ter bolado outras menos pesadas para nós?”

Escrevi no blog, no dia 10/09/2016, algumas impressões sobre marcha de estudantes e movimentos ditos sociais que havia paralisado avenidas de Belo Horizonte:

“Quando medidas impopulares forem tomadas (e a falta de imaginação da classe política e dos tecnocratas sempre leva a medidas recessivas) e a reforma da Previdência mostrar seu lado mais injusto, multidões se juntarão aos barbudinhos e moças de saião hippie.”

Ainda não se pode dizer se esta minha previsão se confirmará pelos fatos, mas o conhecimento mínimo de História torna o ofício de profeta algo não muito difícil de desenvolver. Não me alegro com isto, não tenho como deixar o Brasil, sofrerei com todos os resultados de um momento histórico que poderia ter sido evitado caso os “formadores de opinião” tivessem agido com prudência e competência; houvessem tratado eleições presidenciais com seriedade, não teriam escrito como jornalistas que cobrem futebol.

Não houve autocrítica, e muitos dos que trataram o PT como um cadáver no meio da sala, agora agem como cabos eleitorais de um Governo que o melhor que poderia fazer é conduzir o País sem maiores sustos até as próximas eleições. Elogiam medidas de eficácia discutível que combateriam como ineficazes e recessivas se fossem apresentadas pelo governo deposto (e tudo indica que medidas impopulares e recessivas seriam propostas por Dilma Rousseff). Apontariam gastos que poderiam ser cortados sem sacrifício, mas como é outro o Governo, defendem sem restrições o que definem como “inevitável”.

“Você tem alternativas?”
Não, não sou economista nem versado na matéria, torno a dizer.

“Especialistas” (uso aspas não por ironia aos professores e sim à reverência servil com que jornalistas tratam membros da casta acadêmica) garantem que “o Brasil quebra” sem esta Lei. Acredito que no curto prazo talvez o caminho seja este e não haja outra solução, mas como a classe política é hábil em aplicar a técnica do “fato consumado” com a mesma energia com que se esquiva de cortar suas gorduras, antevejo sacrifícios inúteis.

E mais desmoralização para jornalistas anti – PT, mais uma oportunidade para que contribuam com sua parte no debate público desperdiçada com palhaçadas partidárias.

O “Pós-PT” sairá fortalecido de qualquer recessão adotada neste Governo, isto também consigo antever. Setores anti – impeachment de Dilma Rousseff abandonaram as bandeiras do “É Golpe!” como quem se livra de panos de chão já gastos, concentram-se já na “defesa dos pensionistas e dos trabalhadores vítimas da PEC 241”.

Eles não perdem tempo, sabem que têm por adversários gente mal aconselhada, com senso histórico nulo. E agem.

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