“Notas” – 31/03/2018

Sobre prioridades em uma campanha presidencial

Não vou repetir a máxima (cuja autoria desconheço) que alerta sobre a necessidade de se ter prioridades em um objetivo; é óbvio que quando tudo é prioritário, nada o é. Acredito que ninguém discute se isto é acertado ou não, mas como colocar em prática…

Jair Bolsonaro é o candidato que diz o que a maioria diz; demais candidaturas parecem habitar país que não é palco de banhos de sangue diários. Para muitos candidatos, o Brasil vai muito bem, carecendo de reparos pontuais; dezenas de milhares de homicídios por ano e um quadro de absoluta deterioração no convívio social são administráveis com auxílio de conselheiros colhidos em círculos acadêmicos e ONGs.

Este desnível no trato com a realidade tem feito a candidatura Bolsonaro crescer a ponto de assustar. O resto, as teorias sobre a “falência da democracia” e “escalada fascista no ânimo da população”, serve como consolo a quem não compreende o desespero da maioria e não entende a apatia dos eleitores quanto às candidaturas que se anunciam. Voto é expressão de sentimentos, não de “estágios de desenvolvimento cultural de setores da população”; demandas apresentam-se por ele, simples.

Mas mesmo uma candidatura que exibe sintonia com os sentimentos dominantes da população (a candidatura Lula reflete saudade, justificada, de parte da população que sente que sua vida melhorou sob o primeiro presidente do petismo) pode fracassar se não souber apresentar suas propostas de maneira eficaz; certas propostas devem ser apresentadas de maneira a mais clara e reiterada possível para que não sejam deturpadas por inimigos políticos (a palavra “adversário” nesta campanha me parece imprópria).

A questão do direito ao porte de armas, por exemplo. Como não assustar setores influenciáveis da população ao defender o direito ao cidadão portar arma para defesa da sua vida e dos familiares? Como apresentar a discussão sobre armas sem cair na caricatura que a casta acadêmica através da imprensa faz de quem discute seus dogmas? Como defender cidadãos com armas sem confirmar estereótipos?

Defender, antes de qualquer coisa, mudanças no Código Penal.

Leis defasadas (algumas penso que já nasceram defasadas, adequadas a um país situado na imaginação de alguma mente infantil) são combustível para criminalidade muito mais poderoso que a certeza, por parte dos delinquentes, de que agirá contra população desarmada. O Brasil tem um Estado desarmado e de mãos (e pés) amarrados em leis absurdas, não apenas sua população. O País vive sob o jugo do irrealismo.

Antes de conceder ao cidadão o direito à autodefesa, presenteie-o com a noção de responsabilidade por seus atos. Que a certeza de que usar armas em discussões de boteco ou de trânsito custará caro, em anos na prisão. Que o cidadão saiba que o uso da arma sob qualquer outro pretexto que não o da defesa da sua vida, dos seus familiares e de sua propriedade (defender uma vítima desarmada também entra neste critério) será crime sujeito a penas severas. Armas apenas a quem apresentar condições psicológicas.

Bolsonaro e seus apoiadores devem reforçar (caso já estejam utilizando estes pontos na defesa do direito ao porte de armas) estas condições sempre que possível. Não esquecer nunca de dizer que são estas as regras.

Outra prioridade (irmã desta):

A criação de um departamento jurídico eficaz, como a Esquerda possui. Sem este corpo de advogados agindo por todo o Brasil em tempo hábil, parte considerável do tempo será consumido em negativas de boatos. A caricatura do candidato será cristalizado como seu retrato fiel por falta de meios de defesa de quem é apresentado sob a iluminação deformante dos estereótipos lançados sobre si por gente do mundo dos espetáculos e dos ativistas da internet. Acreditar que “a verdade prevalece” e “o que vem de baixo não atinge” (como não se cansam de repetir tantos “formadores de opinião”) é atestado indiscutível de alienação.

Agilidade e clareza, estas as prioridades em qualquer campanha. E esta obviedade parece ainda necessitada de quem a diga.

