“Notas”- 19/11/2016

“A primeira ação política – ler…”

Um leitor amigo do blog me enviou email sobre a postagem mais recente:

“Pawwlow, você diz no seu último texto que os manifestantes que foram ao Congresso Nacional esta semana deveriam formar grupos de estudo. Como eles fariam isto sendo gente que tem que se haver com a sobrevivência? Por onde começariam?”

Ora, começariam admitindo que devem ler, para começo de conversa.

É… começar pelo começo – admitindo as lacunas mais básicas na educação política. Obras clássicas de autores que se demoraram no exame das coisas do Poder através dos séculos são encontradiças em sebos, e alguns casos pela internet. Claro que isto exige vontade, e desejo de estudar maior que o de tagarelar em redes sociais, mas vale o investimento.

Nada mais político que o desejo de conhecer, de se inteirar sobre assuntos que decidem sua vida, não? Há tempo para tanta coisa que nada traz, apenas retira… Limitar o tempo de internet e o tempo de TV, se possível abandonar redes sociais, e começar a frequentar sebos e livrarias. Mais sebos que livrarias.

Hoje a informação, para ser encontrada, exige muito menos que em outros dias, mas a dispersão cobra seu preço por cada segundo de prazer, e não me coloco acima de ninguém escrevendo isto. Também desperdiço tempo, mas ao menos sei que o desperdiço, como um criminoso contra mim. E volto aos livros, consolo único para chateações do Mundo.

Formar grupos de estudo deveria ser obrigação para quem frequenta grupos de internet; morando os membros na mesma cidade e havendo afinidade pessoal mínima, é questão de escolha formar grupos de leitura e discussão. Se há tempo para gastar na frente do computador que se reserve parte dele para o estudo do que nele há de disponível em bibliotecas virtuais.

Há muito que não depende de nossa ação: o mundo do trabalho e o peso do Estado, por exemplo, são realidades, mas o que depende – buscar informação e dividi-la com nossos próximos – exige a coragem para que o enfrentemos como vital.

Não sei se os manifestantes no Congresso Nacional são assíduos nas suas bibliotecas pessoais, se o são que leiam sobre demonstrações de Poder e o que estas exigem de preparo, de combustível de reserva.

Me parece que a primeira ação política- ler- é percebida como algo que pode esperar e é o que não pode esperar de maneira alguma.

A Esquerda nunca questionou a prioridade intelectual, e isto explica o seu domínio.

Respondido, leitor, amigo?

“Liberdade temática do blog – que leitores entendam …”

Uma amiga leitora me questionou sobre o que considera “gosto discutível”em exemplos que uso: eu ter citado em post recente os tais “gurus da sedução” pareceu a esta leitora “grotesco”.

Bom…

Recomendo que procure no blog o que escrevi sobre cinema, literatura, sobre vídeos no “YouTube” sobre os bailes de “dancehall”; Política e comportamento da Imprensa frente à Política são assuntos que comento por sentido de obrigação: gostaria de me abster de escrever sobre esta gente que desperdiça o Poder e tratar apenas de arte assuntos gerais – comportamento, sexo, problemas do dia -a -dia em uma cidade grande – e gozar da liberdade temática do blog – que leitores entendam ou busquem outro autor.

Gente bem comportada, que obedece aos mandamentos do bom gosto e do “politicamente correto” há em número não desprezível na internet e espera por leitores sensíveis alérgicos a textos de “gosto discutível”.

Imagens símbolo de personagens históricos

Che Guevara “é” seu retrato por Alberto Korda, Juscelino Kubistchek saudando Brasília é para muitos a síntese visual de JK.

John Kennedy se cristalizou como personagem trágico no desfile em carro aberto em Dallas, Abraham Lincoln teve seu fim no teatro apenas imaginado – mas como imaginaram a cena desde então…

Para mim, Getúlio Vargas é um senhor segurando uma cuia de mate,  sentado em uma rede em uma estância gaúcha no seu intervalo longo de cinco anos…a Revolução de ’30 e o seu corpo no caixão seguido pela multidão no Agosto de 1954 me são menos pungentes que o líder retirado do Poder, tomando mate, envelhecido, e ao que parece refletindo sobre os erros que o levaram ao exílio na estância gaucha entre ’45 a ’50.

Esta semana deu ao Brasil duas imagens – síntese de personagens que tiveram seus bocados de Poder: Sérgio Cabral e Anthony Garotinho.

Ambos ex-governadores do Rio de Janeiro, e um deles, Garotinho, ex-presidenciável.

Aconteça o que acontecer ao Garotinho, sua imagem na maca, coadjuvado pela filha Clarissa Garotinho, resistindo à transferência para o complexo prisional de Bangu.

Sérgio Cabral com o uniforme verde no presídio em foto de identificação é também imagem forte, que se incorporará como um aposto gráfico ao seu nome.

Mas, para mim, sua figura (na companhia do então presidente Lula) como governador, discutindo com um menino que se queixava de seu bairro, mandando aos berros que o menino fosse estudar, é sua síntese visual. Sempre lembrarei dele assim, neste diálogo com uma criança que ousou questionar duas autoridades.

Este momento, imortalizado em vídeo,  nem o uniforme verde de presidiário conseguiu ofuscar, ou superar.

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