“Notas”- 22/10/2016

“Não sou pego de surpresa”

No canteiro central da Av.Afonso Pena, equipe de João Leite, do PSDB, repete gravação de Alexandre Kalil, na qual o candidato de coligação PHS/Rede/PV diz não ser religioso. Transeuntes não desviam o olhar à frente ou diminuem a marcha para ouvir a “denúncia”; a quase uma semana da eleição, não serão as opiniões sobre religião de um candidato que mudarão preferências eleitorais.

Quem conhece Minas Gerais sabe que marés de votos a determinada altura da eleição não são reversíveis: há uma tendência à vitória de Kalil, ataques pessoais poderão pouco nos dias que se atropelarão até o Segundo Turno. Lembro do Leonardo Quintão em 2008, sua derrota para Marcio Lacerda tida como certa nas rodas de conversa política do Centro.

O preço desta derrota para o PSDB não pode ser subestimado: esta candidatura seria teste de Aécio Neves, e derrotada, será lida pelo País como sinal inequívoco de que, nem em seu estado, Aécio tem relevância política. 2018 já começou.

Talvez tenham subestimado Kalil, ou interpretado a derrota de Dilma Rousseff em Belo Horizonte como adesão automática dos belorizontinos ao PSDB. Escrevi no blog sobre esta ilusão: rejeita-se o PT e rejeita-se em dobro o PSDB. O eleitor de BH abraça o “Pós-PT” sem saber o que ele significa; tudo que não for PT ou PSDB ele aceita.

Procurei o pessoal do PSDB na Pça. Sete e observei que este apelo à religião seria visto como desespero pelas pesquisas recentes. O tucano me explicou, com toda paciência, que eleitores seriam sensíveis a este apelo aos seus sentimentos religiosos. Perguntei por que não se bateu na tecla de que a Rede é parte da chapa de Kalil, seria argumento decisivo aos antipetistas mais furiosos. O jovem do PSDB me deu razão. Decerto acredita ainda haver tempo.

Desculpei-me e me despedi. Tucanos nada aprendem, não sou pego de surpresa.

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Com inimigos assim…

A capa de “Veja” com Marcelo Crivella me parece ser um presente à candidatura de Marcelo Freixo. Posso imaginar a lógica:

“Vencemos o PT, e Freixo não poderá realizar nem a décima parte do programa do PSOL. Na vida real, delírios de esquerdistas do Leblon serão derretidos como lesma sob punhado de sal. Melhor ele que um sujeito que representa igreja evangélica”.

Quem não visualiza jornalistas que se acreditam sofisticados decidindo esta cobertura?

Inconscientes do fato de que o PSOL, representante máximo do “Pós-PT”, não deseja prefeitura para implantar suas ideias (poderão culpar os obstáculos) e sim para abrir uma nova trincheira: a segunda maior cidade do País conquistada pelos substitutos (mais astutos, competentes e perigosos) do PT.

Como escrevi, acredito que estes liberais quiseram o impeachment de Dilma para isto mesmo: para abandonarem a vigília, para poderem voltar ao ócio intelectual, ao repouso político… Capas sobre dieta alternando-se às capas sobre disfunção erétil.

Lamento não pertencer ao “Pós-PT”, ou mesmo ao PT, com inimigos assim não se precisa cultivar aliados, a colaboração involuntária é sempre a mais eficaz.

Como disse na nota anterior, não sou pego de surpresa quanto à incompetência dos liberais. No Brasil, frívolos têm o Poder, e interessados afiam suas lâminas.

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Helio Fernandes, 96

Semana de aniversário no jornalismo brasileiro: o mais antigo jornalista em atividade completou 96 anos; escrevendo, prevendo, enfim, combatendo.

Talvez o mais antigo jornalista em atividade no Mundo, tolos julgando desnecessário um livro – depoimento de personagem deste calibre.

Tudo que projetou há meses da crise atual confirmado de maneira desconcertante; qual a marca da sua bola de cristal? Quais fontes cultiva, tão bem sintonizadas em Brasília?

Que sobreviva aos medíocres por mais tantos anos. Os que valorizam este tesouro o merecem.

Parabéns, Mestre HF!

Horário de Verão, castigo sem crime

Considero horário de verão castigo aplicado a todos, mesmo aos que nada devem; a dias de sua chegada, tremem os que precisam saltar da cama pela manhã após noite mal desfrutada em pedaço do ano de calor severo.

Especialistas defendem sua adoção: declamam números e supostos ganhos ambientais. Imagino o ar-condicionado embalando o sono destes senhores de fala suave. Nos supermercados, as caixas cochilando, nos ônibus lotados, a exaustão como máscara sobre as faces; o preço que a população paga nada diz aos que tomam decisões no Brasil.

Horário de verão: sinal, mais um, do descaso da classe política para com as massas. Castigo sem crime, flagelo alojado no relógio de milhões.

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