“Notas”-17/01/2017

Um Janeiro Muito Quente

Rebeliões, convulsões sociais e um calor notável… um Janeiro muito quente prenunciando 2017 infernal.

O ano se arrastará no jogo de nervos armado por quem se organiza: presidiários sob comando de facções que exibem capacidade de agir sob ordem conjunta e “movimentos sociais” dispostos a tornar a vida do atual governo insuportável até que ele renuncie ou se contente em apenas cumprir agenda até o próximo governo.

O calor exige adaptação e paciência, mas os outros transtornos do mês não poderiam ter sido enfrentados?

Michel Temer desperdiça ofertas que a vida oferece: rebeliões em série não são pretexto para se votar em regime de urgência pacote anti -violência?

“Ocupações” orquestradas não seriam estímulo para se propor alguma regulação no exercício destes “movimentos sociais”?

Temer parece considerar que o tempo por si resolve problemas; a desmoralização destes espasmos “democráticos” por si mostraria motivações políticas. Mas não é o que a História ensina: governos fracos atraem crises que são “cozinhadas” até a próxima safra de crises que são “cozinhadas” até que a autoridade se desfaça no caldo dos recuos e procrastinações.

Logo que seu governo começou, “ocuparam”o Ministério da Cultura, condenado por ineficaz, inútil. Temer voltou atrás quando deveria ter ido à TV mostrar que o momento exigia cortes de ministérios, e que responsabilizaria “ocupantes” e artistas que os apoiavam por quaisquer danos ao prédio. Foi? Enfrentou? Estas hesitações derrubam qualquer governo.

Há ministros citados na “Lava-Jato”? Que sejam substituídos sem demora. São gestos que sinalizam que o Presidente está desperto e cioso de sua autoridade.

Lembrei outro dia a um colega e leitor do blog a recomendação de Antônio Carlos Magalhães ao candidato à Presidência Fernando Henrique Cardoso quando houve problemas com seu primeiro candidato a Vice, Guilherme Palmeira:

”Arranje outro em 24 horas”.
“Em 24 horas talvez não dê”.
“24 horas; se em 12 tanto melhor”.

Está relatado no livro de entrevistas do político baiano, “Política É Paixão”.

Timing, senso de urgência; cozinhados pelo calor estamos todos, mas pela sensação de não termos Presidente, isto não precisamos.

Claudio Tognolli tem denunciado os cordões que têm manipulado os presidiários em seus massacres; que se vote lei que puna com rigor advogados e quaisquer outros colaboradores do crime; exército ocupando presídios pouco resolve.

Guilherme Boulos sendo preparado por setores da casta acadêmica e amigos da imprensa como o novo Lula, que se responsabilize não só o líder do MTST por violências, mas os que incentivam violências como forma de ativismo através de artigos de jornal ou utilizando a condição de professor universitário para militar. Liberdade de expressão é diferente de militar por uma causa; sendo a militância violenta, que enfrente as consequências.

Boulos parece ser aposta para suceder Lula, desta vez substituindo a simbologia do operário que toma o Estado pela do bem nascido que se junta aos excluídos para derrubar um Estado velho e incapaz de responder aos desafios sociais. Sua prisão serve aos estrategistas, o certo seria fazer apoiadores responder pelo que ajudam a promover de violência.

Que Temer espera para aproveitar estas explosões de começo de ano para motor de afirmação de seu mandato? Que os meses seguintes confirmem o mês inicial?

O fato da sua trajetória como político pouco autorizar gestos dramáticos não pode ser obstáculo para Temer; doze anos de PT não calam qualquer petista que acusa um Governo de sete meses por crises de anos.

Ou Temer aproveita este Janeiro de calor enervante para mostrar que é Governo, ou renuncie.

Ou convoca a classe política (ou o que responde por classe política no Brasil) para combater ou admite não ter temperamento para confrontos que a Política traz embutidos em si.

O País não suportará doze meses de invasões, e rebeliões.

“Ocupações” emendadas em outras “ocupações” com a cola da hesitação governamental?

E mãos hábeis se preparam para colher os frutos deste período de vacância de Poder sem vacância do cargo.

Um Janeiro quente como o de 2017 não lembro ter sofrido, muitos brasileiros não se lembram.

2018 será filho dele.

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