“Notas” – 20/01/2019

Sobre desistir de lutar aos vinte dias de governo

Vinte dias de Governo e parlamentares do partido do Presidente exigem questionamento suave dos eleitores e simpatizantes do Governo após viagem à China:

“Somos X votos, o Governo precisará de apoio”.

Sim, a faca no pescoço do Presidente, e nos pescoços de tantos que votaram (e que votariam de novo, ainda que seja provado algo contra seu filho Flávio Bolsonaro) em Jair Bolsonaro não esperou mais que vinte dias.

Como não considerar que se apostou errado? Como não desistir de lutar quando o fogo amigo não esperou um mês para demonstrar aos eleitores que os adversários do esquema de Poder do PT e associados não apenas não estavam prontos, mas não mereciam o Poder?

Ainda que, repito, não acredito que os eleitores mudassem o voto fosse a eleição amanhã, o ânimo para apoiar o Governo sofre golpes diários. E este Governo precisará, mais que qualquer outro na História do Brasil, de defensores dispostos.

Mas…como defender Governo que ou se cala diante de acusações ou responde acusações contando gotas? Como manter a disposição de combate quando o Governo parece cauteloso em excesso? Como discutir nas redes sociais com acusadores sem os dados da defesa?

A viagem dos parlamentares do PSL à China para conhecer projeto ligado à Segurança aconteceu na mesma semana em que a organização Human Rights Watch foi à Secretaria de Governo encontrar com o Ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz e exigiu do general definições sobre possível monitoramento da organização, conforme reportagem publicada n'”O Globo” e reproduzida na “Tribuna da Internet”. A reportagem diz que o general Santos Cruz tentou se esquivar da definição e viu-se cobrado pelo representante para as Américas.

Como eleitores de Bolsonaro não se decepcionariam com o que parece negar o tom da campanha presidencial? Eleitores sonham com Brasil que possa manter independência, ainda que mínima, de organizações que se consideram, ou parecem se considerar, acima de governos, e cujos representantes mostram-se dispostos a levar ministros às cordas.

Assim como esperam que Jair Bolsonaro ou qualquer outro nome forte do Governo se manifeste sobre parlamentares que exigem respeito, por serem da base de apoio.

Seria pedir muito? Seria exigência exagerada dos que se expuseram como eleitores ainda que isto implicasse em perdas de amizades e banimentos de determinados círculos sociais?

Mas há quem lute sem demonstrar cansaço.

Como não considerar meritória a intervenção de Olavo de Carvalho neste episódio da viagem à China? Quem levantou as discussões sobre a natureza da empresa autora do convite e do projeto de reconhecimento facial foi Olavo, em vídeo.Mesmo Reinaldo Azevedo, agora rompido com Olavo, defendeu sua intervenção.

Mas alguns discípulos de Olavo de Carvalho erraram, e feio, nas discussões, sobretudo com Alexandre Frota. “Burro “ e “ator pornô” foram os argumentos mais repetidos. E Frota tem razão ao apontar que estes direitistas em nada diferem dos esquerdistas que, sobre Frota, dedicam os mesmos argumentos. Contra Frota e sobre Frota,não precisa mais que isto, parecem pensar. Em ambos, noto que estes argumentos ficaram esquecidos quando não estavam em guerra contra ele. Parecem descobrir sua pouca leitura e seu histórico na pornografia apenas quando brigam com ele. Quando em paz com Frota, este é “autêntico”, “carismático”. Foi assim na Esquerda, e está sendo assim na Direita. Ora, como Frota respeitaria um lado e outro, ambos sobrelotados de hipócritas? E Frota é, apesar do equívoco de considerar uma viagem à China tratando de segurança como igual às que tratam de exportações, um combatente que vale muito. Ao contrário dos deputados eleitos pelo PSL que não se elegeriam (ou alguém acredita que se elegeriam,como afirmam?) sem o símbolo Jair Bolsonaro, Frota tem um nome e se elegeria,de qualquer maneira, com sua notoriedade e com as bandeiras que empunhou na campanha.

(Olavo de Carvalho não engrossou, até onde sei, estes ataques. Reiterou suas declarações de respeito pessoal a Frota, inclusive. Assim como Frota fez questão de dizer que separava Olavo e seu respeito por ele, dos hipócritas que seguem Olavo, ou dizem seguir Olavo)

E Bolsonaro chega aos vinte dias de Governo com o segmento ideológico que votou nele ocupado com guerras internas. Isto é estar sentado em cadeira com os pés mal parafusados, com o calço falho. Não sentiria o gabinete amplo, solitário e gelado demais?

O Poder é como mulher a quem não basta que seu pretendente zele pela mãe idosa, ou seja um conhecedor de literatura. Cuidados com o corpo e com sua posição social acima do que seriam apenas obrigações cumpridas.

A Esquerda sabe disto.

Lula viajou o Brasil quantas vezes, criando redes de apoiadores, antes de ser eleito Presidente? E o PT existia enquanto redes de militantes desde muito antes de sua fundação como partido. Souberam plantar o que não saberiam depois colher.

Mas a agenda do PT para Educação, e Segurança já estava sendo cumprida antes da chegada formal ao Poder, e isto é o Poder, compreendem?

Quantas redes de blogueiros esta Direita forma? Quantas redes de contato que não sejam grupinhos de WhatsApp estão em exercício?

Isto talvez contribua para o sentimento de extrema insegurança que o Governo deixa transparecer nestes vinte dias. Os inimigos são concretos enquanto apoiadores são virtualidades. Eleitores? Bom…isto pode desaparecer em uma onda de impopularidade.

Penso que a comunicação com os eleitores deveria ser melhorada; lives de Bolsonaro têm a inconveniência do formato, cansativo e quebradiço.

“Como não desistir de lutar nestes vinte dias infelizes?”

Lembrando da alternativa, he,he…

Mas este recurso de lembrar que tudo poderia ser pior tem data de validade. Jair Bolsonaro e seu governo precisam definir e unificar ações o quanto antes.

Porque depois não serão mais “apenas vinte dias”.

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