“Notas”-20/01/2017

Sobre os dois fatos da semana:
Morte de Teori Zavascki

Como usual em mortes bruscas, a suspensão da capacidade de análise atingiu muitos: o Ministro do Supremo Tribuna Federal, Teori Zavascki, relator do processo da “Lava-Jato” morre em uma queda de avião.

Não tem como não se desconfiar de coincidência tão coincidente, não?

O que de fato aconteceu as investigações contarão ao País; assinar embaixo das ditas teorias conspiratórias ou negá-las de antemão, me parece ligeiro, leviano. Mas como é este o feitio das redações…

Material jornalístico tenho visto nos vídeos e textos do jornalista Claudio Tognolli; mesmo com dados inquietantes, Tognolli não arrisca palpites, deixando que os fatos forneçam elementos para opiniões que deverão ser extraídas depois de tudo investigado e esclarecido e não invertendo esta ordem ao sabor dos diversos públicos.

Não vejo perigo para a “Lava-Jato”; não se faz tudo sozinho e a imprensa parece estar vigilante aos movimentos dos supostos interessados em sabotar este processo que parece que não é mais possível deter.

Não sei muito sobre o morto, me parecia equilibrado e digno da posição que ocupava. Votos controversos não são exclusividade de qualquer juiz ou Ministro de Tribunal Superior.

Teori Zavascki é personagem muito recente e como tal deve ser tratado. O Brasil parece ter desaprendido a lidar com personagens históricos, deseducado por “formadores de opinião” afoitos e descuidados das exigências do ofício: observação e distanciamento crítico.

O que me parece merecedor de atenção rigorosa é o comportamento dos jornalistas que cobrem o caso – disto podem vir maiores estragos que a morte do relator do processo mais explosivo da História do Brasil. Leviandades ou extrapolações neste momento de dor para a família e amigos do Ministro morto devem servir de critério para escolha dos serviços jornalísticos por parte do leitor ou telespectador.

Aos que citam dados frutos de reportagens sem citar as fontes, deserção do público; cumplicidade com larápios do jornalismo é cumplicidade com a cultura da rapina.

Uma morte inesperada e brusca no meio de uma das piores crises de nossa história.

Janeiro segue quente e veloz.

Posse de Donald Trump

Este acontecimento – a posse de um presidente eleito dos Estados Unidos – não deveria ser um fato político, mas foi. Cobriu-se como a coroação de um monarca, ou uma Revolução.

Trump assume o Poder presidencial com a imprensa mainstream – do seu país e a do resto do Mundo – toda contra si; uma honra considerando que a Imprensa nunca esteve tão deficitária de inteligência – o consenso na burrice e no conformismo.

Não me posiciono sobre Trump com qualquer sentimento; não sendo americano, não sou eleitor; não acreditando no Poder presidencial como ilimitado, não temo nem espero nada de definitivo no Mundo como fruto deste evento.

Acredito que o poder institucional tende a engessar o Poder advindo da força econômica ou da influência criada pela militância política. Mandatos, sobretudo presidenciais, domam qualquer espírito guerreiro. Fácil bravatear sem ter que lidar com o Congresso e a Imprensa sobre si; sem estes elementos de contenção, os movimentos são mais elásticos e possuidores de força dinâmica. Trump ou se molda à Presidência ou sofrerá toda sorte de constrangimentos até renunciar ou ser vitimado por um impeachment.

Logo, todo este circo montado sobre sua Posse é circo, apenas circo, nada mais que circo. Política se faz assim, criando fatos onde antes só há ideias soltas.

Querem ver como Trump se comportará durante seu mandato? Observem o que fará com os que incitaram o quebra-quebra em Washington na sua posse: ordenando investigação e punição, será mandato de confronto e enfrentamento de tabus; deixando passar como explosões do momento, será governo de acomodação com o Sistema, com ensaios de reformas.

Tem ao seu alcance o FBI para investigar quem financiou e arregimentou arruaceiros profissionais que exerceram o “direito à livre expressão” incendiando carros e depredando edifícios comerciais no centro da capital do país.

A cobertura do “GloboNews” tem sido constrangedora; Jorge Pontual, de Nova Iorque desmentindo boatos repetidos pelas jornalistas brasileiras do canal, é um jornalista. Pelo que vejo dele, nada simpático a Trump, mas jornalista.

Muitos, ao contrário, preferem agir como membros caipiras de um fã-clube situado longe, muito longe de suas casas.

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s