“Notas”-13/01/2017

Sobre classe política

Por que o Brasil exibe neste momento escassez de políticos que possam ser Oposição significativa ao PT e ao Pós-PT?

Há nomes que se destacaram no processo de Impeachment, e que possuem predicados, mas são nomes regionais (ainda por se firmar no plano nacional) e personalidades isoladas em seus partidos. Ganhassem eleição presidencial e se veriam impossibilitados de agir, pois não teriam base de apoio parlamentar.

Talvez o Brasil nunca tenha tido o que estudiosos como Gaetano Mosca categorizavam como “Classe Política”, casta de agentes capacitados para gerir a sociedade partindo de um projeto de Poder e de uma escola de formação de quadros. Apenas a Esquerda no Brasil parece ter se preocupado com esta formação de quadros, ao menos de forma contínua. Houve tentativas no Integralismo (e em seu continuador na política institucional, o PRP – Partido de Representação Popular) que não sobreviveram aos revezes desta facção (Estado Novo e o imediato pós-64) político-ideológica.

A Esquerda foi, como dito acima, mais efetiva na formação de quadros. Dos primeiros grupos anarquistas aos círculos marxistas que formaram o velho Partido Comunista Brasileiro – PCB aos institutos do PT, a instrução de jovens ativistas e intelectuais foi vista como etapa primeira na luta pelo Poder. Política sem observar esta necessidade é campo de aventureiros apenas.

O que impede que Centro e Direita no Brasil formem seus quadros com rigor e critério? Penso que a ignorância da História e a crença absoluta no Poder econômico convencem as classes dominantes brasileiras que instituto político é parente próximo de uma escola de belas artes, uma necessidade secundária (quando admitem ser uma necessidade, bem entendido) na luta pelo Poder.

Observando a História do Brasil, encontramos líderes que surgiram por acasos biográficos: filhos de políticos que por sua vez descenderam de setores da classe dominante do Segundo Império, ou personalidades forjadas em circunstâncias históricas de efervescência militar (o médico Juscelino Kubitschek tornado figura popular no Túnel da Mantiqueira na revolução de 1932 é um exemplo). E os frutos destes pequenos círculos.

Penso no Antônio Carlos Magalhães (filho de político e discípulo de Juracy Magalhães) e em Leonel Brizola (discípulo de Getúlio Vargas), entre outros. São exemplos históricos notáveis, lideranças de porte, mas que não obedeceram à lógica da formação de uma classe política.

Antônio Carlos Magalhães criou sua própria escola, é verdade: além do círculo da política baiana que se formou ao seu redor (firmada na excelência da administração), educou um filho (Dep. Luís Eduardo Magalhães) que se notabilizou como parlamentar hábil e como presidenciável até ser colhido pela Morte e um neto ( o atual prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto) que vem se consolidando como liderança para o futuro.

Leonel Brizola não teve a mesma ventura: seu partido, PDT, perdeu importância após sua morte, e não deixou continuadores políticos.

Logo, confiar em personalidades fortes é aposta temerária, pois estas podem, ou não,  iniciar alguma escola. Podem deixar semente que frutifique após a morte física, ou legar desertos.

O que formaria uma classe política?

Além dos institutos que cada partido deve manter (e que estes institutos sejam de fato centros de debates e de estudos – o que não parece acontecer nos institutos partidários atuais), deve haver uma imprensa e um movimento editorial que atenda as necessidades culturais de cada geração. Uma imprensa que cobre com base histórica, e não baseada em modismos, e movimento editorial que mantenha linha de autores de natureza política em constante função.

Que temos de parecido com isto no Brasil?

Houve iniciativas, e na maior parte do tempo na Esquerda. Editoras como a “Paz e Terra” e semanários políticos (seja no formato tabloide ou revista) mantinham ciclos de debates e obras de referência. Isto era combustível para formação de quadros que terminaram no PT.

Hoje o próprio PT parece mal abastecido deste tipo de material, e não por acaso o nível de seus militantes caiu para o que lemos nas caixas de comentários: MAVs semi- analfabetos que conseguem debater insultando apenas.

O Pós-PT decerto nota esta deficiência, resta saber se iniciou ou iniciará algum movimento editorial e de formação de novas gerações de militantes lidos e treinados nos debates baseados em leituras.

Mas posso apostar que há na Esquerda quem se preocupe com isto, enquanto no campo que responde por Direita há auto satisfação ou ensaios de eruditos que se ocuparão de disputas pessoais por um pedaço de picadeiro.

País sem classe política é pasto para países que tenham classe política, ponto.

E campo de guerra civil entre selvagens concentrados na sobrevivência e domínio mais primários e imediatos.

Voltarei a este tema.

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