“Notas”-16/02/2017

Lula liderando pesquisa eleitoral – surpresos?

A pesquisa da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), divulgada ontem, assustou aos que julgavam Lula morto, um “fósforo queimado”, apenas um futuro morador de Curitiba sob Sérgio Moro. Lula lidera, e 2018 fica logo ali, a um ano e alguma coisa.

São os que acreditam no que leem na “Veja”, ou o que sai nos comentários na internet. Este público leitor (e produtor) de julgamentos políticos de redes sociais não consegue entender que Política não se resolve com palavras de ordem pomposas e ocas. Há que fortalecer algum lado da disputa, só esvaziar o lado que se pretende eliminar da disputa é arriscado. Preferiu-se apostar na morte política de Lula e o resultado é este aí.

A prisão de Lula é ainda algo a se confirmar, mas o vácuo dos campos adversários é algo sabido. Tenho escrito no blog, e há alguns anos, que se governo ruim funcionasse como cabo eleitoral automático da Oposição, o PT já seria item de livro de História apenas. A Oposição tem que trabalhar para conquistar o Poder, e não apenas confiar numa lógica simplória que determina que governo ruim é sempre deposto pelas urnas.

Esquecem que:
Muitos acreditam que suas vidas melhoraram sob o PT. Em que medida são vítimas de ilusionistas e em que medida falam de experiências alheias às teorias, só um trabalho minucioso de pesquisa dirá um dia.

E também esquecem que:
Não adianta o governo do PT ter sido um torneio de demagogias e corrupção, se o que responde por Oposição é indigesto à maioria.

É necessário um trabalho de esclarecimento –e convencimento- da opinião pública que exige anos e que vem sido desprezado, pois “notícias de roubalheiras falam por elas próprias”. Por mais que resultados eleitorais seguidos neguem esta crença religiosa no poder do noticiário político-policial, a classe jornalística persiste no erro de não ilustrar, de forma eficaz, o que de fato foi o governo do PT.

“Não precisa, ninguém é burro”, decretam.

Escrevi também no blog que Minas Gerais, sempre Minas, tem dado um recado: “Não queremos mais o PT, mas o PSDB ainda menos.”

E Lula soube se descolar do PT, soube fazer um governo que era do Lula, com participação de seu partido mais outros tantos setores. Assim a massa percebe a figura de Lula, e seu governo. Dilma Rousseff, oriunda do PDT, foi muito mais associada pela massa ao PT que muitos consideram antipático e autoritário que Lula, que é membro fundador da legenda. Ilógico? Pode ser. Expliquem às massas a diferença.

A Imprensa foge dos seus deveres de formadora de opinião, de “Quarto Poder”, e o que se tem é o triunfo dos que sabem se comunicar.

Há também um desgaste dos políticos da Oposição, há um desgaste pelo que ainda não foi Governo mas que por se apresentar como alternativa tantas vezes…”os mesmos nomes, de novo?”

Jair Bolsonaro não tem crescido a ponto de ameaçar o PT, e a Imprensa tem sua parcela de responsabilidade. Qual capa “Veja” dedicou a este líder que tem apaixonado segmentos do eleitorado? Um “Roda Viva” com Bolsonaro já foi cogitado?

Penso nos nomes que brilharam no processo de impeachment de Dilma Rousseff e repito as duas perguntas:

Onde uma capa da “Veja” com o Senador Magno Malta? Quando um “Roda Viva” com ele?

Não lembro de capa da “Veja” com a Senadora Ana Amélia nem de um “Roda viva “ com ela. Por quê? Não se destacou nos debates com a tropa de choque do então Governo?

Simone Tebet não é senadora que também merece ser capa da “Veja” e entrevistada no “Roda Viva”?

O senador Ronaldo Caiado foi entrevistado recente no “Roda Viva”, mas já deveria ter inspirado capa recente da “Veja”.

Sem projetar, no plano nacional, nomes combativos e competentes na comunicação, é quase impossível barrar Lula. Estes nomes que citei seriam competitivos se projetados como merecem. Mas apostam em nomes surrados e já recusados em nome de um paroquialismo que dita que o candidato deve vir de São Paulo ou adotado pelas forças de São Paulo.

Imagino se um país como os Estados Unidos tivesse imprensa que só cobrisse nomes dos grandes centros; Jimmy Carter e Bill Clinton jamais teriam sido presidentes. A “TIME”, por exemplo era, não sei se é ainda, mais atenta aos nomes que se destacavam no Congresso, ainda que de estados mais pobres e /ou atrasados. A própria “Veja” já foi assim, lembro de capas com Ciro Gomes e Fernando Collor, dois políticos do Nordeste que se projetaram a partir do trabalho de uma imprensa atenta aos políticos “estrangeiros”.

Hoje se aposta no que parece garantia de sossego: a prisão de Lula e o fim eleitoral do PT. Isto parece bastar. Isto substitui, parecem imaginar jornalistas adversários do PT, trabalho de esclarecimento das massas e de promoção de possíveis opções eleitorais.

Por isto esta pesquisa foi um baque. E por isto esta pesquisa é bem vinda.

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