“Notas”- 14/10/2017

“Faz de Novo! Faz de Novo! Faz de Novo!”

 

Quando se está em desvantagem em qualquer situação na vida, a ordem é cautela. Avançar com cautela; resistir à covardia e a sua imobilidade, mas com cautela. A sabedoria dos analistas de futebol que recomendam tocar a bola sem invencionices quando se joga com jogador a menos e/ou no campo adversário.

Ou não chegar em um bairro estranho falando muito alto e/ou com movimentos largos. “Na casa dos outros, a gente se mexe com cuidado.”

Por que não citar estrategistas que nos deixaram suas “Arte da Guerra”, Sun Tzu e Maquiavel: prudência e informação são de extrema importância. Evitar afoiteza e ter em mente que nenhuma informação sobre o inimigo é demais. Que se saiba dele mais que ele próprio, e agir sem se fiar nisso em demasia. Não pensar que muita informação ganha por mera consequência a guerra, mesmo porque o quadro muda com rapidez. Pode mudar, ao menos. Deve-se estar preparado para isso, ainda que o inimigo esteja cochilando nas estações de água (estudar as Guerras Púnicas).

E sobretudo, sobretudo mesmo, evitar o campo do inimigo.

Bom, estas medidas de segurança em combate são encontradiças nos livros e na observação da vida comum; eruditos e observadores empíricos costumam estar de acordo com elas.

A Direita, porém, pensa poder reinventar a roda e combater confiando apenas no que acredita ser sua superioridade moral e na fé em Deus. Nada de estudos sérios, nada de admitir inferioridade numérica (entre os capazes de combater, claro) ou as derrotas pontuais. A cada golpe sofrido, um recital de justificativas e relativizações das perdas. Ah! União e organização pra quê? Cada pormenor em uma conversa ou em uma correspondência serve como pretexto para cismas e inimizades perpétuas.

E resolvem estes combatentes dos “valores cristãos” combater no saguão do Palácio das Artes contra uma exposição. A reportagem do “Fantástico” ainda quente, os malogros (causados pela desorganização dos direitistas, ou simpatizantes da Direita, ou inimigos da Esquerda acadêmica; tanto faz) na luta contra exposições anteriores mal assimilados, a derrota indiscutível contra uma minoria bem organizada, enfim. Derrota percebida como vitória por quem acredita combater pelo que considera certo e justo, e acredita que tem seus esforços reconhecidos por todos.

Um bando até que não muito inferior ao bando adversário; uns quarenta direitistas contra cinquenta esquerdistas, pelo que pude contar. Os vídeos (fonte do que escrevo) mostram equilíbrio numérico entre duas facções; favoráveis à Mostra e defensores da proibição da Mostra, ao menos para crianças das escolas.

O que não estava equilibrado era a distribuição da competência na luta política; um lado sabia bem por qual razão estava ali, outro apenas imaginava saber. Houve insultos de caráter ideológico de ambos os contendores, mas quem iniciou o encontro no hall gritando definições ideológicas do adversário foram os “invasores”. “Comunistas!” por que a militante esquerdista ali não os qualificaria como “Nazistas”? Não era uma discussão pautada pelo rigor, era exteriorização de antipatia e exteriorizações de antipatia carregam suas leviandades sem preocupação com a veracidade ou o ridículo.

Um dos manifestantes do time visitante resolveu então berrar slogans pró-Jair Bolsonaro e estrelar performance (dançar sugerindo um coito, com a legenda gritada:”Chupa!”) que presenteou os manifestantes esquerdistas dispostos a ridicularizar seus adversários com algo que de fato provocou hilaridade. As risadas que viriam forçadas, encenações de escárnio ensaiadas e inconvincentes (mas que conseguem o efeito desestabilizador no oponente mal treinado) brotaram francas, robustas, dispostas. Olhinhos brilhando na sensação de que a viagem até o Palácio das Artes estava paga. Sacaram celulares, e entoaram o pedido (que foi atendido; prontidão tocante) em coro:

“Faz de Novo! Faz de Novo! Faz de Novo!”

O vídeo é já peça histórica, o que ele diz torna comentários excessivos e redundantes. Como a militante esquerdista gesticulou apontando com a mão o bolsonarista performático: “Vejam, é preciso dizer alguma coisa sobre esta gente?”

Olhos arregalados, feições de torcedor de futebol diante do pênalti não marcado ou marcado sem ter havido, camisetas de Bolsonaro e de Olavo de Carvalho, “Olavo Tem Razão”; a Direita de Facebook se exibindo sem retoques para diversão da Esquerda e das redes sociais que trataram de divulgar o troféu de campanha.

“Faz de Novo! Faz de Novo! Faz de Novo!”

