“Notas” – 30/06/2017

Não tenho tido oportunidade de atualizar o blog, como devem ter percebido os leitores. Não vivo do blog, e o que posso é me desculpar aos que comparecem a esta página e não encontram conteúdo novo.

Publicarei duas notas redigidas por estes dias. Assuntos um pouco passados, mas que merecem registro. Este não é um blog de notícias, e sim de reflexões, e estas não exigem novidade.

Um aceno aos militares em nome do “Pós-PT”

Olavo de Carvalho observou certa vez que interessados em saber os próximos passos do PT deveriam acompanhar o site do Paulo Henrique Amorim. Volta e meia escrevo aqui no blog sobre o “Conversa Afiada”, no qual militantes do PT e PC do B mais simpatizantes do PDT e outros aparentados buscam slogans, palavras de ordens e apelidos para serem replicados em seus blogs e caixas de comentários. Não esquecendo das redes sociais. Mas muitos continuam na decisão de ignorar o site pelo que este tem de irritante e grotesco.

Lembro de ter escrito sobre a técnica das frases curtas de Amorim ser talhada para o uso de militantes, e não uma deficiência redacional do jornalista veterano. Ela funciona.

O que o site oferece de insultos e ilustrações repulsivas me parece também ser algo pensado, elaborado para o fim de atingir o denominador comum da militância e das mentes contrárias, que sairiam então do espaço, deixando que o articulista fale aos seus mais à vontade. Parece ter sentido isso, não?

Mas eu sou obstinado e vou, quase todos os dias, ao espaço virtual onde tantos se abastecem.

Gosto dos vídeos onde Amorim aparece na frente dos seus livros; Martin Heidegger, Karl Marx, Lênin, Antonio Gramsci se acotovelam ao fundo de um militante mestre de outros militantes. Isto tem efeito discutível apenas para não apresentados ao Poder dos símbolos.

Livros que traem nas lombadas algum manuseio, o que negaria suposições de serem apenas parte do mobiliário, peças de decoração.

Ainda que nem todos volumes ali tivessem sido lidos (e sobretudo relidos e anotados), ainda assim esta biblioteca impressiona, ou deveria impressionar, interessados na luta política. Quantos jornalistas pró-PSDB leem tanto? Bom, pelo que leio deles, nem fração mínima da biblioteca de muitos esquerdistas.

Reinaldo Azevedo escreveu certa vez no seu blog ainda em “Veja” que, quando editor, orientava repórteres a evitar imagens do intelectual diante da estante de livro, pois tal imagem era utilizada, quase sempre, como argumento de autoridade:”Vejam o que li, não me questionem.” Não está errado. Mas ainda prefiro a autoridade de uma estante de livros à autoridade de um título acadêmico obtido por banca amiga, ou de afinidade ideológica flagrante. E conheço as “Humanas” o bastante para preferir o argumento da leitura, ainda que tenha conhecido intelectuais que, da estante que impressionava, terem lido, e mal, alguns volumes apenas. Pareciam acreditar em algum conhecimento transmissível pelo convívio com os livros.

Mas mesmo RA fez vídeo, logo após deixar “Veja”, no qual aparecia à frente de sua estante, na qual notei a trilogia biográfica de Isaac Deutscher sobre Leon Trotsky e “Obras Completas” do Gregório de Matos. Logo…

Dia destes, Amorim gravou vídeo com mensagem aos militares, mensagem nacionalista. Os militares seriam irmãos de crença em um projeto nacionalista, e episódios como ‘64 seriam página virada. Não é de hoje que a Esquerda faz este movimento aos antigos adversários, inimigos de guerra. A Esquerda sabe extrair de suas derrotas as lições necessárias, não as justificam ou minimizam, como seus oponentes…

A parte da estante de livros escolhida por Amorim para este vídeo deve ser a parte nacionalista de seu acervo: Machado de Assis, Oswald de Andrade, Lima Barreto e seu discípulo e herdeiro João Antônio; os elementos de nacionalismo cultural (ainda que com sabor esquerdista, mas isto não importa) que atuariam como elementos de aproximação com o alvo do vídeo.

“Pensamos diferente sobre tanta coisa, mas estamos na mesma embarcação. Acima de nossas diferenças de visão de Mundo, o Brasil.”

O “Pós-PT” já inclui o apoio futuro dos militares em seus planos, e o nacionalismo é a tecla sensível a ser tocada. Amorim prefere culpar suposta seletividade da “Lava-Jato” pelo fim do PT a negar este fim, e isto deveria servir como um aviso aos adversários da Esquerda.

Mas estes não atentam ao que os desagrada. Livros que eles acreditam comprados por metro e a escolha de enquadramento destes em vídeos, e o que diz os vídeos, “não interessa.”

E depois não entendem derrotas sucessivas.

Nem imagino quem culparão quando o “Pós-PT” arrombar os castelos das suas fantasias, com o auxílio dos militares que contavam como seus aliados.

Depois é responsabilizar a internet

Site “Veja.com” expõe, como notícia relacionada, anúncio de pedido de asilo de Michel Temer na Transilvânia nos dias em que o Presidente viajou à Rússia e Noruega.

Notícia do site de humor “O Sensacionalista”, misturada às notícias “sérias”. Houve, claro, queixas de leitores. “Palhaçada tem limites”, “Isto não é jornalismo sério”, e semelhantes.

Este site abriga erros sempre apontados por leitores (lembro da morte do cantor Miltinho, com o Miltinho errado, o do MPB-4, quando toda a internet toda já dava a notícia com o Miltinho certo, o da “Mulher de Trinta”) e articulistas que colocam expressões como “Mimimi” em seus textos (mesmo o sempre bom Jerônimo Teixeira fez  texto excelente  sobre ressentimento social -citando o caso recente de Fábio Assunção- com este modismo ridículo). Por que pagar por serviço do tipo? Qualquer blog faz o que estes pomposos de terno e gravata fazem. Exceções, como as que sempre cito aqui no blog, confirmam…

A revista, ela mesma, cada vez mais fina. Queixas de leitores, ora…queixas de leitores…

Depois é culpar a internet pelo fim das grandes empresas de comunicação.

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