“Notas” – 13/04/2017

Sobre a “Lista de Fachin”

E saiu a Grande Lista, elaborada por Edson Fachin, com os nomes dos delatados na “Lava-Jato”. Há quem acredite que será uma bomba higienizadora sobre o mundo político, “nada será como antes”, etc.

Uma troca de turno nas diversas legendas contempladas com denúncias, penso.

Muita gente ali será, ainda que nada se prove, aposentada da Política. O estrago na imagem de qualquer citado neste rol é garantido. Nomes mais jovens terão tempo para recompor a biografia, os mais velhos…

E tem gente ali que é acusada de “Caixa Dois” apenas. Não que não seja algo reprovável, mas penso que igualar um político cujo comando da campanha se valeu deste expediente para disputar eleição sem outra acusação com corruptos provados (ou a um passo da prova) é o mesmo que igualar um batedor de carteiras com um latrocida. Ou um agressor verbal com um espancandor. Como retórica de renovação na Política, tem seu lugar, mas como justiça enquanto punição adequada ao delito, não.

Acontece que há uma pressão para que se iguale todos os políticos nesta “faxina das instituições”, sob a ameaça de invalidar a “Operação Lava-Jato’” como um todo. O raciocínio é o seguinte: não se pode punir quem depenou a Petrobrás sem se punir também quem teve a campanha financiada de forma irregular.

“Ou se está perseguindo o PT e o PMDB apenas.”

Qualquer um consegue perceber que esta extrapolação é fruto da chantagem de quem não reconhecerá a “Lava-Jato” como válida, ainda que todos os tucanos forem presos, cassados, etc. Sempre haverá quem diga que a pena imposta aos adversários do PT foram brandas.

Não caio nessa. Como não caí na promessa do futuro glorioso pós-impeachment.

Não consigo aceitar a lógica que iguala o “Caixa Dois” aos assaltos a uma empresa estatal e aos fundos de pensão. Quem a aceita o faz por simplismo, ou por covardia. Ou simplismo movido por covardia: “Me chamarão de coxinha, ou tucano, se eu não engrossar este coral.”

Há hipocrisia em tudo isto. Não se explica como se financiarão campanhas com este modelo político. Não se explica como isto é tão grave como corrupção sem licenças retóricas. Igualar delitos, ou mostrá-los sob a ótica de equivalência moral, não aceito.

Não aceito porque não aceito isto aplicado aos políticos honestos e bem -intencionados do PT. Ou do PC do B. Que destes partidos sejam apontados como corruptos os corruptos; o que estas siglas carregam de daninho deve ser combatido de outra maneira, com outros meios.

Isto deveria ser óbvio, deveria ser vergonhoso escrever isto. Mas o óbvio é escândalo neste momento de analistas políticos improvisados, decretando distorções nas redes sociais.

Escrevi no blog sobre os que escrevem no twitter como militantes de uma neutralidade que só engana quem deseja ser enganado; esta neutralidade de gabinete terá nesta lista seu argumento, ainda que a lista seja de nomes ainda sob investigação. Ansiosos por vender o “Pós-PT”, estes militantes virtuais estão dispostos a saltar fases de investigação e nuances (insignificantes, para eles) para apressar o advento da “Nova Política.”

Onde entra o Pós-PT?

Com a desmoralização de um sistema político em bloco, o “Pós-PT” (o aglomerado de siglas da Esquerda tonificado por ONGs e movimentos sociais) será a única opção concreta. Não por escolha das massas que, concluirão que “se todos são iguais, o melhor é o PT”, como vem prevendo Reinaldo Azevedo. Mas por disposição de quadros no “Pós-PT”, prontos a ocupar os vácuos do Poder. Até que as siglas consigam se recuperar, os espaços de representação serão remodelados por estes ativistas e pelos políticos da Esquerda que porventura tenham escapado das acusações.

Não é simples?

Esta obviedade é negada por muitos que se negam a enfrentar o que assusta na política como ela é: senso de oportunidade e utilização dos recursos humanos disponíveis. Quem, no Brasil, domina estas duas ciências é a Esquerda, ponto.

O resto…se ocupa de elaborar memes e encomendar foguetes para comemorar vitórias que nunca chegam. É assim desde a primeira eleição de Dilma Rousseff, não?

O Brasil confirma pessimistas, para fúria dos otimistas que asseguram o pessimismo ser profissão de alguns. Há quem diga que é bom negócio prever malogros e assim faturar como profeta, mas a verdade é que esta acusação sempre vem de quem nada prevê porque nada vê, por incapacidade, por tolice incurável.

Não consigo prever nada de bom até 2018, considero mesmo que se sentirá saudades do tempo em que o sonho era apenas afastar o PT.

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