“Notas”- 09/12/2018

A primeira grande prova de Jair Bolsonaro antes da posse

Eu votaria de novo em Jair Bolsonaro, fosse hoje a eleição?

Sim, votaria. Nada vi, neste episódio do assessor de Flávio Bolsonaro, seu filho, que me fizesse mudar o voto, me arrepender do voto que dei, ou que me envergonhasse do que escrevi aqui no blog. E não me envergonharia do que escrevi, ou mudaria meu voto se a eleição fosse hoje ainda que algo errado tivesse vindo à tona.

Votei contra o sistema de Poder do PT e associados e este sistema de Poder não tem qualquer autoridade moral para levar eleitores e simpatizantes de Bolsonaro às cordas. Jornalistas e opinadores de twitter que atravessaram anos justificando o injustificável e mitificando ao máximo os governos do PT acreditam ter delegação da História para ridicularizar quem recusou o voto ao sistema ao qual serviam. Esta sensação de que podem cobrar talvez venha da ilusão de que as massas recusaram o PT por episódios de corrupção apenas e não pelo conjunto da obra; não, não foram o sítio e o triplex que fizeram a Lava -Jato popular, e sim a percepção nas massas de que a pobreza não fora eliminada como cantava a imprensa do PT (a mesma solta foguetes há dois dias) e que a violência só aumentou no período e que as escolas atingiram o subsolo do poço, entre tantos outros etc. Tivesse sido um período de melhoras substanciais, as massas considerariam os “agrados” recebidos por Lula (a propriedade nominal dos tais agrados sendo nuance desprezível) merecedores de mera suspensão de direitos e alguma multa, se tanto. Claro que além de agradinhos, houve rombos na Petrobras que impressionaram, não? E financiamentos para obras em outros países enquanto aqui morre-se em filas de hospitais…

Não, nada vi, até o momento em que escrevo, qualquer motivo para me envergonhar ou me justificar perante qualquer comissariozinho de barbicha e óculos de armação colorida.

Maaaas … me desagradou a demora no pronunciamento do presidente eleito. Esperava, desde a manhã de ontem, algum pronunciamento e alguma explosão diante de comentaristas, e sites, e blogs, que mencionaram “o dinheiro sujo dos Bolsonaro”. Esperava algum anúncio de processo contra quem, sem provas, retratava o presidente eleito como um corrupto. E só vi algo neste sentido na tarde quase noite de ontem. São muitas horas recebendo acusações e deboches sem reagir. E mesmo quando houve enfim alguma resposta, esta veio sem a veemência que se esperava em uma situação do tipo.

Não sou dos que justificam esta demora em reagir com a tese do elemento surpresa; homens públicos têm a obrigação de estar preparados para investigações sobre si e sobre seus circundantes. Qualquer elemento, qualquer deslize ou qualquer coisa que se pareça com um deslize, vira arma nas mãos de adversários políticos. Sobretudo destes que Bolsonaro vem enfrentando; Bolsonaro tem inimigos, não adversários. Quem leva uma facada e é acusado de forjar um atentado deveria estar preparado para tudo, não?

Não escreverei nada sobre inocência ou culpa do Bolsonaro neste episódio, não por enquanto. Acho que ele deve se explicar, e se desculpar caso haja algo para se desculpar. E que isto seja o mais rápido, para o bem de todos.

Mas se explicar nas cordas, sem reagir com indignação aos ataques que vem sofrendo desde ontem, será perda de tempo. Melhor então recuar de uma vez, penso.

Passou, e já passou há muito, da hora de Bolsonaro distribuir processos para blogueiros, tuiteiros e donos de site. Desde o atentado que sofreu, acusam-no de tudo. Como escrevi aí em cima, acusaram-no de forjar o atentado e não sei de processo contra quem acusou. Assim, acusar e debochar é bom negócio. Ou excelente negócio, lembrando que muitos dos que acusam e debocham têm muito a perder com o futuro governo.

Não sei quem aconselha o presidente eleito na lida com a imprensa ou formadores de opinião que dão expedientes nas redes sociais. Caso seja alguém da escola “Não discuta com essa gente, o que vem de baixo não atinge”, seu governo correrá perigos, pois seus inimigos(sim,reitero, Bolsonaro não tem adversários, mas inimigos) nem começaram, sim?

A turma do “ Estes pobres-diabos estão estrebuchando porque sabem que as tetas nas quais mamaram secaram de vez” não vem ajudando quem sofre seus conselhos. Basta ver as eleições do PT que tiveram-nos como adversários no jornalismo. Adversários dóceis, gente engraçadinha, pareciam acreditar que piadinhas sobre suposto analfabetismo de Lula ou a pouca comunicabilidade de Dilma Rousseff fariam as massas rever seus votos.

Bolsonaro deve ter seus jornalistas de estima; que estes vigiem redes sociais, blogs, sites, e trabalhem! Que saibam defendê-lo, ou aconselhá-lo, num baque como este. Não vale esperar um dia inteiro, quase dois, para mostrar serviço.

Bolsonaro deve lembrar que muita, mas muita gente, perdeu amizades (mesmo namoros ou promessas de namoro), sofreu perseguições no trabalho, e em ambientes educacionais, declarando-lhe o voto. Gente da TV já sofre boicotes; artistas rotulados como “fascistas” por apoiá-lo. Gente que ainda confia nele, e que votaria nele de novo ainda que se provasse alguma culpa, ou omissão, neste caso do assessor de seu filho. E mais gente do povo, gente que não teve medo de apelidos e expressões repreensivas.

A toda esta gente, Bolsonaro deve uma reação decidida aos que o atacam.

