“Notas”- 19/09/2017

Sobre o episódio “Heloísa/Velasco Brothers e Olavo de Carvalho”

“E a carta da filha do Olavo, Pawwlow? Você acredita no que a carta diz? Vai escrever sobre a repercussão?”

Não pretendia escrever a respeito. Mas insistência de alguns amigos do blog e o desdobramento do episódio me fizeram mudar de ideia.

Bom, não tenho conta no Facebook, mas almas solícitas do meu convívio possuem e me foram passando alguns capítulos desta briga da filha do Olavo de Carvalho com o pai. E, claro, acompanhei outro bocado desta briga familiar pelo blog dos aliados da Heloísa, os Velasco Brothers, Carlos e Jorge, inimigos do seu pai.

Ao contrário dos meus interlocutores, não tomei partido nesta briga. Não pertenço ao círculo pessoal do Olavo de Carvalho nem conheço qualquer membro deste círculo. Se a filha é ou não ingrata, isto é questão familiar. A escolha de um canal tão contrário ao pai para desabafar revela não sei quais graus de ressentimento que considero imprudente um não-Carvalho se candidatar a conselheiro. Ri de alguns episódios, considero outros grotescos, e não me espanto, em absoluto.

O filósofo e jornalista é um grande homem, mas não um deus, e portanto não seriam supostas revelações de fraturas suas que me abalariam a admiração. Do que li até a tal carta, não formei impressão, apenas, repito, ri. Tive certa comoção com a morte da mãe do Olavo, mas não me atrevi a elaborar juízos sobre sua não vinda ao Brasil para despedida. E as questões sobre o filme do Olavo e o desentendimento entre os realizadores me provocou desinteresse apenas. Também repito:não pertenço ao círculo e, portanto, estas questões internas nada me dizem. Tudo me pareceu futrica das mais típicas das redes sociais. Me lembrou porque desertei deste ambiente e porque resisto às insistências dos que me pedem para voltar.

Mas veio a carta, e tudo mudou de figura.

Claro que a publicação simultânea, ou quase, da carta em tudo quanto é site pró-PT mostrou que uma briga familiar é pretexto para algo maior. Que esta bola de pus tenha se formado e explodido em momento onde a candidatura Jair Bolsonaro cresce, faz imaginar coisas. Ou pode-se lembrar que a tentativa de estigmatizar críticos do PT como “brancos, de classe média,’coxinhas’” tem conseguido resultados mínimos (para não dizer que não produz qualquer resultado fora dos círculos onde este movimento é criado – o meio universitário).

E vem a carta da filha de quem  vem inspirando bolsões de resistência à máquina de lavagem cerebral pintando-o como um pai de novelas de terror.

A carta impressiona. Impressiona porque escrita por quem tem atacado o pai há meses, sem resposta. O leitor comum tende a associar ausência de resposta à anuência. E não culpo o leitor comum. Este tem mais o que fazer da vida do que captar sutilezas vindas de ambientes estranhos.

Os Velasco vêm atacando Olavo há anos, publicando o que dizem ser pesquisa sobre o “guru da Virgínia”, desenterrando processos, e o que apresentam fica, pela pouca ou nenhuma resposta do Olavo, como a biografia não-autorizada “do guru da Direita.” Fizeram mesmo um “documentário” lançado no “YouTube” logo após o filme “O Jardim das Aflições” e o público deles e o curioso (sem lados, apenas desejoso de conhecer sobre personagem tão comentado) de internet ouviram do lado atacado as vibrações sônicas do silêncio. Uma piada sobre a dicção do narrador parece ter bastado ao Olavo como resposta. Para o dito público comum, não.

E continuaram.

Uma coisa tem que se admitir sobre os Velasco: sabem somar adesões. Cooptaram um ex-colaborador do Olavo, o culto e bom redator Caio Rossi, que produziu série de vídeos com os Velasco sobre Olavo de Carvalho e perenialismo. Vídeos que, para não variar, foram tratados como piada, não tiveram resposta. Mas que funcionaram como combustível para postagens e respostas aos comentários em seu blog.

