“Notas”-29/12/2016

“Uma receita de sucesso para o ‘Pós-PT’ “

“Tente esquecer por um momento Esquerda X Direita, o importante é adotar o critério ‘É Honesto’ ou ‘É desonesto’?”

Cito de memória a insistência do jornalista Claudio Tognolli (cujo canal subscrevo no “YouTube” e escrevi sobre ele aqui no blog) em seus vídeos recentes na questão que, no seu entender, norteará doravante as análises políticas do Brasil: o que vale observar é se o sujeito “mete a mão” ou se é “ficha limpa”, pouco importa como ele se declare como político ideológico ou se filie às correntes políticas categorizadas como “reacionárias” ou “progressistas”. Não sendo um larápio fichado, já está bom.

Dito assim, bonito.

Quem não se cansa de discursos pseudo – ideológicos desacompanhados de prática coerente ou de rótulos fixados em recipientes ocos?

O sujeito se mostrando bem intencionado é que faria dele merecedor de votos e apoio.

Mas… ser honesto – e sobretudo parecer honesto – é a exigência mínima que o eleitor deve fazer de qualquer político. Como ele se posiciona (e se ele se posiciona; não se omite, ou se acovarda diante de grupos de pressão) e à qual corrente se filia é o que conta quando se percebe Política como assunto sério, com implicações duradouras.

Mencionar financiamentos de campanha irregulares – que ao que parece se alastraram até agora por quase todas, ou todas, as siglas – e igualá-los ao esquema de captação de recursos associado ao trabalho organizado por tentáculos do Poder é fazer o jogo do esquema político que demonstrou desejos totalitários indisfarçáveis. Não que irregularidades não devam ser punidas e desestimuladas, mas uma coisa é diferente de outra, e muito mais ameaçadora.

Há um movimento entre formadores de opinião no sentido de estabelecer uma suposta identidade comum entre todas as facções políticas e esta seria a corrupção. Todos políticos tradicionais seriam, sob esta ótica, corruptos, e apenas uma nova geração de políticos, com nova forma de fazer Política, poderia significar algum avanço institucional.

Ora, sou velho o bastante para me lembrar desta cantiga – o PT entoava-a muito; o Partido de universitários cabeludos e quadros técnicos seria o fim do ciclo de demagogia e corrupção que sempre enviava o País a uma ditadura, não sem antes empobrecê-lo. Chega de coronéis do interior e de colhedores de votos financiados por grupos econômicos nas grandes cidades; “gente jovem sem compromisso com o Ontem”, eis o que o Brasil precisa.

Agora esta canção volta com novo arranjo:  lideranças que não foram atingidas pela “Lava-Jato”, não importa o que defendam ou com quem faziam Política, seriam os nomes a substituir o elenco atingido por denúncias, ainda que haja nuances e gradações de envolvimentos nas irregularidades investigadas por este processo.

Há quem acredite que, portanto, seja a vez de políticos de Centro e Direita “limpos”, mas acredito ser esta uma receita de sucesso para o “Pós-PT”.

O “Pós-PT” é organizado, tem já o apoio da classe artística, de porção considerável da casta acadêmica, e ONGs e sindicatos ligados ao PT não se constrangeriam de apoiá-lo, mesmo que com ressalvas e reservas, pois seria a oportunidade última de sobrevivência destes organismos. A justificativa para aderir seria a “falta de opções”.

Que poderia a Direita contra isto, desunida e imediatista?

Uma Direita que replica a fórmula mágica de Tognolli nas redes sociais sem mesmo atentar para a superficialidade da análise (e Togniolli é dos mais cultos jornalistas de sua geração), que não questiona se igualar grupos simpáticos às ditaduras de Esquerda a meros beneficiários de esquemas de financiamento de campanha (não que isto deva ser tolerado, repito) não é temerário; uma Direita preguiçosa para ler e pensar, em resumo, estaria preparada para a próxima batalha da guerra pelo Poder?

O que escrevi sobre o impeachment de Dilma Rousseff;  o que ele significaria de dano político no médio prazo está no arquivo do blog. O que escrevi sobre o PT e sua política de nivelamento por baixo também. Parte destes escritos da fase petista (segundo Governo Lula) foram publicados no site 247, ainda com Claudio Tognolli entre os diretores.

Quando percebi que era eu um dos últimos blogueiros não-petistas a enviar colaborações ao site, o espaço já quase todo tomado por políticos do PT, e cansado de tentar convencer Leonardo Attuch a adotar mediação de comentários, deixei também de enviar colaboração.

Attuch sempre me tratou com gentileza (nunca deixou de responder emails), Tognolli jamais respondeu aos comentários que eu (que era dos poucos a comentar seus artigos, diga-se) postava sob seus textos. Talvez achasse pitoresco o blogueiro que sonhava com notoriedade colaborando de graça com o site fundado por ele. Site no qual permaneceu por tempo considerável após a deserção de muitos como eu, que comecei a enviar colaborações sob o entusiasmo do lançamento, anunciado por Tognolli em uma entrevista à Jovem Pan.

Por que escrevo isto, por que invoco o Passado?

Para mostrar que sou coerente, e ele, à sua maneira, também.

Ele parece achar ideologia uma besteira, um pretexto sob o qual delinquentes agiram. O que parece valer para ele, Tognolli, são suas boas intenções.

Eu já considero que estes políticos que exibiram gula de uma vara de porcos por luxos de consumo nos salvaram de algo muito pior. Fanáticos políticos que desprezam luxos costumam ser irremovíveis do Poder.

Que os leitores reflitam, peço.

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