“Notas” – 17/06/2017

“Deixa…uns pobres diabos”

Quando não se deseja enfrentar ameaças, por que não minimizá-las?

Gritam no seu ouvido no saguão do aeroporto? Atrapalha-se uma transmissão ao vivo colocando faixas como “Emissora Y Golpista”? Picha-se as paredes de uma emissora ou empilha-se lixo na porta de uma editora?

Nada de reagir, nada de ensaiar reações:

“Deixa…uns pobres diabos. Eles próprios se desmoralizam.”

Bom, não vejo qualquer desmoralização resultante desta política do “deixa pra lá”; a ousadia dos ataques e sua frequência negam a sabedoria destes conselheiros da passividade, sempre negando ameaças na esperança que, desta negativa, elas enfim cessem de existir.

Li que delegados do PT hostilizaram Míriam Leitão em um voo e assisti vídeo onde Alexandre Garcia é assediado em um aeroporto (parece que o “manifestante” seguiu com a provocação mesmo durante o voo). Nenhum policial interveio, nenhum funcionário do aeroporto impediu que o sujeito gritasse no ouvido de um senhor.

“Não se pode impedir liberdade de manifestação.”

Ora, quando é um manifestante sem as garantias de um partido ou ONG, alguns manifestantes são sim repreendidos. O que há é agressão, assédio, abuso.

Considero estupidez quem aplaude assédios de petistas por “manifestantes” em aeroportos. Escrevi no blog sobre o assédio sofrido por Chico Buarque na porta de um restaurante;  percebi inutilidade e estupidez naquele episódio (ignorar o compositor seria o recomendado). Que pensam os que agem assim? Que pensam combater do petismo com estas práticas que nada mais fazem que legitimar atos similares de petistas e associados?

Penso que a covardia veste a casaca da altivez quando não se processam agressores. Houvesse a prática de recorrer à Justiça contra quem se julga no direito de agredir antagonistas políticos, o nível das lutas políticas seria obrigado a subir.

Quanto ao que sofreu Míriam Leitão penso que não se pode esquecer que ela sofre campanha permanente de sites pró-PT. O site de Paulo Henrique Amorim se referia a ela como “urubóloga”. E outros sites acusavam-na de (mesma acusação de Amorim, diga-se) projeções pessimistas de fundo político contra o então governo do PT.

Era inimiga. E inimigos se perseguem nas ruas, segundo a concepção política dos totalitários. Contra o que carrega nas costas o cartaz de identificação “Reacionário” vale tudo: gritar no ouvido, empurrar, cuspir. Desumaniza-se o oponente, um alvo não é humano. É coisa, e coisa não há de se incomodar com certas modalidades de manifestação, não é mesmo?

Lembro dos militares idosos sendo alvos de pichação em suas casas e cuspidas no rosto por parte do que se chama de “Levante Popular da Juventude”, ao que parece a juventude do PT. Como alguns teriam sido torturadores ou superiores hierárquicos imediatos de torturadores, considerou-se razoável que passassem por estes constrangimentos; afinal defendê-los seria assinar embaixo de uma confissão de simpatia por torturadores.

Foram os dias da “Comissão da Verdade”, lembram-se? Jovens cumprindo o papel heroico de praticar o “escracho” sob aplauso, ou omissão, da Imprensa. A mesma Imprensa que se pronuncia agora quando membros da categoria sofrem o “escracho”. Nem cobro da Míriam Leitão o silêncio sobre o “escracho” daqueles dias. Primeiro: não sei se ela se manifestou de alguma forma, e Segundo: ela afirma ter sido torturada no início de uma gravidez e considero o direito à satisfação íntima (se houve, bem entendido)  legítimo neste caso.

Mas alguns colegas não foram torturados e poderiam considerar que estes “manifestantes” estavam se portando como tropa de assalto, exercendo direito ilegítimo de punição, e se calaram. Não escreveram uma vírgula a respeito.

Olha, respeito mais quem escreveu notas elogiando os “escrachadores” que os que se omitiram. Os primeiros exerceram direito de opinião, os segundos se acovardaram.
E o preço da covardia é este: sofrer as mesmas agressões que assistiram.

Augusto Nunes escreveu que Lula é o responsável pelo ataque verbal sofrido pela colega, pois estes delegados vinham de comício no qual o líder petista discursara contra a Imprensa (ele discursara na véspera ou antevéspera) em geral e contra Míriam em particular. Claro que as palavras de Lula tiveram seu peso no episódio, mas a jornalista, como escrevi acima, é alvo da imprensa pró-PT há anos. Lula apenas jogou mais gasolina na fogueira já alta.

Adverti o jornalista algumas vezes sobre o tipo de imprensa de internet pró-PT que crescia, e era replicada por inúmeros blogs que abasteciam a militância. Escrevi nos comentários que fazia em seus textos no site da “Veja” e, não escondo, pedindo para não publicar alguns comentários. A resposta não variava: que eu deixasse de importuná-lo com menções aos “pobres diabos sem leitores”. Esta imprensa, segundo AN, não falava para ninguém além dela própria, e desapareceria assim que o patrocínio estatal cessasse.

Mudou o governo, ela desapareceu?

Como parecem remotos os dias pré-impeachment; os petistas removendo plásticos de seus carros, de cabeça baixa, pretextando voto na candidatura do partido por mero sentimento anti-PSDB. Após o impeachment, ressurgiram com ferocidade aumentada, multiplicada muitas vezes, alimentada por crise de um governo que não é governo e pela nenhuma resistência a eles.

Quem assume culpa, quem reconhece derrota?

O mais fácil é minimizar o perigo, atribuindo-o aos “poucos covardes, meia dúzia de cinco alucinados que querem que nos rebaixemos ao nível deles”.

“Deixa…uns pobres diabos.”

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