“Notas”- 27/04/2017

Sobre a “Greve Geral” – Véspera

O Centro de BH hoje, véspera da “Greve Geral”, estava com clima de véspera de feriado; pedestres se atropelando e carros furando mais sinais vermelhos que o normal no inferno que antecede alguma fuga geral da cidade. Não ouvi muito sobre a paralisação convocada pelas centrais sindicais; os planos para o dia sem trabalhar eram o assunto das bocas.

Não culpo os que se mostravam eufóricos com a folga compulsória; ônibus paralisados e demais serviços ameaçando parar anulam quaisquer acusações que se possam fazer aos trabalhadores que planejam seu descanso.

O Governo Michel Temer não se esforçou em comunicar seus pontos de reforma à população como deveria e as centrais sindicais se ocuparam de transmitir sua mensagem. Fazem sua política pró-PT auxiliados pelo temor da população; alguns pontos da Reforma da Previdência foram herdados do Governo Dilma Rousseff, mas quem se lembra?

Os petistas e seus braços no sindicalismo e nas Universidades não lembrarão esta história.

O impeachment presenteou Temer, e o Brasil, com esta vasta plantação de abacaxis.

Onde os apoiadores do governo que não lembram isto às massas? Onde a colaboração com o governo no esforço de desmoralizar os demagogos?

Não há quem veja necessidade disto, parece. Basta recitar números e anunciar o desastre final que arrasará o Brasil caso as reformas não frutifiquem.

Escrevi sobre este espírito tecnocrático dos nossos liberais no post anterior (tratando da entrevista de Eduardo Giannetti da Fonseca ao “Roda Viva”).

Como a paralisação promete ser de ampla adesão (devido à falta de transportes), amanhã será dia de vitória para os apoiadores do PT. Martelarão este sucesso nas suas redes sociais e na sua imprensa – a que não morreu com o impeachment de Dilma como muitos anunciaram, como sempre anunciam os que acreditam apenas no dinheiro como motor de certos movimentos: “minguando o patrocínio não restará um só destes sites e blogs.”

Penso que este governo de ocasião não precisava se haver com estes embates; bastava fazer correções pontuais até o próximo governo. Dilma Rousseff ao anunciar a intenção de reformar a Previdência assegurou que não governava para o PT e sua cassação a livrou destes atritos com apoiadores do seu partido. Com o processo de impeachment, a ideia das reformas entrou em banho-maria. Tirá-la deste repouso foi um erro, erro que alavancará a volta do PT.

Do que li a respeito, alguns pontos são até positivos, e mesmo estes seriam adiáveis. Um ano ou dois quebrariam o Brasil, como se alardeia? Lembro do Fernando Henrique Cardoso defendendo algumas reformas em seu governo, prevendo que governos futuros teriam dificuldades, não o seu…

Há quem aconselhe Temer a “aproveitar a impopularidade” para empurrar suas reformas, como se as discussões e o esclarecimento da população fossem luxos de um político de última ordem, preocupado apenas com seus votos…

Acredito que muito deste ímpeto vem dos “formadores de opinião” acreditados pelo governo do Presidente Temer, que asseguram que, “o PT está morto e enterrado e agora é trilhar o caminho da modernidade”. Sabem os leitores como estes lugares-comuns, com feitio de slogans de banco, são reiterados por certa imprensa…

E o resultado é este aí: um feriadão compulsório e o gosto da derrota permanecendo na boca dos adversários do PT por meses. Na melhor das hipóteses, claro. Na pior, 2018 uma população apática e pronta a esquecer tudo o que soar como derrotismo; “pior que este Governo Temer não será…”

Amanhã lerei o que se publicar a respeito; prisioneiro em casa também. Como tantos outros. Adivinho colunistas que negarão o sucesso da paralisação por compulsória (“só havia camisas vermelhas nas ruas”) e outros que, mesmo atacando o PT se sentirão obrigados (pois têm pavor dos rótulos dos que já os consideram “reaças” ou “coxinhas”) a elogiar os que marcharão contra o “Vampiro Temer.”

As piadas, as demonstrações de menosprezo, as fotos e as legendas…tudo previsível, tudo chato. Tudo confirmando o deserto mental do Brasil de hoje.

Não me assusta o desinteresse de muitos com política; as resenhas não ajudam a formar adeptos do esporte, entendem? Quando o cidadão comum lê “análises” que parecem textos motivacionais de torcidas, com linguagem de rede social, volta à coluna de esportes.

Quem condena o desinteressado pelo noticiário não tem senso de linguagem, penso. O interesse popular do pré-impeachment não resistiu à idiotice dos textos comemorativos – de quê? Em algum ponto, rompeu-se o namoro das massas com o noticiário político, e penso que foi quando a imprensa jogou água fria no debate, apoiando sem reservas o governo substituto. Ou antes, quando a Imprensa não mostrou indignação suficiente com o fatiamento da sentença de Dilma Rousseff.

Possível que o próximo post trate deste circo, circo que teve a lona e o picadeiro cedidos por um governo generoso neste tipo de oferta.

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