“Notas”- 25/11/2016

Onyx Lorenzoni no “Roda Viva”

A entrevista do deputado federal Onyx Lorenzoni no último “Roda Viva” foi mais uma demonstração do que se entende por “pluralidade” no jornalismo brasileiro atual.

O jornalista (ainda que não militante ou simpatizante do PT)  tem uma espécie de obrigação: mostrar ao entrevistado e aos telespectadores que jornalistas não “pegam no pé” apenas de petistas. E adotar o tom mais rude e inquisitorial possível com o entrevistado.

Foi assim com João Dória Jr. Na sua participação recente no programa, e uma vez mais com o deputado pelo DEM do Rio Grande do Sul.

Não é condenável questionar entrevistados, mas o tom de delegacia policial é algo que se deve contra- recomendar. Não é justo que jornalistas (que nem sei os nomes, e interessados que confiram no ”YouTube”) façam do entrevistado escada para que façam boa figura diante de seus colegas, que usem dos que se disponham a ir ao programa palanque de suas “atitudes de independência”:

“Vocês não podem me rotular como tucano, só por eu participar do ‘Roda’, eu fui duro com Fulano, vocês viram”.

Augusto Nunes teve que intervir em certo momento com entrevistador que insistia para que o deputado “desse os nomes” de possíveis políticos que o estivessem pressionando:

“Ele tem o direito de não dar nomes. A resposta dele basta.”

E foi mais de uma vez que este tipo de pressão (“Dê os nomes”) foi empregado em tom de, repito, delegacia de polícia. Tom de voz e expressão de detetive interrogando suspeito.

 

Esta geração de jornalistas não se expressa bem, formula mal as perguntas e é rude. Penso que a “velha guarda” ainda em atividade deveria ser mais convidada que estes formados em Comunicação que não sabem entrevistar.

 

Não sei se Augusto Nunes decide isto, sei que ele tem muitos amigos e colegas competentes que proporcionariam ao telespectador entrevista mais proveitosa, e ao entrevistado, tratamento mais civilizado. Que ele possa os convidar, e vetar os que têm se portado como em uma conversa de distrito policial.

 

Comentários na sua coluna em “Veja” por vezes se queixam, e AN alega então que o programa é “plural”.

 

Tenho visto pluralidade com um único padrão de conduta nestas bancadas.

Como escrevi no blog, admira que ainda haja gente que se disponha a participar do “Roda Viva” para, ou ser cortado de maneira rude pelo apresentador  (se membro da bancada de entrevistadores) ou ser inquirido de maneira brutal por jornalistas “plurais.”

A tática dos advogados de Lula numa estratégia de desmoralização

Helio Fernandes tem escrito sobre a “estratégia” dos advogados de Lula: confrontar o juiz. Qualificou-os, em artigo recente, como “insuportáveis”.

É mesmo difícil assistir no “YouTube” os registros destas sessões: faz mal ao sistema nervoso ouvir gritos (não exagero, confiram no “YouTube”) com o juiz, numa reprise judiciária do comportamento parlamentar dos defensores do PT.

A mesma tática: solicitar “questões de ordem” e tentar suspender a sessão, e confrontar, com desrespeito absoluto, quem preside os trabalhos.

HF se engana se imagina que estes advogados utilizam qualquer estratégia de defesa do ex-Presidente. Há, sim, uma tática que serve a uma estratégia maior:

Desmoralizar por inteiro o processo de julgamento político, e judicial, do período PT. Demonstrar por atos e comportamentos que se está diante de “coxinhas” aos quais não se deve ter qualquer respeito; “escrachar”, enfim.

Tratam o juiz Sérgio Moro como o trata Paulo Henrique Amorim, como um “juizeco”. Há método e coerência orgânica em todo este julgamento: imprensa simpática ao PT e PC do B retratam o juiz Moro como “juizeco de província” e advogados o tratam como a um subalterno com quem é válido gritar e questionar suas perguntas.

Nada entendo de processos e procedimentos, mas não me recordo de ter visto antes advogados de defesa se portarem desta maneira, ainda que especialistas assegurem não haver hierarquia entre juízes e advogados.

Não sei nem se Moro tem como tomar qualquer atitude contra estes advogados, representar contra eles, etc.

Mas sei que deve ser difícil ao juiz Sérgio Moro reagir com este ataque diário, sem o apoio diário de colunistas e blogueiros que se dizem seus simpatizantes, enquanto seus adversários não deixam um só dia a tarefa de ridicularizar e diminuir sua figura e seu trabalho.

Eles, devemos reconhecer, trabalham.

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