“Notas”- 23/03/2017

Sobre o ataque em Londres

O ataque em Londres foi mais um lembrete: “Não iremos desistir da destruição do mundo de vocês tão cedo”. Costumes que extremistas reputam podres, política que consideram ridícula.

Não encontrando resistência, avançam e avançarão; há um Ocidente a destruir e sobre estas ruínas erguer um Califado. Murmúrios e mensagens lidas no Parlamento não intimidarão estes destruidores de parques arqueológicos de valor incalculável, estes assassinos de crianças que não jejuaram no Ramadã.

Não parece haver, da parte dos países ocidentais vítimas, compreensão do que os ameaça; parecem que não tomam estes extremistas como mais que malucos, mais que aberrações de circo. A percepção de que se trata de gente compenetrada da missão de destruir não parece ter alcançado o círculo dos que tomam decisões.

Parte da culpa cabe à imprensa que não mediu esforços no sentido de tirar destes eventos trágicos o dramatismo histórico; reduziram estes assassinatos como “manifestações de fanatismo”, “explosões de intolerância” e outras pieguices do gênero. Demoraram a identificar os erros políticos dos que julgaram estes monstros preferíveis ao Assad da Síria. Durante algum tempo, ao menos em português, apenas Pepe Escobar analisava com seriedade de estudioso e repórter o fenômeno do “Estado Islâmico”.

Bom, agora eles estão aí e interessa pouco traçar a genealogia do grupo; como combatê-lo é a questão que está (ou deveria estar) esgotando as mentes dos planejadores.

Não sei como andam as leis anti-Terror depois do “EI”; as atuais parecem ter se desmoralizado. Estes movimentos extremistas são bons em desmoralizar leis geradas por mentes convencionais, de um mundo convencional que cessou de existir.

Como combater extremistas se há intelectuais que relativizam seus crimes (podem criminalizar quem considera crime ações de “ativistas de outra cultura”) e políticos que sofrem as pressões da imprensa influenciada por estes intelectuais? A casta acadêmica é um deus com sede infinita de sangue, o Poder de teorias abstratas se nutre de fornecimento ininterrupto de sangue. Lágrimas e gritos de desespero são pormenores que serão no fim absorvidos pela História, acreditam estes sacerdotes de departamentos universitários.

Quantos não riram no Brasil com a recomendação de Dilma Rousseff sobre diálogo com o “EI” na ONU? Pareceu a muitos mais uma de suas “pronatequices”, mas quem, como eu, conhece o “pensamento” universitário, sabe de onde a então Presidente do Brasil colheu esta concepção de política com terroristas. Nas “Humanas”, poucos consideram extremistas anti – ocidentais os vilões deste drama.

Isto é fenômeno mundial, ou ocidental, ao menos.

Políticas de defesa de potências têm refletido esta leitura do Mundo; e o Ocidente está pronto para ser pasto de gente tão decidida quanto obtusa. Parece que obtusos têm mesmo a virtude da obstinação; inteligentes tendem ao temor de represálias e se acovardam ao primeiro sinal de reprovação do círculo social.

Lembro algum neocon (talvez William Kristol) declarando a necessidade de se deixar hipocrisias de lado no combate ao inimigo; a tortura em certos casos seria, segundo este neocon, o único meio de se combater.

Lembro também um episódio narrado por Bob Woodward em seu livro sobre a CIA sob Ronald Reagan, “VEIL”: quando terroristas sequestraram um familiar de um agente da KGB, o serviço russo devolveu o corpo de um membro do grupo em condições apavorantes; o familiar do agente foi então devolvido. O que causou a observação de Reagan sobre o realismo dos soviéticos em situações do tipo.

Cito de memória, mas em linhas gerais foi isso aí: os soviéticos aprenderam a lição de Maquiavel sobre o poder pedagógico da represália.
Ocidentais temem “retornar à barbárie” e este temor fará o Ocidente mergulhar justo na barbárie. O Mundo tem essa lei: o que amedronta domina.

A Alemanha tem sido palco de estupros coletivos, espancamentos, depredações; como se defender após anos de tabus na discussão política? Rainer Werner Fassbinder advertia que o modelo de democracia que não comporta críticas à democracia não pode ser democrático e não pode durar; a Alemanha de seu tempo já era dominada pelas convenções e limites mentais. Fassbinder era simpático aos imigrantes, e fez mesmo um belo filme sobre a relação dos alemães com eles, “O Medo Devora a Alma”, mas os imigrantes dos anos de sua vida pouco tinham em comum com a horda que marcha pelas ruas alemãs hoje.

Analistas apressados atribuem ao sentimento de culpa pelo nazismo a passividade alemã de hoje; aposto no sentimento de culpa pelo tratamento dado, por décadas, aos “turcos”. Mas este sentimento não pode justificar omissões criminosas. Nada pode justificar o que houve em Colônia, por exemplo.

Como mudar a mentalidade das vítimas frente aos carrascos?

Penso que se os ingleses não quiserem repetir episódios como o de Jean Charles de Menezes, no qual  mataram um inocente, deverão elaborar leis anti-Terror que mire nos cúmplices intelectuais dos terroristas. Deveria ser punível um jornalista, ou escritor, ou professor universitário, que relativizar (ou louvar) ações terroristas. A liberdade de expressão não pode continuar sendo abrigo para criminosos. Que se responsabilize os que agem como incentivadores ou atenuadores, na academia ou na Imprensa, de atos de terror.

Ou que se rendam todos aos que anunciam um mundo alternativo ao mundo podre e decadente da Civilização Ocidental! Caso esta civilização pereça por covardia, terá sido morte merecida.

Chega de tratar dramas com frivolidade e observação de boas maneiras.

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