“Notas”- 24/02/2017

Sobre Levy Fidelix e o Pós-PT

O ex-candidato pelo PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro) à Presidência da República, Levy Fidelix, foi multado pela sua frase sobre a impossibilidade do aparelho excretor reproduzir. Esta sentença foi proferida em um debate das eleições de 2014.

A coluna de Mônica Bergamo na “Folha de S.Paulo” traz os pormenores desta condenação. Cheguei à esta nota da coluna pelo artigo dedicado ao assunto do Reinaldo Azevedo.

Fidelix parecia acreditar que a constatação de uma impossibilidade biológica seria argumento contra os defensores dos direitos dos homossexuais. Um ingênuo, um desastrado.

Não entro no mérito da fala. Simplória ou de preconceito feroz, não mudou nem mudará qualquer mente. Preconceitos e comportamentos agressivos contra quem não se gosta não são estimulados, ou construídos ao longo do tempo, por sentenças como esta.

Quando a ouvi pensei na temeridade de se dar espaço em debate presidencial aos candidatos de pouca expressão eleitoral; candidaturas viáveis sofrem redução de tempo em função de candidaturas que são excentricidades. Nada mais pensei e não notei na população que comenta jornais pendurados em bancas no centro da cidade mais que desprezo por uma candidatura sem chances que tomava minutos preciosos para apenas divertir, pelo ridículo, os telespectadores. Ou para indignar quem espera ver em um debate outro tipo de pronunciamento, mais adequado a um momento que se supõe decisivo.

Uma gargalhada no auditório e um massacre de ironia tratariam de situar a declaração do candidato à Presidência onde ela deveria estar, mas Eduardo Jorge do PV (Partido Verde) anunciou que iniciaria ação contra Felix por homofobia.

E ficamos assim: caso alguma declaração ridícula, ainda que inócua, ofenda algum grupo organizado, este grupo ou alguém desejoso de agradar este grupo pode iniciar uma ação que resulte em multa, ou mesmo detenção.

Muita gente está, desde 2014, encantada com Eduardo Jorge. Eu não.

Vejo-o como um legítimo exemplar do “Pós-PT”: crítico ao PT, mas defensor de muito do que o partido -e a casta acadêmica, seu berço- defende. Como tem discurso libertário, muitos o tomam por figura democrática, “aberta”, etc.

Que abertura e que democracia defende criminalização de pensamento?

A do “Pós-PT”.

Os pós-petistas asseguram que há correntes de pensamentos que podem levar aos comportamentos criminosos qualificados como “intolerantes”. Ora, quem agride um homossexual, ou qualquer outro membro de uma minoria por esta condição (ser membro de minoria que desagrade a este agressor) não é um “intolerante”, mas um criminoso. Ponto.

Esta condenação recente de Fidelix será apenas uma das que virão contra quem quer que emita juízo desagradável aos policiais da casta acadêmica a serviço dos “movimentos sociais”.

Mesmo porque outros grupos que se sintam ofendidos terão ao seu favor o princípio da igualdade da Lei: “se determinado grupo conseguiu penalizar alguém por uma opinião ofensiva, por que razão não teríamos o mesmo direito?”

E assim assistiremos muitos dos que aplaudem esta decisão contra Fidelix (e muitos o fazem por espírito de rebanho, para “ficar bem” com seus críticos do PT – “Não sou reaça, aplaudi a punição ao Fidelix”) serem também contemplados com processos por piadas contra feministas, “negros” (os negros oficiais, de movimento, que zelam pela propriedade cultural de vestes e adereços), etc, etc.

Quando a maioria perceber que comprou o “Pós-PT” por simplismo, por acreditar que todo crítico do PT é, por definição, excelente figura, a mordaça impedirá qualquer gemido.
Atacar o PT por seus defeitos deveria ser visto como nada mais que obrigação, mas é visto por simplistas (maioria, neste momento triste) como qualidade que por si justifica carreiras.

E assim , monstruosidades vão se impondo.

Que poucos tenham visto este episódio do Levy Fidelix como perigoso precedente, ilustra a descrição que tenho feito no blog sobre o entorpecimento político do brasileiro pós-impeachment. As ameaças à liberdade não são percebidas, sequer pressentidas.

Poderão dizer alguns:

“A Direita poderá aproveitar este precedente para processar manifestantes da Esquerda que profanem símbolos religiosos, que agridam sentimentos, etc.”

E responderia eu:
“Uma Direita que não consegue sequer se organizar para promover boicotes contra colunistas e órgãos de comunicação, conseguirá formar entidades que provoquem estas ações na Justiça?”

Negar esta realidade ainda é confortável. Até quando?

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