E agora a filha do homem.

Quando esta aliança começou, uma resposta mais dura teria que ser preparada. Esclarecimentos ao público (repito, o público comum, não alunos e admiradores do Olavo) tornariam esta carta ridícula desde a escrita, e decerto nem os Velasco dariam a ela o destaque que deram, e que conseguiram nos viveiros do petismo na imprensa digital.

Mas Olavo preferiu tratar esta aliança entre seus arqui-inimigos e sua filha como episódio pitoresco nesta querela de anos. Acho que foi um erro. E o estrago foi feito.

Os testemunhos dos filhos negando acusações da tal carta vieram aos poucos quando deveriam ter sido feitos de forma organizada. Um vídeo editado com depoimentos dos filhos, quem sabe…pois a coisa chegou à edição eletrônica da “Veja”, seguida de desmentido que, se entendo um pouco de jornalismo, não reparará o estrago feito.

Esta carta ser destaque na “Veja” após brilhar em sites como 247 (escrevi sobre este site no blog e não repetirei aqui; interessados procurem no blog) diz muito sobre o que se transformou a “Veja”. Confirmou a decadência que venho apontando aqui no blog há anos. Quantas vezes leitores (entre eles, eu próprio) cobramos dos redatores da “Veja.com” resposta aos ataques publicados no 247, e líamos sobre a decisão da revista de não dar importância “aos pobres diabos sem leitores”.

Ah! Eram colunistas, não editores do site. Mas estes colunistas parecem não ter protestado contra a publicação deste material no site, ao replicar do que há de mais lamentável na internet em seu espaço…

Há neste carnaval pós- carta “da filha do Monstro da Direita” vingança pelos anos de humilhação desde “O Imbecil Coletivo”. Estes jornalistas formados nas Universidades e mesmo os não-formados que se converteram ao esquerdismo de cervejada de D.A após perderem empregos na “Imprensa Golpista” tiveram que suportar calados (está bem, emitindo piadinhas de comadres) Olavo esfregar nos seus focinhos as provas impressas da sujeição de uma categoria profissional inteira às resoluções da casta acadêmica. As piadas olavianas sobre as demonstrações de ignorância impressas em edições diárias também tiveram sua vingança. Esta gente medíocre, incapaz de vida independente, não perdoa. Quando não consegue fechar portas profissionais, quando não mata o sujeito em vida pelo boicote, contenta-se com fofoca de fundo de vila mesmo; o tanque comum de lavar roupa como arma política. Chegou-se a isto.

Olavo sabe o quanto tem de inimigos e o quanto representa para muitos. Para o Bem ou para o Mal, seu nome não consegue ser apagado; a ordem “Não falem do Olavo, não em público”, percebida por este blog, não surtiu o efeito. Muitos falam dele, ele tinha que saber disto, e se cuidar. A opção “Não responder” é interditada aos homens importantes. O Poder exige a luta permanente. É assim, queira-se ou não. E o que tenho a dizer é isto.

Aos que me pediram texto sobre o episódio digo:

Não tenho procuração para defender Olavo de Carvalho, nem elementos para isto. Como escrevi no começo deste texto, não pertenço aos seus círculos. Há gente próxima a ele, e com meios de o defender, que pode (e deve, penso) defendê-lo como eu jamais poderia. Alunos e amigos na mídia, Olavo de Carvalho tem, e não poucos. Não o conheço no nível pessoal, nem ele a mim. Meu blog é modesto (duvido mesmo que Olavo lembre da existência deste espaço), e se contenta em opinar apenas.

Acho tudo muito triste, muito baixo, muito mesquinho e miserável. Em tudo coerente com o Brasil destes dias menores.

Um momento porco resumido num incidente porco.

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