Que avanço estes direitistas semivirgens (senão virgens mesmo, leitores de redes sociais apenas) de livros pensam ter obtido neste embate no saguão de um museu? Por que não se guardaram para organizar frentes de eleitores para pressionar autoridades (começando pelo Legislativo, claro) na adoção de uma medida que é vital para o que dizem defender (a mente das crianças): a proibição de usar crianças como público compulsório do que quer que seja extracurricular? Organizar abaixo-assinados, formar grupos de estudo e lista de blogs a seguir e jornais da sua linha política para assinar; isto dá trabalho, é chato. Melhor passear no Palácio das Artes… e entreter seus inimigos.

“Faz de Novo! Faz de Novo! Faz de Novo!”

Não duvido que atendam aos pedidos de bis (que aposto que virão): “eles estão rindo da gente no Facebook, se fazendo de superiores, mas marcamos presença, he, he”.

“Olavo de Carvalho não é culpado por um afoito usar camiseta com sua imagem em uma performance do tipo (não, o “dançarino Bolsomito” não usava a camiseta “Olavo Tem Razão” e sim a de seu ídolo mesmo)”.

Não, não é. Mas como Olavo costuma se orgulhar da frase “Olavo Tem Razão” em faixas e cartazes das manifestações que foram sucesso de público, seria desonesto não citar a camiseta com a mesma frase em um dos manifestantes do Palácio das Artes, colega do manifestante que tanta alegria forneceu aos esquerdistas com nariz de palhaço. Penso que Olavo deveria se manifestar sobre afoitos que dizem admirá-lo com mais energia, não se limitando a se declarar não-responsável por seus leitores.

Falando em Olavo de Carvalho: a revista “Época” trouxe reportagem sobre Olavo de Carvalho com os mesmos clichês de outras tantas reportagens sobre ele: distorção do que ele escreve, fusão em um mesmo parágrafo de citações de alunos com a de leitores sem vínculo com o professor, uso de frases de Facebook como amostras do “pensamento olaveano”, etc, etc, etc. Esta trouxe como ingrediente adicional a acusação da filha de Olavo sobre violência doméstica. Foi a única coisa inédita na série de matérias dedicadas ao jornalista, escritor e professor;  todo o resto sendo apenas a confirmação de que Olavo não aprende com os golpes que recebe da Imprensa.

Sempre pedem entrevista, Olavo recebe (ou abre a tela do Skype) o entrevistador, fala com bonomia (acredita, ou parece acreditar em jornalista egresso da casta acadêmica puro de intenções e preconceitos sobre ele) para depois se ver retratado como uma excentricidade, um sujeito bizarro com ideias bizarras e seguidores mais bizarros ainda.

A matéria é amostra da qualidade da revista: um erro de concordância, até compreensível, que deveria ter sido corrigido pelo revisor sobreviveu à edição (acredito que haja alguma em “Época”, não?) e atribuição ao Olavo da “teoria conspiratória” da fim do dinheiro impresso. Bom, lembro de ter lido essa “teoria conspiratória” em matéria da “Carta Capital” que cobria debates do parlamento europeu onde esta medida (adoção do dinheiro de plástico como definitivo e único, pois o papel moeda carrega riscos e desgastes vistos como desnecessários) era discutida como algo a ser adotado no médio prazo. Isso tem uns dez anos, ou mais. Onde os editores da revista que não cobraram da repórter a fonte, a citação da “teoria” por Olavo, e a não-apuração da adoção deste dinheiro de plástico denunciado por tantos autores? Olavo se irritar com a redatora e entrevistadora é natural e justo, mas me parece descarregar no alvo errado. Ela entrevistou e escreveu, mas eles tinham o dever de melhorar a matéria, coordenar apuração e cobrar correções no material. Sobretudo que se ouvisse Olavo de novo após notar no texto a parcialidade, a prevenção contra o personagem da matéria.

Por que Olavo não aprende e exige ser entrevistado por jornalistas da primeira divisão, de preferência Editor-Chefe ou Redator-Chefe, ou mesmo o Diretor de Redação das publicações que pedem para entrevistá-lo? Depois de várias reportagens que se revelaram arapucas, este cuidado já deveria ter sido tomado. Mesmo porque Olavo é personalidade que não pode ser entrevistado por desconhecidos. Lula e/ou José Dirceu sempre tomaram este cuidado, sempre foram exigentes com as publicações.

Mas Olavo insiste em conceder entrevistas,  verificar-se vítima de tendenciosidades e culpar o autor da matéria (como se este fosse o culpado único da serviço apresentado ao público) e … dali a pouco…conceder entrevistas,  verificar-se vítima de tendenciosidades e culpar o autor da matéria e conceder entrevistas….

“Faz de Novo! Faz de Novo! Faz de Novo!”

E ele faz.

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