“Notas”-25/01/2017

“Ódio Certo No Alvo Errado”

O que se publicou nas redes sociais sobre o AVC que vitimou D. Marisa Letícia, esposa do ex-Presidente Lula é o retrato acabado do que responde por Oposição ou Direita no Brasil: uma gente desesperada, furiosa por motivos muitas vezes justos, mas incapaz de aprender qualquer coisa sobre Política; estímulos nervosos substituindo leituras; reações histéricas ocupando o lugar de reflexões e planejamento.

Há um ódio, e ele é útil e justo. Mas direcionado para objetos que não produzirão a combustão necessária, apenas o desgaste de sistemas nervosos já abalados por uma vida cada vez pior, e que promete ficar ainda mais severa em 2017: O ódio certo no alvo errado é o que vejo nestas reações a um fato que é um drama humano, não político.

Que o Brasil ganha com D.Marisa doente, ou morta? Qual compensação esperam estes desesperados obter desta fatalidade? Há alguma vingança que alcance uma senhora muito doente ou quase morta? Os insultos que esta senhora dedicou aos manifestantes, recomendando que estes enfiassem as “panelas no c*”serão cobrados no leito de hospital?

Penso que nem recomendar ao Lula que ele procure para sua esposa o sistema público de saúde que ele reputou exemplar ajuda nesta hora.

Compreendo as explosões de ânimo, sei o que é catarse, apenas julgo inútil este gozo com a dor alheia. Inútil e nivelador por baixo.

Deixemos aos urubus este prazer de urubus, este banquete do agrado de quem sempre desprezou a dor de quem se considera “inimigo”, não oponente. Rejeitemos o que sempre nos enojou nos que agora choram, ainda que muitos deles não abandonem o cálculo político entre um espasmo de dor e outro. Para muito militante da imprensa simpática ao esquema de Poder do PT, mesmo esta doença de D.Marisa é fonte de lucro, ao menos político.

Não me confundam com os que recomendam bons sentimentos por etiqueta social, ou por sentimento cristão de grife, apenas não percebo arma política letal neste AVC.

Os petistas decerto viram arma política na doença de Mário Covas; agredido por militantes partidários travestidos de professores nos portões da Secretaria de Educação; a cabeça sem cabelos, retrato da quimioterapia, não comoveu os que lhe aplicaram “cascudos”.

Lembrei, em comentário a um texto de Augusto Nunes na sua coluna, este episódio; mais que esta agressão, a explicação oferecida por Lula: “Covas sentou no formigueiro e agora se queixa”. Augusto Nunes vinha sendo patrulhado por escrever sobre Lula, então doente. Procurei o link da reportagem que me enojara na ocasião e o enviei à coluna no meu comentário. Forneci a ligação entre as duas atitudes; a de Lula e a dos seus adoradores. Nem todos têm memória curta, embora petistas acreditem nisso; minha memória é boa.

Lembro, por exemplo, que a ambulância que levou D.Leda Collor ao hospital (com a mãe de Fernando Collor inconsciente) foi chutada por manifestantes que esperavam na porta do hospital. Posso afirmar que foram petistas? Não. Afirmo que nunca vi nenhum petista deplorar este desrespeito humano na ocasião, ou depois.

Mortes de políticos que não eram do agrado de petistas nunca foram tratadas com respeito aos familiares. Nunca. Risadas, piadas e caricaturas pontuaram estas mortes. Que respeito parentes de “reacionários” mereciam? Duvidam? Procurem a imprensa por ocasião da morte de qualquer político tido como inimigo e vejam se exagero.

Portanto, sem lições de moral, certo? Quem levou a Política a este nível de esgoto onde mortes são recebidas com gargalhadas e maldições que aguente, que receba o reflexo no espelho da massa da face monstruosa que tem. Não falo nem do Lula que justificou ou não se desculpou por estes excessos de seus partidários, falo dos seus partidários mesmo. Da casta acadêmica e seu braço na Imprensa; plantaram o ódio, colham!

Mas que saibamos direcionar esta fúria para o que interessa: este modo de ver a vida, de confrontar as pessoas. Que saibamos odiar professores universitários que riem das vítimas da criminalidade enquanto choram bandidos mortos, que se odeie Imprensa formada neste molde; ódio assim é nobre.

Odiar uma senhora vitimada por um AVC é coisa de gente baixa, de gente que respira o ar do esgoto. Que deixemos para gente assim este direcionamento das paixões políticas.

Mas que não banquemos os caridosos, encenando compaixão quando não a sentimos.

Esta covardia, esta encenação de cristianismo, também é imunda.

Que deixemos também quem aconselha isto a quem merece.

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