“Notas” – 12/09/2017

Sobre a exposição do Santander, algumas palavras

Amigo leitor do blog me telefona comunicando sua atitude: acabara de fechar sua conta no banco Santander; explicou ao funcionário sua motivação e está tranquilo. Fez sua parte. Como outros amigos que também decidiram boicotar o banco.

Não há muito mais a se fazer, e este boicote é já um começo de algo que pode evoluir para um ativismo organizado. Tudo começa com a decisão de fazer o que se pode fazer, não se refugiando na desculpa “Eu não posso mudar o Mundo sozinho”. O que se pode fazer se deve fazer. Nada fazer, invocando a condição de indivíduo isolado conta forças maiores é se render, é abdicar de toda a dignidade.

Ao comunicar sua decisão de abandonar o banco em um grupo que participa no Facebook, este amigo leu uma desculpa do tipo. Claro, desculpas do tipo são frequentes nos conservadores brasileiros, dispostos a tudo que não exija mais que exercitar os dedos nas redes sociais.

“Outros podem lutar, não sou obrigado a fazer o trabalho por todos.” É o refrão de quem lastima o domínio da Esquerda sobre o campo das opiniões, mas faz careta quando informado que há blogs a visitar, a prestigiar, a frequentar. Nem só simpatizantes do PT e do “Pós-PT” escrevem.

“Tá, um dia vou no teu blog. Qual o endereço mesmo?”

Olavo de Carvalho vem escrevendo sobre a bobagem de se denunciar a tal mostra senão por vilipêndio. Pode ser. Eu acredito que o boicote se mostrou arma poderosa, recuaram da Mostra, afinal. O problema dos processo judiciais neste caso é que tomarão tempo e energia sem garantia de que haverá condenação. E se o princípio da liberdade de expressão for o norte na apreciação dos magistrados que venham a julgar estas petições?

O que esta mostra grotesca (o que vi não considero arte, não considero bem cultural, apenas vômitos em tinta) representou foi uma agressão da casta acadêmica contra a gente comum, “os idiotas de camisa da Seleção”, como escrevem os defensores do petismo. Eles quiseram experimentar limites. E encontraram gente disposta reagir pelo boicote. Recuaram. É um combate político, e considero falha grave de percepção não situar este evento no palco da luta política. Tudo, mas tudo, que vem destes senhores da Universidade é combate à “maioria de imbecis”, como cansei de ouvir em sala de aula, e em conversas com professores (e aspirantes à Casta). Guerra total, até que “esta gente ignorante entenda que o Mundo não é para eles”.

Portanto, após esta primeira vitória contra a casta acadêmica, o que se deve fazer é manter a corrente que funcionou neste caso alerta para os ataques que virão. Não saltos judiciais de resultados incertos. Vigilância sobre jornalistas que condenaram a “intolerância” dos que ousaram “censurar” a mostra. Que anotem os nomes e os órgãos para os quais trabalham e os boicotem; os jornalistas e os órgãos verão que há gente disposta a brigar para se fazer respeitar, pois o que se viu da parte dos que lamentaram a interrupção da mostra não foi expressão de uma discordância mas exercício de desqualificação intelectual. Desempenharam e continuam desempenhando nas redes sociais a função de carimbar descontentes com este evento repulsivo como “ignorantes”, “fanáticos religiosos” e “caipiras”.

Não que alguns conservadores não sejam isso tudo, claro.

Uma amiga foi perseguida por um sujeito com uma faca, em plena Pça. da Liberdade, por estar de mãos dadas com sua namorada. Ninguém ajudou, nenhum policial por perto. Por estes dias, Anitta foi alvo de um ataque de um vereador da cidade do Rio de Janeiro, pastor evangélico (em texto nas redes sociais, o político e líder religioso indagava se a artista seria uma prostituta), e comentaristas de sites (mesmo no site “Veja.com”, hoje aberto a toda espécie de imundície no espaço de comentários) elogiaram…o agressor da cantora. Falando nisso, mais e mais o que vejo nas caixas de comentários me lembra o que escrevi sobre estes agressores de internet; “Caixa de Comentários ou Caixa de Esgoto?”, texto que publicado primeiro no blog e depois no 247 e na “Tribuna da Internet” provocou indignação dos que leram no texto o elogio da censura.

Não se conquistará o respeito militando na ignorância e na boçalidade.

O respeito se conquista pela luta constante, ações como boicotes e formação de ligas de debate; a lição que parece enfim ser assimilada pelos insatisfeitos com a tirania dos comandantes dos laboratórios sociais.

Véspera de mais uma “data histórica”

Mais um depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro,e mais uma tempestade de mensagens ligeiras e memes anunciando “O Fim de Lula.”

Que virá deste depoimento é indiferente aos que sabem que a luta apenas começa. Ainda que Lula seja preso, seu partido e seus apoiadores dominam as Universidades e muito da Imprensa. Movimentos sociais, mesmo debilitados por desmoralização (o preço que se paga pelo alinhamento partidário), engrossam o caldo de Poder do interrogado de amanhã.

Há a certeza da incerteza, apenas. Esta obviedade gritada na forma de um clichê deveria ser repetida até o limite para os que acreditam nas saídas instantâneas de labirintos construídos sem pressa.

Mesmo se o PT for atingido no seu núcleo mais duro, há ainda outras vias aos que conhecem a luta política. Nada se faz contando com o minuto seguinte, o minuto seguinte pode correr sem o agente histórico o presenciar. Que outro colha o que se planta agora. Ah, quanto esta capacidade de agir desinteressada do resultado deveria ser invejada, e enfim imitada, pelos que combatem os que a possuem! Muito seria diferente então. Como o episódio da mostra do Santander demonstrou, existe luta, mais luta, e nada mais. Resultado é acidente, luta é propriedade, diria algum pedante. E estaria certo.

Ou escrevendo como se deve: Nada espero deste interrogatório, exceto mais um show do Lula. Não acredito que ele será preso amanhã. Mas não escrevo diante de uma bola de cristal.

Vamos ver.

Mais uma mudança no visual do blog

Visitantes terão notado que o blog mudou, uma vez mais, sua apresentação.

Muito me engano, ou este tema já foi usado por mim. Mas as letras eram menos fortes, e acabei trocando-o (posso estar enganado, e o antigo tema era apenas parecido com o atual) pelo que permaneceu meses no blog, o das imagens que mudavam a cada acesso.

Era um tema bonito, e eu gostava muito daquelas imagens.

Mas minha vista não captava todos os erros de digitação, e imagino o quanto leitores também se sacrificavam para o ler. E o blog é para leitores, não para apreciadores de belas fotos e de engenhos gráficos interessantes.

Procurei por tema funcional, que trouxesse letras que não cansassem o leitor e nem a mim, na tarefa de corrigir os cochilos. E encontrei este, letras maiores e mais escuras e a possibilidade de se consultar arquivos. Lembro de um que tive certa vez que era muito bonito, foi até elogiado por uma comentarista, mas que, além de não me permitir acessar meu painel por ele, não oferecia ao leitor os arquivos. Tive que abandoná-lo, lindo que só ele.

Minutos de procura para o conforto dos amigos deste blog, merecedores do meu carinho.

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