“Notas”- 13/01/2018

“A Primeira Semana Final de Jair Bolsonaro?”

“Desta vez o homem vai derreter. Bolsonaro terá que se explicar por sua fortuna”.

“O sujeito não era um santo? Não era o novo paradigma moral máximo? Explica aí funcionários fantasmas, o festival de compra de imóveis.”

Não, não foram exteriorizações de caixas de comentários apenas; artigos inteiros foram escritos neste tom de torcida. Artigos pretensiosos (preciso dizer que mal escritos?) foram o prato da semana em veículos como “Folha de S.Paulo” e “Veja”. Os tuiteiros de barbinha e óculos de armação quadrada colorida também compareceram ao dever de “sepultar” Jair Bolsonaro.

Esta gente não entende a razão de seu crescimento: Bolsonaro encarna o símbolo que responde por uma demanda das massas; como Lula parecia encarnar em 2002 e Fernando Collor em 1989. Quando este tipo de candidatura cai no gosto popular, denúncias sobre pecadilhos (comprovados ou supostos) pouco pesam na decisão dos eleitores que desejam soluções para o que mais lhes atormentam no período do imediato pré -voto.

Em 1989, as massas estavam saturadas da politicalha que dominou o primeiro governo da Nova República, que conduziu o País a um quadro de desordem social e econômica assustador. José Sarney parecia intragável à maioria que depositou suas desilusões (“os militares voltaram para os quartéis e a vida continua péssima?”) em um governador do Nordeste que atacava os altos vencimentos de alguns funcionários e apontava na compra de apoio no Congresso pelo então presidente muito do que ia arrebentando o Brasil: Fernando Collor. Alguns órgãos tentavam mostrar que o herói não era um santo, mas a massa o escolheu. Pelo que representava, pelo que garantia combater.

Em 1994 e 1998, o candidato foi a moeda, o Real, e o seu presidente, Fernando Henrique Cardoso.. Não houve sequer Segundo Turno.

Em 2002, a massa desejando se ver livre de política econômica que lhe parecia desfavorável, escolheu o candidato que vinha pedindo o voto desde 1989; apresentando-se mais disposto a conciliar com as diversas forças, não assustava e trazia esperanças: manteria a estabilidade da moeda e ampliaria o quadro de consumidores. Claro que 2002 seria o ano de Lula. Olavo de Carvalho culpa a imprensa que não noticiou à época os laços do PT com o “Foro de São Paulo”por esta vitória. Não acredito que estas denúncias (que poderiam ser respondidas com explicações sobre o caráter de meros encontros entre Esquerdas da América Latina, explicações que seriam dadas de modo a convencer, acredito) mudassem ali qualquer voto, não na massa que se sentindo excluída da dita estabilidade econômica, pouco se importaria com discussões da alta política.

Nas duas ocasiões em que Dilma Rousseff foi eleita, o desejo da maioria de ver algumas conquistas (ou ilusões de conquistas, pouco importa) serem mantidas abafou toda a sorte de denúncias contra ela e seu círculo; Dilma ganharia sem perigos contra adversários que se mostraram incompetentes em mostrar o que era verdadeiro e/ou falso no discurso da candidata, caro às massas.

Os “formadores de opinião” pouco podem quando candidatos conseguem encarnar a resposta a uma demanda. Simples.

A demanda em 2017 e 2018 tem sido a explosão da criminalidade. Esta castiga velhos, jovens e crianças.Homens e mulheres.Ricos, classe média, pobres e miseráveis. Que entendem estes “formadores de opinião” que decretam velório da candidatura Bolsonaro do desespero destas vítimas? Que estragos imaginam que descobertas de supostas fortunas da família Bolsonaro farão na desilusão das massas quanto aos candidatos escolhidos pela casta acadêmica, mãe da imprensa atual? Algum destes bonitinhos sabe o que é ter um celular comprado com esforço e pago com prestações sofridas subtraído numa fila de ônibus ao nascer do dia? Algum destes opinadores de barbinha e óculos e madames formadas em comunicação tiveram seus pais e/ou avós assaltados em uma fila de posto de saúde também no nascer do dia? Nascer do dia em Horário de Verão defendido pelos referidos “formadores de opinião” que o enfrentam sob a coberta, no sono comatoso propiciado pelo ar condicionado ligado no máximo?

Como muitos sequer conseguem conceber o que é a vida da maioria, dão como certo que a candidatura que, bem ou mal, apresenta resposta a esta demanda, se derreteu na semana que passou. Não, não aposto nisso.