Sobre Alexandre Frota

A Direita age como a mais gostosa mulher do baile; certa de sua formosura, dá-se ao direito das exigências descabidas: não apenas seus postulantes aos cargos eletivos devem ser nada menos que perfeitos, seus defensores também devem cumprir o ideal da ausência de manchas. Há toda sorte de exigências ridículas que grupetos fazem aos interessados no seu ingresso, e não admira que continuem sendo grupetos que existem enquanto coletividade apenas na internet, muitas vezes.

“Há quanto tempo você está do nosso lado?” “Você é o que se pode considerar um conservador verdadeiro ou é um conservador ‘modinha’ (ah! esta terminologia debiloide: “ateu toddynho”, “conservador modinha”, “geração leite com pera”)”?

Alguns acusam Alexandre Frota de ser um oportunista; teria embarcado no direitismo, segundo estes fiscais, por desejo de aproveitar a onda anti-PT; o sujeito só pode militar no anti-petismo se exibir atestado de bons antecedentes ideológicos. A Esquerda exige adesões e provas de fidelidade, a Direita exige “pureza de sentimentos” e comportamento de círculo de orações. Uma agrega, outra se dedica a cultivar cisões.

Não sei que oportunismo anima alguém a lutar contra um sistema inteiro de mundo artístico ligado à Esquerda quando já não se conta com a boa vontade dos conservadores pelo passado de ator em produções de sexo explícito. Quando Frota não se declarava conservador (não que fosse, nem de leve, esquerdista) era chamado em programas de entrevista com regularidade, era uma “celebridade” televisiva. Qual vantagem, enfim, teria que já não a tivesse? Lembrando que, antes de se mostrar tão direitista, nenhum esquerdista cismava de desqualificá-lo como “ex-ator pornô”. Ficavam quietos muitos dos que hoje utilizam este recurso retórico.

Hoje recupera aos poucos espaço no mundo publicitário, anunciando suplementos e chocolates. Mas isto após anos de jejum no setor (quem queria ter sua marca vinculada a um “ator pornô?”) da propaganda.

Hoje milita no bolsonarismo. Faz vídeos, me parece que comanda um programa de rádio, ajudou a divulgar um partido, o “Patriota”, no qual quase ingressou. Quase, pois o chamado “bloco cristão” da legenda vetou seu nome, devido ao “passado de ‘ator pornô’”(parece que filiou-se ao PSL, pelas mãos de Bolsonaro).

Só em países atrasados este preconceito barra carreiras. Nos Estados Unidos, Frota seria apresentado como troféu pela dupla condição de “celebridade” e “ex-ator pornô arrependido”. Aqui, exige-se passado de coroinha a um personagem famoso que ajudaria qualquer legenda a se lançar na mercado eleitoral.

Escrevi acima que a Esquerda até há pouco tempo não se lembrava de insultá-lo. Pois acrescento que fosse ele um esquerdista, a Esquerda defenderia seu passado, catalogando como “preconceituosos” os seus críticos. Talvez Frota tenha escolhido o lado errado. Quem não sendo boicotado por estes medíocres que se julgam superiores por fazer nada mais que a obrigação não se pergunta se não ganharia mais na Esquerda? Ganha-se mais na Esquerda, esta é a verdade.

Criticam o português de seus tuíteres, mas.. querem saber? Prefiro-o, com todas as suas simplificações e sua sintaxe exigente, aos arrumadinhos que não se expõem, que temem o ridículo e que tendo todos os motivos para lutar se acovardam. Também prefiro-o aos que tendo como empregar português que se exige (ou se deveria exigir) de um “formador de opinião”, abusam de português de rede social, o termo “mimimi” onde deveria haver “lamúria”, “queixa”. Prefiro-o simplista e corajoso aos refinados que se esquivam de qualquer confronto, alegando “ter o que perder”.

Neste momento trágico, o Brasil precisa de combatentes que desprezem as limitações do superego, e Frota parece ter apreço zero ao superego.

Pelas campanhas contrárias a si que vem provocando (muitos nomes da “Nova Direita” despertando indiferença desoladora), pelo exército de MAVs mobilizado para desqualificá-lo, parece ser combatente temido. E também um exemplo, ou novo paradigma.

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