“Notas”- 10/01/2017

Cid Benjamin no “Roda Viva” : O Pós-PT entrevistado

“Ainda bem que faz tempo que não sou mais dirigente do PT.”
Esta frase que cito de memória da entrevista de Cid Benjamin ao “Roda Viva”me parece a síntese da sua figura e de sua atuação no momento.

Tem razão, ser dirigente petista é ter que responder a muito questionamento desconfortável.

Melhor que não mais ter que responder pela sigla na qual militou durante anos é contar com jornalistas pouco dispostos a confrontar alguém da Esquerda, mas que se mostra “independente”. Cid Benjamin é também competente como entrevistado.

Repetiu sem cansar os argumentos que, na opinião de quem os defende, provam que o impeachment foi um “Golpe Paraguaio”: “ausência de crime de responsabilidade”, união de forças insatisfeitas, o tecnicismo da denúncia das “pedaladas”, a lembrança de que no presidencialismo não se depõe por incompetência ou impopularidade do Governo, etc.

Bom, quem me lê sabe o que penso do impeachment: um serviço prestado à Esquerda, processo montado sobre acusações técnicas que não convenceriam o Congresso não fosse este uma coletividade de políticos dispostos a se salvar. Mas golpe…

Tudo na fala de Cid Benjamim confirma o que tenho dito do “Pós-PT”, seu “Roda Viva” foi o “Pós-PT” entrevistado; um militante articulado, simpático, calejado e disposto a continuar a missão esquerdista sob outras bandeiras, com outras camisetas.

Às observações do jornalista de “Época”, Guilherme Evelin sobre a economia do PT – o que herdou de positivo do PSDB e o que errou sob sua inteira responsabilidade – respondia com evasivas que versavam sobre o caráter não esquerdista destas políticas.

Quando outro jornalista, Marcelo Bairão, enumerou as mazelas dos regimes socialistas, devolveu:
“E o capitalismo deu certo?”

Sobre Cuba, Benjamin também não foi inédito; comparações pertinentes seriam com os países da região da ilha dos Castro, não os Estados Unidos.
Quem compara os dois países? Apenas estúpidos.

Benjamin declama elogios aos “avanços sociais” da terra natal de Yoani Sánchez, mas prefiro acreditar nos milhares que há décadas vêm tentando escapar do paraíso que propicia saúde e educação “de primeira”.
Seriam todos estes fugitivos uns tolos, vitimados pela propaganda americana?
E falar nos países vizinhos a Cuba, por que os povos destes países não buscam refúgio na ilha perfeita, tão próxima?

E isto, leitores, responde por Esquerda moderna, livre dos vícios do PT.

Uma Esquerda que não consegue encontrar alternativas viáveis ao modelo de transporte coletivo, pois não se poderia, por enquanto, estatizar o serviço (quando seria estatizado, Cid Benjamin?) segundo o militante. O município (e não o usuário) pagar à empresa seria, segundo Benjamin, tão nocivo quanto agora, pois a empresa  poderia, em conluio com a administração, aumentar muito mais o preço final.

Mas para que serve uma Esquerda que não possui mecanismos de fiscalizar e administrar bem uma demanda vital, como a democratização do direito à locomoção? Se o direito de percorrer grandes distâncias dentro do município não deixar de ser, cada vez mais, um privilégio de quem pode pagar as passagens, por que a população acreditaria em setores políticos que se declaram aliados?

Outro ponto curioso foi o caso Celso Daniel: Benjamin cobriu o caso para o “Jornal do Brasil”, então sob a chefia do apresentador do programa, Augusto Nunes. Contou que procurara interlocutores de figura influente do PT para transmitir-lhe um recado: caso fosse vitimado por um raio, ou por um latrocínio, haveria dossiê em poder de pessoas. A tal figura influente do PT acusou recebimento da mensagem.

Benjamin apressou-se em declarar que não considerava o Caso Celso Daniel obra da cúpula do PT, e sim dos criminosos daquele esquema de corrupção. Bom, quem acusou a cúpula? Estranho ele ter procurado alguém que se deduz ser da cúpula para garantir sua integridade.

Outro ponto chave da entrevista foi a menção pelo jornalista Alípio Freire da queda do avião de Eduardo Campos – investigam a propriedade da aeronave, mas não o que levou ao acidente fatal.

Benjamin invocou sua experiência de militante de décadas para dizer que os Estados Unidos sempre se interessaram pela política brasileira.

A queda do avião do presidenciável pelo PSB rende muita especulação, o que penso ser inútil, ao menos agora, mas supor que os Estados Unidos tenham algo a ver com isto me parece nostalgia, paranoia requentada de uma Esquerda habitante mental da década de ’60.

E é esta corrente que a Imprensa julga inócua, um “mal menor”, “independente”.

Útil na entrevista foram as previsões sobre o futuro do PT numa fase na qual ele não mais significaria “mudança” para as massas, nem o PSOL alternativa no curto prazo.

Esta a dica sobre o “Pós-PT”: estas duas siglas compondo algo maior, um movimento amplo de forças “progressistas” que abrigaria as duas siglas mais “movimentos sociais”, ONGs, etc

Aposto que esta indicação – repito, o ponto mais importante da entrevista- foi percebida como um parêntese ligeiro.

E assim o “Pós-PT” diz a que veio.
Mais doce que ser ex-dirigente petista é falar aos que acreditam que o “Pós-PT” é um delírio de paranoicos.

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