Ah! Colunistas da “Folha de S.Paulo”…

Como escrevi há algum tempo, cumpro nas madrugadas de Domingo, meu roteiro de colunistas da “Folha de S.Paulo”; Elio Gaspari, deste ao Mario Sergio Conti para terminar no Ruy Castro. Como também escrevi, me prometo desertar destas leituras, mas a qualidade do texto de um, as informações de outro e e o que vem como síntese das duas razões nos três me mantém fiel. Mesmo reclamando deles após cada leitura, são três colunistas que não consigo, e não quero ( sendo sincero com vocês), deixar de ler.

Por serem os três jornalistas que sempre cito (e sempre elogio – elogio muito mais que critico) me sinto muito à vontade para apontar o que julgo insuportável nestes três dos últimos dos nossos gigantes.

Começo pelo que fez o texto mais proveitoso, Mario Sergio Conti. Este valeu a pena a leitura, me senti pago com seu texto sobre o livro do jornalista francês que trata do comportamento da imprensa ocidental sobre Hitler nos dias da ascensão do líder nazista.

Gaspari e Manchinha

Já Elio Gaspari…cometeu mais uma de suas cartas psicografadas; ou emails, para ser mais exato. Este recurso às vezes é engraçado; na maioria das vezes Gaspari atribui ao pós-Morte de figuras ilustres seus conceitos mais pedestres sobre política. As grandes figuras depois de mortas viram cantores do que Gaspari tem de menos notável, de pouco questionador, de nada crítico. Estes mortos recebessem emprestados o Gaspari atento e mordaz (o melhor Gaspari) dos seus antigos textos da “Veja” e das melhores passagens dos seus livros, seria enorme presente pós-cemitério, uma verdadeira compensação.

O autor de “O Sacerdote e o Feiticeiro” “recebeu” ontem a cadela Manchinha, a vítima de golpes de barra de ferro, do segurança do Carrefour de Osasco.

A cadelinha espancada até quase morrer agradeceu quem por ela chorou, mas recomendou que não se esquecesse dos “bípedes” assassinados, vítimas de violência.

Pois respondo aqui à cachorrinha vítima:

Sim, Manchinha. Precisamos atentar à violência praticada pelo homem contra o homem.

Ocorre que a imprensa é muito responsável pela violência do brasileiro; violência que não distingue vítimas de assalto, inimigos de vida e morte e inimigos ocasionais de brigas de bar e discussões do trânsito. Estas explosões de violência atingem também cachorros, seres adoráveis como você, Manchinha.

Você, Manchinha, não foi o único cão morto por latir, por revirar sacos de lixo,por existir. Mesmo seus irmãos bem nascidos são envenenados por vizinhos. Sem que nada aconteça.
E jornalistas repetem que punição é violência que gera mais violência.

Nem digo que o “cavalo” que você utilizou milita neste tipo de ativismo jornalístico, mas pouco tenho lido dele sobre aumento de punições, ou punições independentes do critério etário ou para criminosos que atacam animais.

O tipo de gente que te matou e o modo como te matou, Manchinha, não hesitaria em matar uma criança, ou um idoso em um assalto.

E jornalistas nada ou quase nada (o que dá, de forma indecente, no mesmo) escrevem sobre isto. Utilizar seu martírio para desconversas,é um insulto, Manchinha querida.

Ruy Castro e as livrarias

Ruy Castro comparou leitores que compram livros pela internet aos passageiros de uber que preferem estes aos taxistas. Escreveu ter feito esta comparação a um taxista que se declarou um leitor, embora não frequentasse livrarias e comprasse seus livros via internet.

Leitores,segundo Ruy Castro, frequentam livrarias e se encantam com os itens ali expostos.

Pois muito bem!

Então eu e a torcida reunida do Corinthians e do Flamengo não somos leitores, Ruy. Eu,por exemplo, compro meus livros em sebos, e há muito tempo. Quando encontro uma promoção (como encontrei meses atrás o quinto volume da série de Elio Gaspari, e os “Diários de Andy Warhol”) aí sim, compro. Mas isto tem sido cada vez mais raro. Ou quando encontro livros de coleções historiográficas, como há pouco tempo na “Leitura” e na mesma livraria edição da Ed.Itatiaia contendo três livros do Eça de Queiroz: “A Cidade e as Serras”, “A Ilustre Casa de Ramires e “O Mandarim”. Isto, Ruy, é raaaaro. Muito raro.

Os sebos do Maletta e do Amadeu são minhas preferências, e mesmo nestes templos (templos sempre louvados em sua coluna, faço justiça) tenho ido cada vez menos. Não há dinheiro, e trato de reler os livros que tenho.

Os livros estão muito caros, e esta é a causa da crise do negócio, Ruy, não de leitores que adquirem seus livros na internet, pois lá encontram preços compatíveis com sua realidade.

Como Elio Gaspari (que vem se batendo contra a paternalização das redes de livrarias) escreveu há alguns anos, leitores deveriam entrar em consórcios para adquirir livros, por caros que estes são (Gaspari no tal texto deu o exemplo de livro importado mais barato que vários brasileiros da ocasião: coletânea de ensaios de Gore Vidal, em capa dura).

Ruy Castro, na sua visão de personagem de novela de Manoel Carlos (a foto que ilustra seu texto é do interior da Livraria da Travessa, de Ipanema), não parece entender que não se trata de hábitos de leitura, mas de realidade econômica, simples.

Estes são os jornalistas que não entendem a massa que vota em Bolsonaro.

Mas, repito, não consigo desertar deles.

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