“Notas” – 13/05/2017

Sobre Antonio Candido

Antonio Candido foi nome que aprendi a respeitar na adolescência; o que lia sobre literatura brasileira então sempre fazia menção à sua importância como crítico, e tantas citações de um autor me fizeram procurar seus textos. Acho que já escrevi sobre a importância de se procurar autores por estes caminhos, não? A curiosidade é peça principal em alguém com pretensões intelectuais. Hoje isto foi substituído pelas adoções de autores por círculos de estudo com autoridade, e as proibições também são obedecidas.

Lembro de ensaio seu publicado no fascículo dedicado ao Nietzsche na coleção “Os Pensadores” e de outro ensaio (ou prefácio) no livro “O Amanuense Belmiro” do Cyro dos Anjos. Ambos textos preciosos que me confirmaram os elogios e o tratamento de “Mestre” dedicados ao professor por parte dos grandes da literatura brasileira.

O fato de ser um apaixonado pelo PT não me pesou como virtude ou defeito, nunca. Mesmo nos dias em que fui eleitor e simpatizante do partido, seus méritos como expositor é que me importavam. Para alguns professores, a militância do crítico no petismo era o ouro na balança. Ao me tornar antipatizante do PT, isto (a posição política de Candido) não me pesou nada, e vi então que admirações de rebanho são diferentes mesmo das admirações genuínas; pelo mérito, não pela ordem do grupo.

Ganhei com isto; a leitura de capítulos da “Formação da Literatura Brasileira” não estragou, ao contrário. Ensaios esparsos e capítulos de outros livros seus (por diversas razões, nunca li um livro inteiro de Candido), idem. Por minhas conversas com professores e colegas da Letras, me vi admirador do que li pelo que li. E isto não troco por citações compulsórias, como muitas das que presenciei.

Há, entre gente que conheço, quem não o leia pelas mesmas razões que fazem outros o ler, e lamento. Engraçado como direitistas não se consideram “patrulhadores”, ainda que o sejam, às vezes mais que esquerdistas. Mais que esquerdistas pela inconsciência do patrulhamento.

O Brasil fica mais burro e regressivo assim. Um discurso em um evento pró-PT anula, para muitos, uma vida inteira de estudos e livros.

Eu, nesta semana da morte de Candido, me prometo ler a “Formação” ( da qual li capítulos na faculdade) inteira. E “Tese e Antítese” e os ensaios de “Brigada Ligeira”…

Recusar a obrigatoriedade de escolher entre autores por simpatias ideológicas é cada vez mais impositivo neste momento onde filmes são alvos de protestos por parte de cineastas. A cada estudioso que recusa ler Candido por ser petista, alegando que prefere ler o autor X ou Y (muitos o fazem anunciando leituras dos ensaios de Otto Maria Carpeaux), este Brasil de cineastas que retiram seus filmes de um festival para banir um documentário se fortalece, torna suas raízes mais difíceis de sanar, ou remover.

O trecho da “Formação” no qual Candido defende a necessidade de nos interessarmos por literatura brasileira por esta ser a nossa, a despeito de percebermos suas falhas, é irmão da mesma recomendação do Paulo Emílio Sales Gomes sobre o cinema brasileiro.

Paulo Emílio Sales Gomes e Antonio Candido, dois intelectuais de Esquerda; dois intelectuais. Ponto. Paulo Emílio foi defender o cinema brasileiro no Infinito nos anos’70. Sobrou Candido. Esta semana, o segundo se juntou ao primeiro.

Seria o último?

Sobre Nelson Xavier

Minha lembrança mais antiga do ator Nelson Xavier foi no seriado no qual fazia Lampião, nos anos ‘80.

Anos depois, outro desempenho televisivo me marcou: como o malandro de “O Pagador de Promessas”. Outro seriado, do tempo em que a Globo fazia seriados que o Brasil seguia e sabia serem bons.

Filmes, e outras novelas, me confirmaram a admiração da infância e adolescência: em “A Queda” do Ruy Guerra, “O Rei do Rio” do Fábio Barreto, seu Chico Xavier já clássico…

Lembro também uma novela na qual ele fazia um malandro paulistano, de bigodinho e expressões características. Da novela pouco lembro, do seu personagem…como ri.

Mas assim é. Há estes desfalques cada vez mais difíceis de recuperar na Cultura e nosso desejo do deserto ser contido por novos talentos. Pelo que tenho visto na TV, demorará um bocado. Há um estoque de mediocridades que penso ser difícil de remover para dar lugar aos talentos que surgem, e sempre surgem.

De minha parte, homenagearei o ator revendo no “YouTube” o que dele tem por lá…”O Bom Burguês” do Oswaldo Caldeira, “O Rei do Rio”…

E meu preferido entre seus filmes e entre seus papéis: Zeca Catitu, no “Rainha Diaba” do Antonio Carlos Fontoura (texto de Plínio Marcos).

O elenco do Além cada vez mais rico.

Vamos aos filmes, pois!

Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s