Tive oportunidade de conversar este ano com inúmeras vítimas de assaltos; pobres, a maioria. Gente que mora em favela e ouve o desmanche de motos roubadas. Gente assaltada ao descer do ônibus após dia de trabalho duro. Gente que teve parente morto em assalto que sabe que a família do assaltante recebe auxílio e a sua, não. Apenas saudade, dor e dinheiro a menos.

Esta gente não teve o desejo de votar em Bolsonaro abalado o mínimo esta semana. Sabe que ele é o candidato que recebe o ódio de quem elabora leis que trabalham contra sua paz e sossego. Sabem que Bolsonaro vem sido combatido por motivos outros que recebimento indevido de auxílio moradia e crescimento patrimonial familiar. Esta gente sabe tudo isto pois sofre tudo isto. Poderão achar algo que até prove que ele não é honesto (o que apareceu até agora só convenceu disto quem já não gostava de Bolsonaro, esta é a verdade), que ainda duvido que a intenção de voto de gente castigada pela insensibilidade combinada da classe política e da casta acadêmica ganhe outros caminhos. Exceto se aparecer outro candidato inimigo da casta acadêmica. E já era para ter aparecido, não?

Como escrevi acima, Bolsonaro simboliza resposta a esta demanda, não sei se ele é a resposta. E ninguém sabe. O que se sabe, nos caminhos por onde ando, é que nenhum outro merece confiança e/ou respeito. Há os saudosistas de Lula, mas estes não me parecem tão inimigos das ideias de Bolsonaro assim. Falo de gente dos ônibus lotados, não dos campi, sim? Gente que recebe da casta acadêmica desprezo por suas dores. Quem as menciona,”está apelando”,  “Quer tirar votos de caipiras ignorantes”.

Estes caipiras ignorantes assaltados indo e/ou voltando do trabalho sabem com maior exatidão quais candidaturas derretem ou se fortificam, não militantes disfarçados de “formadores de opinião”. ”

“Veja” e “Folha de S.Paulo” ditaram esta semana seus destino junto aos milhões de massacrados do Brasil de hoje.

Por que não pensar antes de escrever?

Os saudosistas de Lula são alimentados pela incompetência dos seus inimigos, devo observar. Quando Aguinaldo Silva insiste em apresentar Lula como analfabeto e questiona suas leituras, oferece o mote para Paulo Henrique Amorim fazer das suas demagogias – e também seus questionamentos acertados sobre o nível intelectual de alguns oponentes de Lula. Amorim pergunta sobre leituras e conhecimentos de inglês de adversários de Lula até com certa graça. Quando cita Fernando Pessoa – “Mais que isto é Jesus Cristo (…) nem consta que tivesse biblioteca.”- cita de costas para a sua biblioteca, cenário usual dos seus vídeos.

Outros não têm obrigação de ler para se emancipar, os autores de estima da casta acadêmica, sim. Está clara a mensagem, não?

Ao seu público, Amorim vende Aguinaldo Silva como “redator de novelas da Globo”, quando ninguém que consiga pensar um pouco acredita que Amorim ignora que Aguinaldo Silva seja também jornalista (Amorim o menciona assim, de passagem,no vídeo -exibido esta semana em sua página) e romancista. Elogiado por críticos. Amorim trabalha para público que acredita que Lula seja um sábio por ter recebido títulos honoris causa.

Aguinaldo Silva é um homem de opiniões fortes e que não se acovardou em suas autocríticas. Autor talentoso, deveria tomar cuidado para não cometer clichês. Qualificar Lula como analfabeto e questionar suas leituras é um clichê.

Clichê que serve para nivelar um autor como ele aos inimigos de leitura que pediram impeachment de Dilma Rousseff de camisetinha da seleção. Bater nas mistificações que o PT vendeu à maioria, na mentira da eliminação da pobreza por decreto, é o que espero de um escritor como Aguinaldo Silva. Não a repetição inútil e contraproducente de uma caricatura que enobrece o alvo no lugar de destruí-lo. Ele não é seu público ocasional, e parece ignorar isto. Paulo Henrique Amorim não é seu público ocasional, e o sabe.

Por que não pensar antes de escrever? Por que não parar de subestimar inimigos?
Por que não desconfiar de supostas respostas lógicas obtidas sem esforço?

Lula se beneficia dos apressados. Essa toda sua força no momento.

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