“Notas” – 29/04/2017

Sobre a “Greve Geral”; o Dia 28, enfim

Não tem muita graça prever certas coisas no Brasil; a escassez de possibilidades desmoraliza qualquer aspirante a profeta. O que escrevi sobre o que seria a “Greve Geral” e como ela seria coberta nem chega a ter mérito, pelo óbvio.

“Estes pelegos surrando pedestres no Santos Dumont desmoralizaram o movimento, não?”

Para nós que não gostamos desta categoria de agressores não foi surpresa, para os que apreciam…fizeram sua parte. Para os indiferentes, o que mudaria? Foi a primeira vez que pessoas são agredidas por não corresponderem ao padrão destes donos das ruas quando passam por eles?

Na Universidades, engana-se quem pensa que apenas direitistas declarados são hostilizados ou isolados; os que se mantêm neutros também sofrem as sanções dos que exigem adesões e obediência. E como não se unem para o que quer que seja, são alvos que se oferecem aos que estão mesmo procurando alvos.

Repórteres da “imprensa golpista” agredidos, corridos dos lugares, sofrendo ataques nas coberturas (o padrão do agressor é o estudante de classe média, gordote, barbudo e “esquerdista antenado”) são alguma novidade? Os apresentadores do estúdio não esboçam qualquer protesto, decerto temendo também ser agredidos, por mensagem ao programa ou nas ruas, como seus colegas.

Tem sido assim desde a crise do impeachment.

Os simpatizantes do PT andavam cabisbaixos, sem ânimo para maiores demonstrações de fanatismo, até que o impeachment se mostrou uma realidade próxima e adversários do PT baixaram a guarda.

“Vencemos!”

E os que pareciam mortos resolveram esclarecer que não estavam…e continuam mostrando que estão vivos e dispostos a cobrar cada insulto engolido, cada plástico retirado do carro, cada bandeira do partido escondida no fundo do armário.

“Eles ganharam para fazer o que fizeram no dia 28.”

Não sei se ganharam, se a ração de mortadela e alguns trocados foram os únicos incentivos. Aposto mais na defesa dos que conquistaram nestes anos, empregados que estavam, todos eles. E o estímulo da impunidade operando como combustível.

Quando você impede fotógrafos de fotografarem, repórteres de fazer suas coberturas, surram transeuntes, e nada acontece, por que parar com a brincadeira? Não é gostoso o sentimento de propriedade das ruas? O Poder é moeda que permanece incompreensível à classe média leitora de “Veja”, parece.

Além deste brinquedo de “Proteste & Barbarize” há a popularidade da causa: muitos consideram estas reformas propostas pelo Governo Michel Temer inoportunas e injustas, sobretudo mal- discutidas e pior explicadas. E as imagens de agressão passam com facilidade por excessos de alguns radicais.

“Um pessoal equivocado, mas boa gente, compreendem?”

Houve diversos protestos onde a violência foi mínima, e os oradores foram hábeis em discursar para sua claque e alguns ouvintes de ocasião sobre as perdas em potencial embutidas nas reformas trabalhista e previdenciária.

Logo…o protesto foi um sucesso, sim senhores.

Não esperem que eu engrosse o coro do “Vejam, que mico! Como não têm adeptos no povão, apelam para a violência.”

Não, pois a violência não começou no dia 28, e escrevo sobre ela desde as “Jornadas de Junho” de 2013

https://fernandopawwlow.wordpress.com/2013/06/28/uma-sugestao-de-pauta-para-protestos-e-500-milhoes-o-preco-de-uma-ideia-cretina/

Há uma constante de violência nestes protestos. Nem mesmo foi a primeira vez em que ameaçou-se avançar sobre a residência de Michel Temer em São Paulo. Prendeu-se alguém?

Como o cidadão comum não se sentirá sem Presidente, se este não tem sequer a casa segura?

Os depredadores de prédios e estabelecimentos comerciais foram identificados para que respondam pelo que fizeram?

Tudo lembra 2013, e tudo desanima quem se dispõe a enfrentar esta coletividade intimidadora. “São poucos, meia duzia”, dizem os que não ousam colocar-lhes qualquer freio.

Agiram no dia 28 e não duvido que voltem a agir no “Primeiro de Maio”.
Por que perderiam a data? Arriscariam o quê? O que justificaria algum recuo neste momento?

Pois, repito, contam com a simpatia da população que não deseja reformas neste momento, sem que se discuta perdas e ganhos com prazo maior.

Escolheu-se o pior, desde o início do processo de impeachment, e pagamos todos o preço por interrompermos um processo histórico inédito no Brasil, onde populares discutiam votos de Ministros do Supremo como se discutissem futebol. Isto demorará muito a voltar.

E não se ganhou qualquer coisa com isto, esta é a verdade que poucos querem admitir.

“Troca uma bicicleta nova por uma caixa de fósforo?”

“Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!”

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